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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Temos pena...

  ... de não poder frequentar o Curso de Gestão de Projectos Editoriais que os Booktailors vão ministrar durante os meses de Fevereiro e Março. Parece interessante para quem pretenda ter uma visão global do processo de edição, nomeadamente os aspectos técnicos da mesma. Mas como não é a primeira vez que o organizam, muito provavelmente também não será a última. Talvez na próxima vez.

  Para além de interesse no conteúdo do mesmo, tenho curiosidade em saber até que ponto o mercado editorial valoriza, em concreto, os cursos organizados pelos Booktailors: convictos da sua utilidade ao ponto de serem relevantes na selecção de funcionários; numa perspectiva formativa complementar mas de importância moderada; ou se simplesmente não os valoriza de todo?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Notas sobre o mundo dos livros - Sol na eira e chuva no nabal

  Há alguns meses foram divulgados relatórios que revelam o crescimento da indústria editorial em Portugal. Para além das vozes que se levantaram, e bem, para parabenizar o feito, para mais em tempo de crise, outras houve que salientaram, em tom censuratório, como o mesmo foi alcançado sem apoios do Estado, ao contrario de outras industrias culturais nacionais (com o cinema, esse eterno elefante branco, à cabeça). 

  Com toda a paixão que tenho pelos livros, não vislumbro nenhum mérito extraordinário em um negócio dar lucro. Ainda que seja um dotado das particularidades próprias do universo dos livros. Vejo motivos de regozijo, de orgulho por um trabalho bem sucedido. Para alguns, a satisfação de contribuir para o enriquecimento da sociedade através da cultura. Mas a indústria editorial não deixa de ser um negócio, e deve prosperar por si próprio. 

  Discordo do discurso de dois pesos e duas medidas que muitas vezes se lhe aplica. Como quando se critica os grandes grupos do mundo editorial de se comportarem de forma similar ao que fariam no ramo das farturas, detergentes ou viagens, sem o respeito devido pelas suas especificidades. Não morro de amores por essa perspectiva. Mas não deixa de ser uma perspectiva, para mais fiável, porque normalmente esses grupos são de facto lucrativos. E nem toda a gente que depende desta indústria para viver, o faz, em parte ou sobretudo, por amor e vocação. Para muitos é apenas um ganha-pão. Nem sempre podemos ter o melhor de dois mundos. E ainda bem que o mundo em que vivemos começa a permitir a vitalidade do livro sem apoios artificiais.

  Nota-se um esforço na maior parte dos seus intervenientes para caminhar para uma progressiva profissionalização e modernização. Mas ainda existe um longo caminho a percorrer, nomeadamente na transparência com que comunicam publicamente os seus resultados. Falta de transparência essa que permite um recurso ao discurso do coitadinho quando conveniente. Se um determinado negócio não é rentável, embora muitas vezes lastimável o desfecho, encerra-se o mesmo. Se se tratar de uma área entendida como de interesse público (porque nem tudo o que é bom e importante tem lucro, e vice-versa), apesar do seu prejuízo crónico, intervém o financiamento público.

  Mas nem sequer é verdade que este sector esteja isento de apoios do Estado. Desde logo por estar sujeito a uma taxa de IVA reduzida. E não está sequer sujeito a um escrutínio que determine que livros devem beneficiar de isenção completa, intermédia, ou simplesmente não a ter (ao contrário do que sucede nos bens alimentares por exemplo). Por mais que goste de ler, não consigo em boa consciência, descrever o último livro de António Lobo Antunes ou da saga "Sangue Fresco", como bens essenciais. Este benefício poderia muito bem estar reservado aos manuais escolares, livros técnicos ou a um conjunto de obras seleccionadas  (o problema seria estabelecer os critérios a que obedeceria a essa escolha, mas não é esse o assunto que se pretende tratar). Tal sucede porque se entende que estimular a leitura é de tal forma importante, que esta política deve estender-se desde a maior obra-prima literária à mais execrável amálgama literária jamais concebida. Mas nunca deve ser encarada como irrelevante uma incidência fiscal inferior em 15% (a indústria discográfica bem se tem queixado do tratamento diferenciado). 

  E embora este me pareça o incentivo mais relevante, não se trata do único. A CML (logo, dinheiros públicos), atribuiu por diversas ocasiões, subsídios à organização da Feira do Livro de Lisboa (desconheço se ainda o faz). Existem campanhas de estímulo à leitura periódicas, que embora se podendo questionar a sua eficácia, o facto é que o dinheiro que as financia é gasto.

  Pode-se discutir como o orçamento destinado à cultura é parco em Portugal. E de como este é inadequadamente distribuído. Mas nessa conversa, já teremos de incluir o teatro, a dança, o cinema, a música, a pintura, entre muitos outros intervenientes. E dificilmente todos sairão satisfeitos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Unidos nunca mais serão vencidos

   Concretizou-se finalmente o anúncio oficial de uma das primeiras grandes alterações de 2010 no mercado editorial português: a editora Sextante passa a integrar o Grupo Porto Editora. João Rodrigues (Sextante) e Manuel Alberto Valente (Porto Editora), tidos como dois dos mais conceituados editores nacionais, vão passar a trabalhar juntos. Manuel Alberto Valente chegou à Porto Editora algum tempo após abandonar a ASA, de onde saiu de forma algo conturbada após a aquisiçao desta pela Leya. Desde então, em conjunto com Cláudia Gomes, não tem parado de angariar obras e autores (alguns dos quais o acompanharam da ASA), que possibilitem o crecimento agressivo que o Grupo Porto Editora pretende para os segmentos de mercado externos ao livro escolar. Com esta aquisição, obtém acesso a um catálogo criticamente aclamado, mas apelativo a um segmento de mercado mais reduzido. A Sextante, em razão dos problemas financeiros que afectaram a distribuidora com que trabalhava, precisava ela própria de encontrar um novo fôlego. Terá assim acesso a uma estrutura alicerçada em recursos financeiros e logísticos significativamente superiores aos que estava habituada.

   As movimentações que envolvem a Porto Editora podem não ficar por aqui, uma vez que continuam a ser veiculadas notícias que a dão como concorrente da Leya na eventual aquisição da rede de livrarias Bertrand. O anúncio do grupo alemão Bertelsmann, em como pretende vender os seus investimentos em Portugal (Editoras Bertrand, Temas e Debates, e a renascida Quetzal; Círculo de Leitores; Rede de livrarias Bertrand), obriga os principais intervenientes no mercado livreiro a avaliar os custos e benefícios de avançar para estas aquisições, bem como das consequências possíveis de ser um dos seus concorrentes a fazê-lo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Separadas à nascença 2





 

Existem muitas capas que evocam uma sensação de reconhecimento em nós. Outras, são simplesmente muito parecidas. Ambas constituem uma curiosidade para quem se interesse pelo aspecto gráfico dos livros. Um obrigado ao Rui Azeredo, que viu estas capas e  mas enviou a propósito de um post anterior.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Editoras & Blogues Literários Amadores

A Internet, enquanto meio fundamental de comunicação nos dias que correm, é alvo de uma abordagem cada vez mais cuidada por parte das empresas. As editoras não são excepção. Uma das vertentes em que têm apostado, é em estabelecer uma ligação privilegiada entre si e os blogues literários. Não me refiro neste caso, a blogues criados como extensão de uma actividade profissional ligada ao sector editorial. Falo dos amadores (referência ao seu carácter e não à qualidade), criados sem outros intuitos que não os de partilhar informação e opiniões sobre uma paixão comum: os livros. Essa proximidade, reflecte-se normalmente numa colaboração exercida através de uma de duas vias:
-organização de passatempos;
-fornecimento dos lançamentos mais recentes para crítica.

Não pára de aumentar o número de passatempos organizados, bem como a frequência com que são realizados. Para promover um novo título, é convidado um blogue, onde serão oferecidos, em média, entre 1 a 5 exemplares do mesmo. Mas começam a surgir situações em que o mesmo passatempo, é organizado de forma simultânea em vários blogues. Um bom exemplo, foi o recente passatempo "Quem matou o General Zia?" da Porto Editora, que abrangeu cinco blogues diferentes (Estante dos Livros, Porta-Livros, Marcador dos Livros, Planeta Márcia e Segredo dos Livros). Os critérios mais comuns para determinar os vencedores são: responder correctamente a questões sobre a obra e autor, a rapidez da resposta ou o recurso a sorteio. O modo como estas iniciativas se processam, pode passar pelo simples fornecimento de exemplares de um livro (quase sempre novidades), ficando as regras aplicáveis ao critério do autor do blogue. Noutros casos, a aceitação desses exemplares está dependente de se aceitar igualmente determinados contornos para o passatempo. Uma variante frequente, é a que implica a leitura do primeiro capítulo do livro pelos participantes para responder a questões. Se agradar a quem o leu, ainda que não sejam os contemplados, há uma maior probabilidade de ficarem cativados pela história e o adquirirem. Numa altura em que a rotatividade de títulos nas livrarias é tão elevada, o fundamental é dar a conhecer que o título existe. Se não for para adquirir imediatamente, para entrar para a wishlist de cada um, o que pode contribuir para aumentar o período de vida útil em que é apelativo ao mercado. Quem for frequentador assíduo deste tipo de blogues, sabe que existe uma grande sobreposição de visitas habituais e referências recíprocas entre si. Marcando presença ainda que numa pequena parte deste universo, acaba-se por chegar à quase totalidade do seu público.

Depois, existe a disponibilização das novidades que vão sendo introduzidas no mercado. Algumas editoras disponibilizam os títulos escolhidos, enquanto outras perguntam se determinado livro interessa ou não. Em troca de uma opinião sobre a obra, os livros são cedidos gratuitamente. Não é muito diferente do que grande parte das editoras faz ao enviar exemplares dos suas novas apostas para diversos críticos literários, na esperança de uma recensão que muitas vezes nunca chega. Aqui, existe a certeza de que o gasto se vai materializar numa contrapartida. Nada garante que a opinião seja positiva, mas já se está a falar do livro. Não acredito que quem recebe o livro se sinta na obrigação de dizer que gostou do mesmo se não foi o caso. Mas tratando-se de ofertas, admito que no caso de uma opinião negativa, os termos da mesma possam ser menos agressivos. Parece-me uma reacção humana natural, mas dependerá da personalidade de cada um. Os prazos não parecem ser definidos antecipadamente, confiando na razoabilidade de quem recebeu os livros. Esta política, vem também responder a uma necessidade de chegar a um público que já não se revê na crítica tradicional, e procura este meio como alternativa para adquirir informação.

Como é que as editoras escolhem os blogues a quem propõem estas parcerias? Antes de mais, acredito que pelo número de visitas recebidas. O objectivo é sempre chegar ao maior número possível de potenciais leitores/clientes. Mas não é o único critério. Cada blogue tem a sua própria identidade. Alguns são dedicados a géneros específicos de literatura. E mesmo os que não tenham optado por um escopo tão específico, reflectem sempre os gostos de quem os escreve. Estamos a falar de projectos essencialmente pessoais, logo não condicionados por uma intenção de imparcialidade. É inevitável imergir um padrão de tendências. Quem os lê regularmente, reage precisamente a isso. Pelo que é possível definir aproximadamente que público arrasta cada blogue. Em função da ideia que formem, as editoras podem então seleccionar os que apresentem uma identidade mais adequada à mensagem que querem passar.

Algumas editoras têm sido particularmente activas nesta matéria. É o caso da Saída de Emergência, da Porto Editora, da Gailivro e, em particular, da Presença. Cada uma das partes retira diferentes benefícios desta parceria. Para as editoras, é a oportunidade de por um custo reduzido, colocar outros a publicitarem os seus livros. Pelo custo de alguns exemplares, conseguem chegar a um público que embora não seja tão vasto ou ainda tão previsível a nível de mercado como o atingido por outros meios, tem à partida, uma forte predisposição para este tipo de consumo. Para os responsáveis pelos blogues, é a oportunidade de receber de oferta livros recentes. E quem for leitor compulsivo, sabe que a carteira dificilmente consegue acompanhar os novos desejos. Para mais, já iam escrever as suas opiniões sobre o que lêem de qualquer forma. Um ponto negativo, é que as suas leituras podem facilmente ficar cingidas ao que lhes for enviado pelas editoras. Mas isso caberá à opção de cada um. Quanto aos prémios atribuídos, acho que deve ser extremamente recompensador para alguém que dedica tanto tempo e carinho a um blogue, poder dessa forma retribuir a atenção que lhe é dada por outros. Acredito mesmo, que possa ser tão tão agradável como receber os livros para si próprios. Para além de ser uma medida que atrai sempre novos leitores.

Estas são meras conclusões pessoais, a que cheguei através do que vou observando. Não correspondem a nenhum estudo fundamentado, feito com base em parâmetros definidos. As únicas vezes em que estive envolvido neste tipo de iniciativas, foi como concorrente. É perfeitamente possível que alguma da informação não seja a mais correcta, ou simplesmente peque por defeito. Se for o caso, sintam-se à vontade para o dizer. Pretendi apenas esquematizar as minhas noções sobre um fenómeno que me parece recente no panorama editorial, mas que revela uma importância crescente. Estou convencido que uma parte cada vez mais significativa da comunicação das editora com os seus leitores, passará por esta dinâmica.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Separadas à nascença

Hoje, apercebi-me como algumas capas da Ambar me fazem lembrar as da rejuvenescida Quetzal. O projecto gráfico da Quetzal Editores, bem como algumas das suas capas, é da responsabilidade da RPVP Designers. Não sei se entre essas se contam as que me transmitiram esta impressão. Não é que sejam iguais, mas o conceito visual das mesmas provoca-me uma sensação de déjà vu.

Um mero exemplo:




Estarei a imaginar coisas?

Adenda de correcção: Inicialmente, tinha indicado o actual responsável editorial da Quetzal, Francisco José Viegas, como tendo ocupado anteriormente o mesmo cargo na Ambar. Na realidade, estava a pensar em Nelson de Matos. Obrigado ao Rui Azeredo, do Porta-livros, pela chamada de atenção. E que me sirva de lição. Agora está explicada a minha dificuldade em encontrar confirmação do facto. Espero não voltar a cometer este tipo de lapso novamente. Independentemente da convicção que pense ter em certa realidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Booktailors Publishing Magazine, B:Mag para os amigos

A Booktailors lançou uma revista online gratuita, relativa à edição literária nacional. O primeiro número reúne os textos publicados no espaço "Opinião no Blogtailors". Para os interessados, ver como fazer o download aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O segredo deve mesmo ser a alma do negócio


Ficamos a saber que as Feiras do Livro de Lisboa e Porto foram um sucesso. Mais de 350 mil visitantes e um aumento entre 10 a 20% nas vendas, em relação ao ano anterior (em tempos de crise é sempre positivo). O que ficamos sem saber, novamente, é o volume e valor de vendas de cada editora, que recusaram fornecer esses dados. Cada vez mais ouvimos falar na profissionalização do mercado da edição em virtude das suas novas exigências; em como é preciso inovar porque não falamos apenas de livros, agora são conteúdos. É necessária uma estratégia para diferentes plataformas. Faz sentido. E será que para a tão almejada maturidade e profissionalização do mercado, não seria importante dados fidedignos? Não é importante saber o que se vende e em que quantidade? Continua a haver uma resistência por parte das editoras em providenciar os dados da sua actividade. Não falamos de dados confidenciais, mas dos normais resultados da sua actividade. Excepto se estivermos a falar de um best-seller que bateu recordes no número de edições e exemplares vendidos. Nesse caso, não falta a indispensável fitinha que nos lembra fazermos parte de algo maior que nós; de um verdadeiro fenómeno.

Não acredito em negócios que se mantenham abertos com prejuízos crónicos. Editoras inclusive. Ninguém vive do ar, pelo que o que não dá dinheiro acaba por fechar (salvo uma excepção ou outra). Podem dar pouco dinheiro, mas dão algum. A verdade, é que estamos constantemente a ser bombardeados com discursos de como a edição é um negócio periclitante. Cerca de 50% dos portugueses não compra um livro por ano! As pessoas não lêem e o Estado devia intervir! Se alguém insinua que um livro é caro para o consumidor (o que é diferente de afirmar que é caro para os custos de produção, distribuição e retalho que teve), cai o carmo e a trindade. Permitam então que os interessados possam cruzar o máximo de informação possível sobre a edição literária, e não apenas a que lhes convém. Quanto mais informação disponível houver, mais aumenta a probabilidade de cada um dos seus agentes fazer opções adequadas no futuro. E mais legitimidade terão para chamar a atenção para os seus problemas específicos. Que mais não seja para evitar casos destes, que nos remetem para uma tão típica chico-espertice portuguesa.

Adenda: Pelo menos a Leya disponibilizou alguns dados referentes à facturação e aos autores mais vendidos (genericamente, sem referir números quanto aos exemplares vendidos). Mas no seu caso compreende-se. Um grande grupo, com grandes vendas, transmite uma imagem de vitalidade. Se alguém souber onde existe informação mais detalhada acerca destas matérias, não se coíba de a partilhar. Fica desde já o meu agradecimento.