terça-feira, 4 de setembro de 2012

Se o escrevessem, o Prof. Marcelo recomendaria #1 - "Em Busca do Conhecimento - Miguel Relvas, a jornada do derradeiro auto-didacta"

 
  Miguel Relvas já havia confidenciado ao público como a sua vida é norteada pela busca incessante de conhecimento, mas neste livro escrito na primeira pessoa, podemos conhecer de perto os pormenores do percurso deste auto-didacta, que não capitulou perante os preconceitos sociais educativos, e alcançou um estatuto de referência intelectual do nosso país, inclusive, alcançando num ano, o que outros levaram anos. 

  A sua influência sobre Pedro Passos Coelho em matérias de Educação e Formação foi fulcral para o elevar da sua qualidade nos tempos mais recentes, como se viu em matérias tão sensíveis como o desmantelar do programa Novas Oportunidades, que certificava a ignorância num patamar tal, que se encontrava para além dos efeitos de qualquer medida que não a eutanásia. E permite-nos testemunhar a fibra de um homem corajoso, que resistiu a algumas das mais abjectas e vis tentativas de assassinato de carácter vistas no nosso país, como o cartaz "Vai estudar Relvas", presente desde os Jogos Olímpicos aos touros de morte de Barrancos. Uma verdadeira lição de vida, ministrada por um verdadeiro arquétipo de sabedoria.

  Este será o próximo volume da colecção Grandes Pensadores da Quetzal, a qual reúne já algumas das grandes mentes da nossa geração, como Pedro Passos Coelho, António José Seguro, António Costa, António Marinho e Elsa Raposo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Serviço Público #1 - Cápsulas café (in)compatíveis

  Se por algum motivo, qualquer que seja, decidirem experimentarem cápsulas "compatíveis com a Nespresso", poupem o vosso dinheiro e paladar. Ou se a curiosidade levar a melhor, podem sempre lamber o filtro de uma cafeteira. Fica ela por ela.

Mercado livreiro e o seu calcanhar de Aquiles

  A distribuição do que se publica em Portugal foi, e continua a ser, o calcanhar de Aquiles  do mercado livreiro nacional. Ciclicamente, surgem as notícias de insolvências de distribuidoras, e de como as mesmas deixam as editoras que com elas trabalhavam a suportar graves prejuízos inesperados, em simultâneo com as dificuldades acrescidas de fazer chegar os seus livros às prateleiras das livrarias.

O Público publica um artigo que ajuda a analisar um pouco mais em pormenor esta realidade:


Também têm sido conhecidas as posições de alguns editores e até autores sobre estas situações e respectivas consequências:



O tempo dirá se as soluções encontradas (e que passam em grande medida pela distribuição própria), serão eficientes o bastante para assegurar a sustentabilidade e prosperidade das diferentes editoras.

domingo, 2 de setembro de 2012

E vão três

  O meu nome é Gomes, e sou um comprador compulsivo de livros. Mas são notícias de reabilitação que vos trago hoje. Faz hoje três meses que não compro um livro que seja (embora a carne seja fraca e a tentação nos cerque). Isto já deve dar direito a uma medalha, um crachá ou coisa que o valha :)

Sabem-na toda...

  Não falta lábia à Bookdepository para tentar estimular os meus impulsos consumistas. O azar deles é que o dinheiro para a biblioteca não abunda, e quem não tem dinheiro, não tem vícios. De qualquer forma, fica aqui o lindo poema que me enviaram (ainda que tenha preferido o vale, visto valorizar mais actos que palavras).

In former days with us you shopped,
but something happened and
we've been dropped.
What did we do, what did we say,
what was it made you go away!?

We're oh so sad, but shall not rest
till you come back to our bookish nest.
What can we do, what can we say,
to win you back and make you stay?

In former days with us you shopped,
but something happened and
we were dropped.
To get you back, we thought: a gesture!
So how's about a money-off voucher?

We know our poems are not so hot,
but rhymes and puns aren't all we've got.
Our offer is genuine, the price reduction true,
So, please come back -- we really miss you!

sábado, 1 de setembro de 2012

E Setembro que já chegou

 
O Alexandria reergue-se a modos de início de temporada de 2012/13.

sábado, 14 de abril de 2012

Aquisições de 2012 até ao momento




Leituras de 2012 até ao momento


Doisneau - Fotos #1


 Robert Doisneau, Les Freres, 1934

Doisneau

   Diz-nos o Google que hoje teria lugar o centésimo aniversário de Robert Doisneau, o fotógrafo das ruas e gentes de Paris. Deixou uma obra que merece ser (re)descoberta:

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai

É o meu primeiro Dia do Pai do outro lado do espelho. Sem palavras... :)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um 2012 "tão bom quanto possível"

  Mesmo não conseguindo andar muito por aqui, não queria deixar de desejar a todos, e bebendo na inspiração do nosso representante máximo, provavelmente o Presidente mais galvanizador de todo o hemisfério norte,  um 2012 o menos excruciante possível. Feliz 2012!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Metido no Chinelo

  Acabei de ver nas notícias, um dos melhores alunos do país reduzir o Ministro da Educação à condição de artista circense em meia dúzia de penadas. Acerca dos prémios de mérito que afinal não vão ser entregues aos alunos, mas sim às escolas a favor do princípio da solidariedade, aceita que se estes são assim tão importantes para ajudar o país, compreende a medida, e sugere que o mesmo seja feito relativamente aos prémios de mérito dos gestores público, para que esse propósito seja alcançado mais rapidamente. Embora ache que "o prometido é devido, ou pelo menos é esse o princípio que lhe foi ensinado em casa". É certo que falamos de um aluno de 19,5 valores, mas é ainda assim apenas um rapaz.

  Como muita gente parece ter tido a mesma educação, entre escolas, pais e mecenas diversos, são já vários os casos em que os prémios serão entregues de qualquer forma. É assim que vemos como certos valores não se compram no supermercado.

Um velho amigo

  Quando era mais novo, já lá vão quinze anos ou coisa que o valha, o DN jovem recebia e publicava textos de quem começava a experimentar com a sua necessidade de escrever. O lançamento recente de um livro sobre esse projecto, fez-me lembrar não só essas páginas, mas também um velho amigo. O Pedro era dotado, provavelmente além do limiar de génio. Recordo-me de ele ler e compreender no preparatório, obras que estão vedadas à generalidade das pessoas, até uma década mais tarde. Nalguns casos, sempre. Garanto-vos que não estou a exagerar. 
  De mãos dadas com esse talento, caminhava uma melancolia permanente. O seu corpo jovem parecia por vezes carregar um espírito muito mais velho que os anos que tinha. Como alguém desgastado pela vida. Não soube lidar com os primeiros desgostos de amor, as reflexões existenciais em que mergulhou, com a falta de finalidade da própria vida que acreditou encontrar. Pôs termo a tudo no topo do Viaduto Eduardo Pacheco, após ler as palavras do seu livro favorito, e ouvir a música que o marcava. Sei estes pormenores, porque vinham na despedida que o DN jovem lhe publicou, a par dos melhores textos que para lá tinha enviado, um recorte de jornal que guardo até hoje.

  Lembro-me da raiva e confusão que senti por tanto desperdício. Da tristeza e dor nos seus pais enquanto me abraçavam, eu que tinha entrado com o seu filho perdido no primeiro dia da escola primária. Ainda hoje o vejo, pois os caminhos que percorro podiam ser paralelos aos dele. Mas lembro-me sobretudo, da tristeza que senti por saber que nunca mais ia estar com o meu amigo. Nós, que andámos a recolher assinaturas e a falar na rádio de ecologia, decididos a salvar o planeta. E mesmo após todos estes anos, continuo a ter saudades do meu amigo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Negócios de ocasião - só hoje

  A Fnac.pt tem durante o dia de hoje, um conjunto de 50 livros com 50% de desconto. De entre estes, destacam-se títulos como a Íliada e Odisseia (as edições da Cotovia, com tradução do original de Frederico Lourenço), os diferentes volumes de Em Busca do Tempo Perdido, ou ainda duas obras de Tony Judt. E destaco estes não apenas pelo seu valor literário, mas pelo seu elevado preço habitual (alguns rondam os 40€), que dificultam a sua compra. Quem tiver folga financeira, é de aproveitar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Hoje é o primeiro dia do resto da História de Portugal

  Acabam de se realizar as eleições legislativas, num momento em que o país se encontra metido numa camisa de sete varas. Passos Coelho não foi a minha opção para desempenhar o papel de mal menor para Portugal. Vislumbro na sua postura tiques de autoritarismo, que aliados a ideias pouco consistentes para as políticas que pretende implantar, não me deixam particularmente optimista. E se digo particularmente, é porque sou essencialmente um optimista, e espero que melhores tempos se avizinhem. Que esteja tão enganado quanto for possível.

  A alternativa viável, José Sócrates, também deixava a desejar. Embora tenha sido confrontado com circunstâncias muito específicas, e anormalmente complicadas (a borrasca do BPN, a crise do sub-prime, e a actual crise que enfrentamos), e se tenha desenvencilhado razoavelmente (tanto quanto possível) das mesmas, fica a imagem de um líder comprovadamente autoritário, arrogante, e que sempre se caracterizou pela evidência da aparência em detrimento do conteúdo. Ficam igualmente algumas situações mais dúbias, que nunca foram completamente clarificadas (aquele diploma ao domingo, Freeport, alteração da lei penal com efeitos à medida do caso Casa Pia, ou outros que envolvessem políticos). O seu melhor argumento nestas eleições, era simultaneamente o seu calcanhar de Aquiles: se estava a par e passo com a situação concreta do país, e da melhor forma de aplicar as reformas negociadas com a troika com maior celeridade, é porque já lá estava, e constituiu também ele parte do problema. É uma questão de escolher entre o mal que se conhece, e o mal que se desconhece. Abona a seu favor ter ido a votos, e não ter saído de mansinho, num país em que as grandes figuras são muitas vezes candidatos apenas em caso de vitória provável.

  Para trás ficam rábulas como as de Fernando Nobre (creio que nunca vi alguém gozar de tanto crédito junto do público, e tão rápido o desbaratar), as farófias, a percentagem africana de cada candidato, as novas oportunidades de ignorância, ou de como se deve negar a responsabilidade pelos erros até ao fim, qual marido adúltero. Para trás, fica também uma campanha em que não se discutiu o fundamental neste momento: como vão ser aplicadas concretamente as medidas do memorando (inevitavelmente, a maior parte do próximo programa governativo), e como se vão reflectir nos bolsos dos portugueses. Porque discutir ideais é muito bonito (e importante), mas as contas para pagar são certas.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E o ano começa bem...






   Ano novo, livros novos. Já cá cantam os primeiros novos residentes de 2011 (mês de Janeiro). Com o tempo tenho tido tendência a comprar progressivamente menos livros. Mais do que os constrangimentos financeiros que variam consoante as alturas (e que encontram inevitavelmente a resposta no ditado popular que diz que quem não tem dinheiro, não tem vícios), prende-se com o tempo que não chega para tudo. Acaba por ser natural cingir-me cada vez mais aos livros que quero mesmo, mesmo ler. 

  Começou com uma prenda de Natal atrasada: 501 Must Visit Natural Wonders, de um amigo que achou por bem alimentar o meu fetiche por viagens. Grande parte dos lugares que nos dá a conhecer não são de  visita viável, excepto se a nossa vida for viajar, e tenhamos bolsos bem fundos para o fazer. Mas vale a pena ver as fotografias, de qualidade bastante razoável, de como existem belezas na Terra que suplantam a nossa imaginação. 

  Nos CTT (uma primeira vez para mim), apanhei O Declínio do Império Whiting, de Richard Russo, a metade do preço. Foi uma compra por instinto, coisa que não é rara em mim. Gostei da pinta do livro. E fui influenciado pelo facto desta obra ter sido adaptada pela HBO, e protagonizada por Ed Harris, Helen Hunt e Paul Newman. Se cativou o interesse destes actores, sobretudo Newman (que nessa altura já não saía de casa por qualquer coisa), e para mais, já foi o vencedor do prémio Pulitzer, parece promissor quanto baste.

  Finalmente, nas oportunidades Fnac, aproveitei para dar baixa em quatro livros da minha lista de "Mais cedo ou mais tarde, hei-de caçar-te". Norte de Céline, autor conhecido tanto pela sua mestria literária, como pelo facto de ter sido colaboracionista nazi. O seu nome continua a ser sinónimo de polémica em França, numa altura em que se questiona novamente a importância que se deve atribuir à sua obra. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao sempre me pareceu um livro divertido, e no ano do seu lançamento foi louvado quanto baste pela crítica (embora seja verdade que por vezes isso não significa assim tanto). A História Universal da Destruição dos Livros é uma tentação para apaixonados pelos  livros e pela seu percurso na história. Qual Mark Twain, as notícias da morte do livro sempre foram exageradas. Mas não por falta de tentativas. Esta forma de consagrar experiências, ideais e pensamentos, em simples páginas de papel, tem suscitado o ódio e receio de diversos regimes ao longo dos tempos. É interessante ver como existe uma conexão entre a destruição de livros e a censura e repressão, e a que proporções esta pode ascender.

  E para último deixo o melhor: Orlando Furioso, de Ludovico Aristo. Deixo a sinopse oficial, que é bem elucidativa do que se pode esperar. Acrescento apenas que a edição é um verdadeiro mimo; um prazer pelo próprio objecto em si, enriquecido com as ilustrações de Gustave Doré. Vale bem a pena os 40€ que custa normalmente. Com as Feiras do Livro a caminho, onde tem muitas vezes um desconto de 40%, talvez esteja aí a oportunidade ideal para quem quiser acrescentar este calhamaço ao seu espólio literário. 

Sinopse

Mais de 400 ilustrações de Gustave Doré.
Introdução, tradução do original, notas e resumo por Margarida Periquito.
A Cavalo de Ferro orgulha-se de apresentar ao leitor português a primeira tradução integral de ‘Orlando Furioso’ de Ludovico Ariosto, suprindo uma lacuna editorial no nosso país de mais de 500 anos. Com a presente publicação torna-se finalmente acessível em português uma das mais importantes obras da literatura universal, enriquecendo o nosso panorama literário e cultural.
Escrito ao longo de mais de trinta anos por Ludovico Ariosto e publicado na sua versão final em 1532 (com 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados), o ‘Orlando Furioso’ é um dos maiores monumentos da literatura europeia e mundial, apenas comparável em termos de relevância cultural a outras obras-primas da literatura como ‘A Divina Comédia’ (Dante Alighieri), ‘Gerusalém Libertada’ (Torquato Tasso), ou aos nossos ‘Lusíadas’, do qual, aliás, foi influência maior.
Misto de romance de cavalaria que engloba o imaginário popular e mitológico, numa fina ironia, o ‘Orlando Furioso’ é um longo poema épico que, tal como a Odisseia ou a Ilíada, pode facilmente ser lido como um grande romance de aventuras. Foi, aliás, leitura de entretenimento ao longo dos séculos em todas as cortes europeias, influenciando gerações de escritores como o inglês Spencer ou o espanhol Cervantes, estando ainda presente em obras tão distantes no tempo e diferentes no estilo como as de Camões e de Cyrano de Bergerac.
O tema principal do livro é de como o valoroso cavaleiro Orlando, de paladino de Carlos Magno e enamorado da bela Angélica, por ciúme, se torna em louco furioso, e de como sem o seu mais importante cavaleiro o exército cristão fica em dificuldades na guerra santa que trava; isto até o cavaleiro Astolfo encontrar na Lua o recipiente que contém o juízo de Orlando restituindo-o ao seu legítimo proprietário, mesmo a tempo deste ajudar os cristãos na luta que travam contra mouros nos muros de Paris.
Pelo meio desfilam cavaleiros, cavalos alados, princesas, feiticeiros, e são descritas um sem número de batalhas, duelos, fugas, perseguições e cenas de amor; tudo isto num ritmo alucinante que a rima dos versos de Ariosto torna numa quase prosa musical.
A tradução do século, numa edição a não perder!
Orlando Furioso de Ludovico Aristo


Críticas de imprensa
«Não se pode ficar indiferente à tradução integral do poema épico de Ariosto, Orlando Furioso (1532), acabada de publicar sob responsabilidade de Margarida Periquito, tradutora de Leopardi, Buzzati, Romana Petri, Carlo Collodi e outros italianos. Orlando Furioso são cerca de quarenta mil versos no padrão rimático e métrico da oitava, distribuídos por 46 cantos. Da obra, Harold Bloom disse ser o precursor e modelo do Quixote. A edição, de apuro gráfico cuidado, sem luxo, em papel reciclado e grande formato (27cmx19cm), não é bilingue. Por essa razão, fica-se pelas 749 páginas. Margarida Periquito traduziu, explicou o critério do seu trabalho, e escreveu a introdução, uma nota biográfica do poeta (1474-1533), o resumo da obra e as indispensáveis notas. A editora Cavalo de Ferro optou por ilustrar a sobrecapa e o volume com cerca de quinhentas das 650 ilustrações que Gustave Doré fez para este clássico do romance de cavalaria, o que decerto constitui atractivo suplementar.»
Eduardo Pitta, daliteratura.blogspot.com 


«Uma tradução apuradíssima em todos os pormenores.»
J.R.D., Público 


  Alguns destes títulos continuam a manter os preços previstos na campanha Fnac, embora esta já tenha terminado. Em alguns casos, são mesmo os novos preços de editor dos livros em questão, pelo que se devem manter.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tá na hora, da caminha, vamos lá dormir

  Diz-me o Google que o Vitinho faz hoje 25 anos. E a mim, isso faz-me sentir como o tempo passa depressa. Ainda me lembro de andar na primária quando o Vitinho apareceu, e como a sua chegada significava ordem de marcha para lavar os dentes e deitar. Se um dia tiver filhos, esta há-de ser uma daquelas memórias do tempo em que o pai era da idade deles, que vou querer mostrar.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Neta do Senhor Linh - Philippe Claudel

 
  O Senhor Linh, numa idade em que já pouco esperava da vida além de alguma serenidade e carinho, vê-se forçado a procurar refúgio em França. Para trás ficam a sua casa e aldeia, e o seu filho e nora, ambos mortos pela guerra. Para trás fica tudo aquilo que alguma vez conheceu. Ou quase tudo. Consigo viaja a sua neta, ainda apenas um bebé que depende de si para tudo, e que é a única razão porque encontra forças para continuar. Mas se nesse propósito encontra a força para enfrentar o dia seguinte, é numa improvável amizade que encontrará o alento para superar o desespero que este sempre traz. Para Linh e Barker, o homem de aspecto gentil que conheceu, uma só pessoa, e com a qual não partilham sequer um idioma comum, foi o bastante para fazer a diferença.

  A escrita de Claudel é emocional sem incorrer em excessos melodramáticos, uma tentação muitas vezes presente neste tipo de narrativas. Mergulha-nos na realidade de um homem que cruza em si os dramas de um refugiado, e do estigma e condescendência que uma sociedade desenvolvida reserva aos que entraram no ocaso da vida. Coloca-nos no outro lado do espelho, em que vestimos a pele de um velho alienado que sente já não ter lugar no mundo, ou sequer conseguir comunicar com os seus habitantes. O que para nós é um facto óbvio, para alguém nas suas circunstâncias apresenta-se como um enigma cruel. E Claudel fá-lo através de uma estrutura narrativa que começa pelas páginas estritamente indispensáveis à contextualização da vida de Linh, dedicando-se então de forma mais demorada à exploração do nascimento e evolução de um vínculo de amizade entre dois homens magoados pela vida, enquanto acompanha paralelamente o dia-a-dia de Linh no centro de refugiados e o seu destino posterior, até culminar num clímax que nos conduz a uma percepção diferente da vida daquele ancião. Esta forma contida de contar a estória, acaba por amplificar o impacto das palavras do autor sobre amizade, solidão, mágoa e esperança. São cerca de 90 páginas que provam que os livros não devem ser avaliados pelo seu tamanho, e que conseguem provocar fortes sentimentos.

  Philippe Claudel, para além de escritor premiado com prémios como o Goncourt e Renadout, é Mestre de Conferências da Universidade de Nancy, professor no Instituto Europeu de Cinema e Audiovisual, e desde 2008, também realizador, com o filme Il ya longtemps que je t’aime. É editado em Portugal pela ASA.

Classificação: 8/10
 
Título: A Neta do Senhor Linh 
Autor: Philippe Claudel
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 96

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Negócios de ocasião - Janeiro na FNAC

  Os preços mínimos da Fnac estão de regresso, e são alguns os livros interessantes que se podem comprar por preços mais em conta do que é habitual. Em alguns casos, o preço já havia descido anteriormente pelo que o desconto pode não ser tão significativo quanto isso. Ficam alguns exemplos dos que mais me chamaram a atenção. 

 A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao - Junot Diaz

O Cantor de Tango - Tomas Eloy Martinez

O Mar - John Banville

A Casa de Campo - José Donoso

Orlando Furioso - Ludovico Ariosto

A Saga de Gösta Berling - Selma Lagerlof