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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E o ano começa bem...






   Ano novo, livros novos. Já cá cantam os primeiros novos residentes de 2011 (mês de Janeiro). Com o tempo tenho tido tendência a comprar progressivamente menos livros. Mais do que os constrangimentos financeiros que variam consoante as alturas (e que encontram inevitavelmente a resposta no ditado popular que diz que quem não tem dinheiro, não tem vícios), prende-se com o tempo que não chega para tudo. Acaba por ser natural cingir-me cada vez mais aos livros que quero mesmo, mesmo ler. 

  Começou com uma prenda de Natal atrasada: 501 Must Visit Natural Wonders, de um amigo que achou por bem alimentar o meu fetiche por viagens. Grande parte dos lugares que nos dá a conhecer não são de  visita viável, excepto se a nossa vida for viajar, e tenhamos bolsos bem fundos para o fazer. Mas vale a pena ver as fotografias, de qualidade bastante razoável, de como existem belezas na Terra que suplantam a nossa imaginação. 

  Nos CTT (uma primeira vez para mim), apanhei O Declínio do Império Whiting, de Richard Russo, a metade do preço. Foi uma compra por instinto, coisa que não é rara em mim. Gostei da pinta do livro. E fui influenciado pelo facto desta obra ter sido adaptada pela HBO, e protagonizada por Ed Harris, Helen Hunt e Paul Newman. Se cativou o interesse destes actores, sobretudo Newman (que nessa altura já não saía de casa por qualquer coisa), e para mais, já foi o vencedor do prémio Pulitzer, parece promissor quanto baste.

  Finalmente, nas oportunidades Fnac, aproveitei para dar baixa em quatro livros da minha lista de "Mais cedo ou mais tarde, hei-de caçar-te". Norte de Céline, autor conhecido tanto pela sua mestria literária, como pelo facto de ter sido colaboracionista nazi. O seu nome continua a ser sinónimo de polémica em França, numa altura em que se questiona novamente a importância que se deve atribuir à sua obra. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao sempre me pareceu um livro divertido, e no ano do seu lançamento foi louvado quanto baste pela crítica (embora seja verdade que por vezes isso não significa assim tanto). A História Universal da Destruição dos Livros é uma tentação para apaixonados pelos  livros e pela seu percurso na história. Qual Mark Twain, as notícias da morte do livro sempre foram exageradas. Mas não por falta de tentativas. Esta forma de consagrar experiências, ideais e pensamentos, em simples páginas de papel, tem suscitado o ódio e receio de diversos regimes ao longo dos tempos. É interessante ver como existe uma conexão entre a destruição de livros e a censura e repressão, e a que proporções esta pode ascender.

  E para último deixo o melhor: Orlando Furioso, de Ludovico Aristo. Deixo a sinopse oficial, que é bem elucidativa do que se pode esperar. Acrescento apenas que a edição é um verdadeiro mimo; um prazer pelo próprio objecto em si, enriquecido com as ilustrações de Gustave Doré. Vale bem a pena os 40€ que custa normalmente. Com as Feiras do Livro a caminho, onde tem muitas vezes um desconto de 40%, talvez esteja aí a oportunidade ideal para quem quiser acrescentar este calhamaço ao seu espólio literário. 

Sinopse

Mais de 400 ilustrações de Gustave Doré.
Introdução, tradução do original, notas e resumo por Margarida Periquito.
A Cavalo de Ferro orgulha-se de apresentar ao leitor português a primeira tradução integral de ‘Orlando Furioso’ de Ludovico Ariosto, suprindo uma lacuna editorial no nosso país de mais de 500 anos. Com a presente publicação torna-se finalmente acessível em português uma das mais importantes obras da literatura universal, enriquecendo o nosso panorama literário e cultural.
Escrito ao longo de mais de trinta anos por Ludovico Ariosto e publicado na sua versão final em 1532 (com 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados), o ‘Orlando Furioso’ é um dos maiores monumentos da literatura europeia e mundial, apenas comparável em termos de relevância cultural a outras obras-primas da literatura como ‘A Divina Comédia’ (Dante Alighieri), ‘Gerusalém Libertada’ (Torquato Tasso), ou aos nossos ‘Lusíadas’, do qual, aliás, foi influência maior.
Misto de romance de cavalaria que engloba o imaginário popular e mitológico, numa fina ironia, o ‘Orlando Furioso’ é um longo poema épico que, tal como a Odisseia ou a Ilíada, pode facilmente ser lido como um grande romance de aventuras. Foi, aliás, leitura de entretenimento ao longo dos séculos em todas as cortes europeias, influenciando gerações de escritores como o inglês Spencer ou o espanhol Cervantes, estando ainda presente em obras tão distantes no tempo e diferentes no estilo como as de Camões e de Cyrano de Bergerac.
O tema principal do livro é de como o valoroso cavaleiro Orlando, de paladino de Carlos Magno e enamorado da bela Angélica, por ciúme, se torna em louco furioso, e de como sem o seu mais importante cavaleiro o exército cristão fica em dificuldades na guerra santa que trava; isto até o cavaleiro Astolfo encontrar na Lua o recipiente que contém o juízo de Orlando restituindo-o ao seu legítimo proprietário, mesmo a tempo deste ajudar os cristãos na luta que travam contra mouros nos muros de Paris.
Pelo meio desfilam cavaleiros, cavalos alados, princesas, feiticeiros, e são descritas um sem número de batalhas, duelos, fugas, perseguições e cenas de amor; tudo isto num ritmo alucinante que a rima dos versos de Ariosto torna numa quase prosa musical.
A tradução do século, numa edição a não perder!
Orlando Furioso de Ludovico Aristo


Críticas de imprensa
«Não se pode ficar indiferente à tradução integral do poema épico de Ariosto, Orlando Furioso (1532), acabada de publicar sob responsabilidade de Margarida Periquito, tradutora de Leopardi, Buzzati, Romana Petri, Carlo Collodi e outros italianos. Orlando Furioso são cerca de quarenta mil versos no padrão rimático e métrico da oitava, distribuídos por 46 cantos. Da obra, Harold Bloom disse ser o precursor e modelo do Quixote. A edição, de apuro gráfico cuidado, sem luxo, em papel reciclado e grande formato (27cmx19cm), não é bilingue. Por essa razão, fica-se pelas 749 páginas. Margarida Periquito traduziu, explicou o critério do seu trabalho, e escreveu a introdução, uma nota biográfica do poeta (1474-1533), o resumo da obra e as indispensáveis notas. A editora Cavalo de Ferro optou por ilustrar a sobrecapa e o volume com cerca de quinhentas das 650 ilustrações que Gustave Doré fez para este clássico do romance de cavalaria, o que decerto constitui atractivo suplementar.»
Eduardo Pitta, daliteratura.blogspot.com 


«Uma tradução apuradíssima em todos os pormenores.»
J.R.D., Público 


  Alguns destes títulos continuam a manter os preços previstos na campanha Fnac, embora esta já tenha terminado. Em alguns casos, são mesmo os novos preços de editor dos livros em questão, pelo que se devem manter.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Negócios de ocasião - Janeiro na FNAC

  Os preços mínimos da Fnac estão de regresso, e são alguns os livros interessantes que se podem comprar por preços mais em conta do que é habitual. Em alguns casos, o preço já havia descido anteriormente pelo que o desconto pode não ser tão significativo quanto isso. Ficam alguns exemplos dos que mais me chamaram a atenção. 

 A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao - Junot Diaz

O Cantor de Tango - Tomas Eloy Martinez

O Mar - John Banville

A Casa de Campo - José Donoso

Orlando Furioso - Ludovico Ariosto

A Saga de Gösta Berling - Selma Lagerlof

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Temos pena...(2)

  ...que o fórum do Estante dos Livros vá encerrar já a partir do final do mês. Vai continuar online, mas não será possível fazer novos posts. A Célia (provavelmente mais conhecida por Canochinha), cujo entusiasmo suportava praticamente sozinho esse espaço, não tem mais o ânimo ou tempo necessários para continuar o projecto. Resta agradecer-lhe, dar os parabéns pela qualidade de um espaço que soube conquistar o seu lugar, e alimentar a esperança de que se as circunstâncias se alterarem, este possa um dia regressar. E mesmo que saiba a pouco, podemos continuar a acompanhar a sua paixão pelos livros no blog que lhe deu o nome.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aquisições de Dezembro

  Em Dezembro permiti-me um desvio à contenção orçamental do momento. Afinal de contas, era Natal! No Freeport, comprei pela exorbitante quantia de 5€ cada os quatro livros que de seguida se enumeram: Cavalos Roubados de Per Peterson; O Cavalo a Tinta-da-China de Baptista-Bastos; Planisfério Pessoal de Gonçalo Cadilhe, e História do Cerco de Lisboa de José Saramago. Comprei-os na semana que mediou entre o Natal  e o Ano Novo. Havia muitos outros títulos interessantes a preços em conta. Que me recorde: O Jogo do Anjo e A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon a 10€ cada; O Homem Duplicado de José Saramago a 5€; diversos títulos de António Lobo Antunes (edições ne varietur) a 8€ a peça; O Fantasma de Hitler de Norman Mailer por 8€, entre outros. Quem passar por Alcochete e quiser aliviar um pouco a carteira, é dar uma espreitadela.

  Mesmo com os amigos e entes queridos a reduzirem nas prendas de Natal (exemplo seguido pela malta cá de casa), ainda apanhei dois livros: Caderneta de Cromos de Nuno Markl, e o Sonho do Celta de Mario Vargas Llosa.

  Para encerramento das hostilidades e condigna celebração do final de 2010, satisfiz dois dos maiores desejos da lista de compras futuras. O Desertor de Daniel Silva, e a Literatura Nazi nas Américas de Roberto Bolãno, já repousam orgulhosamente na minha estante.







quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Leituras do ano que passou

  Durante 2010 não houve lugar a listas de leituras ou compras. Não saberia recitar de memória a maior parte dos livros que li no ano passado, e acerca de muitos ficaria na dúvida se os li nesse ou outro ano. Mas algumas leituras marcaram os doze meses anteriores pelos mais diferentes motivos: 

  Somos o Esquecimento que Seremos e Não Matem a Cotovia, por conseguirem captar em palavras algo de nobre do ser humano. E por o fazerem com genuinidade, sem recorrerem a exageros narrativos ou descritivos. Fortemente baseados nas experiências pessoais dos próprios autores, ambos nos conduzem pela importância do amor entre um pai e os seus filhos; e de como quando este é um bom homem, se torna a medida pela qual os seus sucessores se avaliarão. Mostra-nos igualmente que tentar fazer o que achamos certo nem sempre conduz a um final feliz; e porque ainda assim muitos acreditam valer a pena viver segundo esses princípios.  

  Shantaram, uma obra auto-biográfica romanciada, porque a vida de Gregory David Roberts é um daqueles casos em que a realidade supera a ficção. Maioritariamente passado na Índia, existe de tudo um pouco nesta odisseia: violência, miséria, crime, amor, obsessão, e algumas personagens memoráveis. Roberts guia-nos através do submundo de Bombaim ao longo de 900 páginas, e apesar da sua extensão, é com tristeza que chegamos à última página. O adágio "toda a gente tem um livro dentro de si" surgiu devido a casos assim.
  D. Amélia pela surpresa que constitui para mim. Lido por recomendação, confesso que contrariei os meus preconceitos (uns fundados, outros nem por isso) acerca de alguns autores portugueses, nomeadamente no que ao registo de romances históricos se refere. Instigado pelo alarido acerca do regicídio, proporcionou-me uma perspectiva interessante sobre o período final da monarquia em Portugal. Não uma perspectiva imparcial, ou o mais completa possível. Mas antes humana, que tenta recriar os estados de alma de uma das suas principais intervenientes.

  Uma conspiração de estúpidos fez-me ir às lágrimas de tanto rir. Não imaginava ao ler as primeiras páginas, embora cómicas, que pelo final do livro teria mergulhado num mundo em que a idiotice é o valor dominante e surge instituída de uma simetria que pauta a existência do mesmo. O epicentro, e simultaneamente expoente máximo deste, é Ignatius Reilly, uma das personagens mais geniais que conheci. Sem ser imbecil no sentido mais clássico do termo, funciona numa frequência que é diferente do resto da humanidade, e lhe confere a capacidade de conduzir quem o rodeia à insanidade. O prazer da leitura foi tanto maior, porque já conheci o meu Ignatius (embora na versão feminina), e sei agora que estas pessoas, embora raras, existem mesmo fora da ficção. E sim, mesmo quando têm um excelente coração, possuem o condão de nos levar à loucura.

  Compreende-se porque é que As Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado por tantos uma das maiores obras primas da literatura brasileira e da ficção escrita em português. Não vou mencionar a história que conta porque não é o que mais importa. O que importa é que Machado de Assis tem um tal dom para a escrita, que se tivesse escrito sobre o acto de cortar as unhas, muitos teriam lido essa prosa com gosto (o próprio incluído).

  Por último, Contos Completos I de John Cheever que me encheu as medidas. Não é raro perdurar após a leitura de contos a sensação de lamento por as ideias que abordam não terem sido mais desenvolvidas. John Cheever consegue a quase perfeição entre o tamanho do conto e o que precisava ser dito. Consegue captar o espírito de uma época da América, através do mosaico que este conjunto de contos (todos no mesmo registo) nos apresenta. Perdura o travo de que a caneta do autor foi pousada nem uma palavra a mais ou a menos antes.

  A memória privilegia as leituras mais recentes, pelo que muito provavelmente outras obras igualmente marcantes ficaram esquecidas. Mas pouco importa em que ano um bom livro tenha sido lido. Importa que tenha sido lido.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Negócios de ocasião - Winston Churchill


  Para quem tiver interesse na vida de Winston Churchill ao ponto de ler 726 páginas, é aproveitar a promoção de 40% desconto na FNAC online até dia 25 (24,80€ ao invés de 41,34€):

  Foi um dos mais admirados homens políticos do século XX. Mas não era um político de convergências, era antes um radical. Controverso e sem papas na língua, suscitava tanto a admiração como o ódio. Os de esquerda criticavam-lhe a sua tomada de posição contra a revolução soviética, ou a oposição à independência da Índia, enquanto os de direita criticavam o seu antinazismo desde a primeira hora, ou, mais tarde, o apoio a Estaline e a Tito. Mas o seu papel na segunda Grande Guerra foi fundamental, como afirmou De Gaulle: "Winston Churchill impôs-se do princípio ao fim do drama, como o grande campeão de um grande empreendimento e o grande artista de uma grande História." Mas o seu papel político doméstico também foi fundamental. O seu nome está associado a grandes reformas: Serviço Nacional de Saúde, seguros de desemprego, reforma das prisões, pensão para viúvas e órfãos, participação dos empregados nos lucros das empresas, etc. Martin Gilbert, autor desta biografia (a mais aclamada de Churchill), define-o, por isso, assim: "Um verdadeiro crente na necessidade de o Estado tomar parte activa, tanto por meio da legislação como financeiramente, na garantia de padrões mínimos de vida, trabalho e bem estar social para todos os cidadãos." 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os livros que não ando a comprar

  Para quem gosta tanto de falar dos livros que compra, dou por mim a falar nos que não comprei. Registei durante o mês de Outubro melhoras notáveis na minha condição de comprador inveterado (em grande parte uma escolha estimulada pelas medidas de contenção que o momento aconselha, mas reclamo de qualquer forma a minha parte do mérito). E quando não se está inebriado pelos novos meninos dos nossos olhos, partimos à redescoberta da nossa biblioteca residente. Qual formiga a preparar-se para o Inverno, fomos acumulando livros e mais livros, como quem salva os últimos representantes de uma espécie em vias de extinção. Por entre os bons negócios que não se podiam perder; a prenda que alguém que nos conhece bem nos deu; e os livros que nos convencemos que haveríamos de querer ler na esperança de ser uma obra-prima, acabamos por encontrar a próxima leitura perfeita. Para quem já tiver acumulado umas boas centenas ou milhares de livros, é certo que uma boa parte dos mesmos estará por ler. É então como mergulhar, em simultâneo, na nossa própria biblioteca, livraria e alfarrabista. O nosso bem mais precioso.

  Como me portei bem, acabei por me oferecer um pequeno mimo: "Manhattan Transfer" de John dos Passos (Presença). Mas com 40% desconto e portes grátis, quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os livros que andam connosco

  
   "Os livros que nos interessam mesmo, que não somos capazes de deixar no quarto ou na sala - ou mesmo em casa - são aqueles que transportamos connosco para toda a parte.
  Ao contrário dos livros de cabeceira e dos livros que espalhamos por aí, o livro andarilho tende a ser só um. É o livro dilecto do momento, aquele de que não nos conseguimos separar. Nos inquéritos de jornal, em vez dos livros de cabeceira, é essa a pergunta que se deveria fazer: qual é o livro que agora anda consigo?"

Miguel Esteves Cardoso, Ainda Ontem - Público, Domingo 7 Novembro 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

Notas sobre o mundo dos livros - Sol na eira e chuva no nabal

  Há alguns meses foram divulgados relatórios que revelam o crescimento da indústria editorial em Portugal. Para além das vozes que se levantaram, e bem, para parabenizar o feito, para mais em tempo de crise, outras houve que salientaram, em tom censuratório, como o mesmo foi alcançado sem apoios do Estado, ao contrario de outras industrias culturais nacionais (com o cinema, esse eterno elefante branco, à cabeça). 

  Com toda a paixão que tenho pelos livros, não vislumbro nenhum mérito extraordinário em um negócio dar lucro. Ainda que seja um dotado das particularidades próprias do universo dos livros. Vejo motivos de regozijo, de orgulho por um trabalho bem sucedido. Para alguns, a satisfação de contribuir para o enriquecimento da sociedade através da cultura. Mas a indústria editorial não deixa de ser um negócio, e deve prosperar por si próprio. 

  Discordo do discurso de dois pesos e duas medidas que muitas vezes se lhe aplica. Como quando se critica os grandes grupos do mundo editorial de se comportarem de forma similar ao que fariam no ramo das farturas, detergentes ou viagens, sem o respeito devido pelas suas especificidades. Não morro de amores por essa perspectiva. Mas não deixa de ser uma perspectiva, para mais fiável, porque normalmente esses grupos são de facto lucrativos. E nem toda a gente que depende desta indústria para viver, o faz, em parte ou sobretudo, por amor e vocação. Para muitos é apenas um ganha-pão. Nem sempre podemos ter o melhor de dois mundos. E ainda bem que o mundo em que vivemos começa a permitir a vitalidade do livro sem apoios artificiais.

  Nota-se um esforço na maior parte dos seus intervenientes para caminhar para uma progressiva profissionalização e modernização. Mas ainda existe um longo caminho a percorrer, nomeadamente na transparência com que comunicam publicamente os seus resultados. Falta de transparência essa que permite um recurso ao discurso do coitadinho quando conveniente. Se um determinado negócio não é rentável, embora muitas vezes lastimável o desfecho, encerra-se o mesmo. Se se tratar de uma área entendida como de interesse público (porque nem tudo o que é bom e importante tem lucro, e vice-versa), apesar do seu prejuízo crónico, intervém o financiamento público.

  Mas nem sequer é verdade que este sector esteja isento de apoios do Estado. Desde logo por estar sujeito a uma taxa de IVA reduzida. E não está sequer sujeito a um escrutínio que determine que livros devem beneficiar de isenção completa, intermédia, ou simplesmente não a ter (ao contrário do que sucede nos bens alimentares por exemplo). Por mais que goste de ler, não consigo em boa consciência, descrever o último livro de António Lobo Antunes ou da saga "Sangue Fresco", como bens essenciais. Este benefício poderia muito bem estar reservado aos manuais escolares, livros técnicos ou a um conjunto de obras seleccionadas  (o problema seria estabelecer os critérios a que obedeceria a essa escolha, mas não é esse o assunto que se pretende tratar). Tal sucede porque se entende que estimular a leitura é de tal forma importante, que esta política deve estender-se desde a maior obra-prima literária à mais execrável amálgama literária jamais concebida. Mas nunca deve ser encarada como irrelevante uma incidência fiscal inferior em 15% (a indústria discográfica bem se tem queixado do tratamento diferenciado). 

  E embora este me pareça o incentivo mais relevante, não se trata do único. A CML (logo, dinheiros públicos), atribuiu por diversas ocasiões, subsídios à organização da Feira do Livro de Lisboa (desconheço se ainda o faz). Existem campanhas de estímulo à leitura periódicas, que embora se podendo questionar a sua eficácia, o facto é que o dinheiro que as financia é gasto.

  Pode-se discutir como o orçamento destinado à cultura é parco em Portugal. E de como este é inadequadamente distribuído. Mas nessa conversa, já teremos de incluir o teatro, a dança, o cinema, a música, a pintura, entre muitos outros intervenientes. E dificilmente todos sairão satisfeitos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O encerramento da Os Meus Livros

   A revista Os Meus Livros (doravante OML) de Março será a última. Já muito boa gente expressou a sua opinião sobre este destino (aqui, aqui, aqui e aqui). Como é habitual com os recentemente falecidos, a maioria das pessoas apenas tem palavras amáveis acerca do mesmo. Confesso que não é o meu caso. Quase todas as reacções ao seu encerramento referem como é triste o desaparecimento de uma publicação exclusivamente dedicada a livros num país que praticamente não as tem. Mas poucos falam dos méritos e deméritos da mesma. Não me basta que uma publicação seja sobre um assunto que me interessa. Importa a qualidade com que o aborda.

   Comecei a ler a revista com alguma regularidade numa altura em que a anterior encarnação da LER ainda existia. Entre as duas, preferia claramente a OML. Mas desde então notei um progressivo decréscimo na sua qualidade, e simplesmente deixei de achar que valesse a pena comprá-la. As críticas a livros tornaram-se cada vez mais genéricas e as apresentações de novos lançamentos muitas vezes pouco ou nada acrescentavam às lombadas e capas dos livros. Os temas seleccionados para desenvolvimento, nem sempre se revestiam de interesse (pese a subjectividade) ou eram explorados da forma mais conveniente. Até este último número, foram sempre as entrevistas que me mereceram a maior atenção.

   O outro aspecto que destacaria dos textos que li, são os elogios ao seu director cessante, João Morales.  Acredito que fizessse muito com os parcos recursos que aparentemente tinha. Também acredito que um aumento dos mesmos se reflectisse na qualidade da publicação. Mas não querendo parecer insensível, isso pouco interesse tem. O importante para o consumidor final é que o interesse que a revista lhe suscita justifique comprá-la. E infelizmente, isso já não acontecia no meu caso. Só podemos sentir a falta de algo por que genuinamente ansiamos.

Para completar, apenas algumas notas soltas:

1. O ressurgimento da LER, por si só, já era suficiente para aumentar a concorrência sobre a OML. A forma como a LER foi praticamente incensada por muitos, em muito contribuiu para relegar a OML à obscuridade.

2. A OML tinha graves problemas de distribuição. Não era uma revista fácil de encontrar, sobretudo fora de Lisboa. Se deixou de ser colocada nas bancas porque não vendia, ou não vendia porque não era colocada nas bancas, não sei. Mas por mais de uma vez a quis comprar e não a encontrei.

3. Encerrar uma revista é uma opção do grupo económico que a detém, e concorde-se ou não, é legítima. Afinal de contas trata-se de um negócio, e é sempre mais fácil opinar sobre como gastar o dinheiro alheio. Mas isso não invalida que se possa, e deva, demonstrar respeito pelos seus responsáveis e leitores, permitindo-lhe ao menos uma despedida condigna.

4. É verdade que com a Internet, e sobretudo o advento dos blogs, a informação disponível aumentou substancialmente. Para sobreviver, a revista tem claramente de oferecer conteúdos distintos e mais aprofundados dos disponíveis em espaços de cariz predominantemente amador, sob pena de se esgotar a sua razão de ser. Mas a par dessa concorrência, existe também a possibilidade de descobrir pessoas que possam trazer contributos inovadores para esses projectos.

5. Quis o destino que o último número da OML oferecesse um livro da Ambar na sua compra. Ambar, que parece ter abandonado a sua vertente editorial, começando a ser difícil encontrar os seus livros. Acabei por comprar um livro de António Manuel Venda que me interessava ("O Que Entra Nos Livros"). Ironicamente, não consigo imaginar melhor despedida.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Unidos nunca mais serão vencidos

   Concretizou-se finalmente o anúncio oficial de uma das primeiras grandes alterações de 2010 no mercado editorial português: a editora Sextante passa a integrar o Grupo Porto Editora. João Rodrigues (Sextante) e Manuel Alberto Valente (Porto Editora), tidos como dois dos mais conceituados editores nacionais, vão passar a trabalhar juntos. Manuel Alberto Valente chegou à Porto Editora algum tempo após abandonar a ASA, de onde saiu de forma algo conturbada após a aquisiçao desta pela Leya. Desde então, em conjunto com Cláudia Gomes, não tem parado de angariar obras e autores (alguns dos quais o acompanharam da ASA), que possibilitem o crecimento agressivo que o Grupo Porto Editora pretende para os segmentos de mercado externos ao livro escolar. Com esta aquisição, obtém acesso a um catálogo criticamente aclamado, mas apelativo a um segmento de mercado mais reduzido. A Sextante, em razão dos problemas financeiros que afectaram a distribuidora com que trabalhava, precisava ela própria de encontrar um novo fôlego. Terá assim acesso a uma estrutura alicerçada em recursos financeiros e logísticos significativamente superiores aos que estava habituada.

   As movimentações que envolvem a Porto Editora podem não ficar por aqui, uma vez que continuam a ser veiculadas notícias que a dão como concorrente da Leya na eventual aquisição da rede de livrarias Bertrand. O anúncio do grupo alemão Bertelsmann, em como pretende vender os seus investimentos em Portugal (Editoras Bertrand, Temas e Debates, e a renascida Quetzal; Círculo de Leitores; Rede de livrarias Bertrand), obriga os principais intervenientes no mercado livreiro a avaliar os custos e benefícios de avançar para estas aquisições, bem como das consequências possíveis de ser um dos seus concorrentes a fazê-lo.

Escolha o seu veneno

   Janeiro é mês de saldos, tradição que entretanto também chegou aos livros. Não se vá dar o caso de terem sobrado alguns cobres do Natal, aparecem nesta altura algumas oportunidades adequadas para os gastar.

   Se os fundos forem escassos, começa amanhã uma nova colecção da revista Sábado, em que cada livro pode ser adquirido por 1€ adicional (embora em muitos lugares seja possível comprar apenas o livro). Foi no blog Estante dos Livros, que tive conhecimento de mais esta iniciativa, incluindo os títulos que a integram e respectiva data de lançamento. Causa-me alguma estranheza que a divulgação destas colecções raramente tenha o apoio dos blogues literários de profissionais da área. É verdade que as mesmas já não são novidade, e apresentam algumas limitações. Mas quando ouvimos constantemente zurzir que os portugueses não lêem nem compram livros, é algo contraditório que quando obras de autores como Arundhati Roy, Kingsley Amis ou Richard Yates ("Revolutionary Road" foi um dos grandes destaques de 2009), são disponibilizadas a preços simbólicos (não faço ideia de como conseguem comercialiar estes livros a um preço tão reduzido), a ocasião não seja aproveitada para recuperar críticas antigas sobre os mesmos, e para (re)apresentar estes escritores. Cada um escreve no seu blog sobre o que bem entende, mas numa altura em que se promove, do melhor ao pior, praticamente tudo, parece um desperdício. É claro que a divulgação cultural, embora se tente muitas vezes passar uma imagem de desinteressado altruísmo, é sempre mais apetecível quando acarreta a respectiva compensação económica. Talvez passe por aí parte da explicação.

   O suplemento Ípsilon, do Público, lançou uma nova colecção de DVD's a um preço de 1,95€ cada. Embora tenha um preço simpático, já não se trata de uma raridade nos dias que correm. O que a distingue, são os filmes seleccionados, maioritariamente cinema independente. Muitos são difíceis de encontrar legendados em português, mesmo para os adeptos de uma estratégia aquisitiva mais criativa que explore todos os recursos que a internet oferece.

   Na FNAC, já é habitual Janeiro ser mês de outlet (até 27 de Janeiro). São muitos os livros em destaque, embora nem todos sejam contemplados por um desconto tão significativo quanto isso. Destacam-se alguns títulos da regressada Cavalo de Ferro, com descontos que vão até aos 50% ("Os Crimes do Acordeão" e "The Shipping News" de E. Annie Proulx; "Os Milagres do Anticristo" de Selma Lagerlöf; ou "As Aventuras de Pinóquio" de Carlo Collodi, com ilustrações de Paula Rego).

   Também a Bertrand, com a sua campanha "Mega Livros, mini preços", disponibiliza diversas opções com preços entre os 5 e os 10€, algumas das quais constituem uma excelente oportunidade tendo em conta o binómio qualidade/preço: "Dádiva Divina" de Rui Zink (5€); "Quinhentos Escudos Falsos" de Thomas Gifford (5€); "A Torre do Desassossego" de Lawrence Wright (7€); "A Neblina do Passado" de Leonardo Padura (7,5€), entre outros. No mesmo grupo editorial, quem se tornar agora assinante da revista LER, beneficiará da oferta do livro "a Bíblia para todos", com um p.v.p. de 34,90€. Como um ano de assinatura fica a 40€ para leitores Bertrand (a adesão não tem custos), quem tiver interesse em ambas, é de aproveitar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As melhores aquisições de 2009 (1)

      A monumental obra de Érico Veríssimo (em qualidade pelo que dizem, mas de certeza em dimensão), "O Tempo e o Vento", estava na minha lista de desejos há muito. Mas comprar sete volumes não é pêra doce, pelo que fui adiando a sua compra. Entretanto o preço dos mesmos desceu, situando-se agora nos 10€. E quando numa colaboração entre a Ambar e a revista "Os Meus Livros", se proporcionou a possibilidade de comprar alguns dos mesmos, decidi deitar mãos à obra. Cabe aqui fazer um grande e sincero agradecimento à Be. Estando a residir actualmente num lugar onde nunca ouviram sequer falar da revista, foi a Be., que conheço apenas do fórum Estante dos Livros, quem se ofereceu para mos comprar e enviar pelo correio. Graças a ela, poupei cerca de 13€ na compra de dois volumes, o que ajudou a amenizar a pancada. A promoção de Natal da Wook em que metade do valor das compras efectuadas em Dezembro, seria devolvido em Janeiro num vale de compras, fez o resto do serviço. Como alguns dos títulos já nem apareciam como disponíveis na página da editora, estive até à última com a incerteza se iria receber todos os livros ou não. A Ambar parece estar a desinvestir, senão mesmo desistir, da sua aposta na literatura. Não sei até que ponto esta percepção está correcta, mas acabou por precipitar a compra de tantos livros de uma só assentada.

    Uma última palavra, extremamente negativa, para a revista "Os Meus Livros". Bem se podem criar blogs, twitters e afins, com intuito de permanecer actualizado, que os mesmos acabam por não passar de meras ferramentas. Se alguém vos envia um mail a colocar uma questão, respondam por favor. É da mais elementar educação e competência em matéria de relações públicas. Nem que mandem a pessoa passear. Caso contrário, de nada vale terem o vosso endereço disponível no blog.





sábado, 2 de janeiro de 2010

Bem-vindo 2010



     E começou mais um ano. 2009 não foi nada mau, mas parece-me que 2010 vai ser ainda melhor. Estou apenas a falar a nível pessoal. Porque na forma como o mundo gira, não me admiro nada que venham por aí mais problemas. A crise pode já não ser uma presença frequente à mesa, mas serão provavelmente mais visíveis algumas das sequelas que deixou. Mas enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Além do mais, o início de um novo ano pretende-se um período de renovação de esperança e empenho (por mais breve que seja).

    O que deveria ter sido uma ausência até ao início de Dezembro, acabou por perdurar até final do ano. Tenho pena de não conseguir actualizar o Alexandria com maior frequência, mas ocupando este um lugar de prazer e não de obrigação, vê-se muitas vezes relegado não para segundo lugar, mas para sexto ou sétimo (inclusive atrás do descanso e preguiça). Em alguns meses de blog, escrevi sobretudo sobre livros, o principal impulso por detrás do Alexandria. Existem outros assuntos sobre os quais gostaria de ter escrito mais. Talvez o consiga em 2010. Escrever sobre outras coisas, e escrever mais sobre livros. Foi também interessante e recompensador a forma como acabei por estabelecer contacto, ainda que superficial, com pessoas que partilham interesses comuns.

    E o Ano Novo não é Ano Novo sem as famosas resoluções. Fala-se de livros neste caso. Como com o passar dos anos me convenci que quanto maior a resolução, menor a sua esperança de vida, contento-me em estabelecer algumas orientações.  Após um ano em adquiri uma quantidade obscena de livros (271), exige-se maior ponderação em 2010. Por um lado, não se justifica gastar dinheiro em livros quando tenho matéria-prima em casa para ler que chegaria para encomendar um filho e deixá-lo concluir o ensino primário. Talvez aí, e não é sequer um facto adquirido, começassem a escassear as alternativas de leitura. A grande decisão foi então: ler mais livros do que aqueles que compro. Pelo menos o dobro. É verdade que existem sempre novos lançamentos a tentar-nos, mas também é verdade que uma grande parte dos livros que povoavam a minha lista de desejos já cá cantam. Para além de querer evitar gastos num ano recheado de despesas, o segundo elemento que quero administrar de forma mais saudável é o tempo. Embora seja um leitor rápido, existem alturas em que pouco se consegue, ou quer ler. Não sou de estabelecer antecipadamente os livros que vou ler ou a ordem em que o farei. Essas opções prendem-se normalmente com o meu estado de espírito na altura ou com circunstancialismos do dia-a-dia. Mas embora tenha interesse por muitos assuntos e géneros, o meu perfil  de leitor já está mais ou menos definido. Não quer dizer que seja imutável, mas simplesmente já não tenho aquela curiosidade de querer conhecer tudo. O tempo que se gasta não volta, pelo quero dispênde-lo cada vez mais com obras que me marquem, ao invés de livros que mal fecho a capa já os começo a esquecer. Não quero com isto dizer que vou cingir-me a ler apenas autores criticamente conceituados e clássicos da literatura mundial. Tal como no cinema ou música, creio fazer falta disfrutar de diferentes alternativas. Para um livro ser bom, basta que o seja dentro do respectivo género. Existem autores de que sou completamente aficcionado, mas se lesse apenas o seu trabalho, não demoraria muito tempo a desenvolver uma qualquer patologia de foro homicida.

    Existem alguns autores portugueses sobre quem quero conhecer mais (José Saramago, António Lobo Antunes, Vergílio Ferreira, Eça de Queiróz) ou simplesmente conhecer (Gonçalo M. Tavares). Nos autores estrangeiros, Philip Roth. Quero ler alguns livros que estão em lista de espera (ficção e não-ficção) sobre a II Guerra Mundial, assunto que muito me interessa. Quero também restruturar (começam a falhar e a misturar-se) e aprofundar os meus conhecimentos sobre a História de Portugal (planeio recorrer aos volumes da obra de José Mattoso, precisamente com esse nome, edição Círculo de Leitores). Nos livros que quero absolutamente ler em 2010, contam-se "Os Miseráveis" de Victor Hugo (li apenas o primeiro volume de cinco); "Shantaram" de Gregory David Roberts; "Somos o Esquecimento que Seremos" de Hector Abad Faciolince; "A Neta do Sr. Lihn" de Philippe Claudel; "Gente Independente" de Halldór Laxness; e iniciar a série "Crónicas de Gelo e Fogo" de G.R.R. Martin (tanta recomendação li que me convenci).

    Para começo de conversa chega e sobra. Bom ano de 2010 para todos!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Lançamentos que me ficaram na retina




A Porta dos Infernos
Laurent Gaudé - Porto Editora

«Épico e sonoro, trágico ou inspirado, Laurent Gaudé comporta todo um mundo de trevas. Nas guerras, na pobreza ou no exílio, o autor procura fazer entender a dimensão solar com que cada personagem ilumina a sua própria trajectória. Ritmado, potente e fascinante, A Porta dos Infernos opõe à finitude humana a fé dos homens na possibilidade de arrancar um ser ao vazio.
A narrativa começa em 1982 quando, a caminho da escola, levado pela mão do pai, Pippo é atingido por uma bala perdida no meio de uma refrega das máfias de Nápoles. Matteo e Giuliana, os pais, passam a viver obcecados pela vingança – mas Matteo não consegue a coragem necessária para abater Cullaccio, o responsável pela morte do seu filho.
Abandonado pela mulher, Matteo vagueia pela noite de Nápoles, onde travará conhecimento com um conjunto de personagens estranhos: Grace, um travesti felliniano, Garibaldo, dono de um café que permanece aberto toda a noite, o velho padre Mazerotti e o professore Provolone, um especialista em questões esotéricas que lhes garante que é possível descer aos Infernos e que conhece, na própria Nápoles, uma das entradas possíveis. Acompanhado do padre, Matteo aventura-se então nas entranhas do Reino dos Mortos em busca do seu filho perdido.»

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lançamentos que me ficaram na retina



 
 
O Sindicato dos Polícias Iídiches
Chabon, Michael
«Um dos melhores romances literários, ao nível de Philip K. Dick e Philip Roth.» ('Qué Leer') O autor é Prémio Pulitzer, o livro venceu o Nebula Award, o The Locus Award, o Hugo Award e o Sidewise Award for Alternate History. Será brevemente adaptado para o cinema pelas mãos dos irmãos Joel e Ethan Cohen. Ao longo de sessenta anos, refugiados judeus e os seus descendentes prosperaram no Distrito Federal de Sitka, um refúgio temporário criado no rescaldo das revelações do Holocausto e do chocante colapso do recém-criado Estado de Israel. Orgulhosos, gratos e esperançosos de se tornarem americanos, os judeus do Distrito de Sitka criaram um pequeno mundo num pedaço no Alasca, uma cidade fronteiriça vibrante, corajosa e complexa, que pulsava ao ritmo do dialecto iídiche. Por sessenta anos foram deixados sós, negligenciados e esquecidos, mas agora, os ventos da História ameaçam devolver a região aos nativos locais. O detective de homicídios Meyer Landsman, da Polícia Distrital, já tem problemas suficientes para ainda se preocupar com a Reversão, a grande devolução do território. A sua vida é uma confusão, um naufrágio. O seu casamento e a sua carreira são um desastre. Para piorar, a nova supervisora de Landsman é o amor da sua vida, mas também o seu pior pesadelo. Até que no hotel decadente onde ele está hospedado alguém comete um homicídio mesmo debaixo do seu nariz. Por hábito, obrigação e um misterioso sentimento de que esse caso lhe oferece, de algum modo, a própria redenção, Landsman começa a investigar a morte do seu vizinho, um ex-prodígio do xadrez.

«...um livro excepcional e de difícil classificação: é ao mesmo tempo um policial na linha ortodoxa de noir americano de entre os anos 30 e 50, um romance "literário" de História alternativa, e recebeu, pelo menos, quatro prémios de ficção científica...»
Público, ípsilon

«...pastiche simultâneo de Raymond Chandler e Lenny Bruce e cuja metáfora central é um problema de xadrez concebido por Nabokov.»
Rogério Casanova, Expresso, actual

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Lançamentos que me ficaram na retina


 
 "De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir.
Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador…" 

"A Princesa do Gelo" de Camilla Läckberg - Oceanos (2009)