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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um burro, mesmo velho, aprende sempre novas línguas

  A integração da internet no nosso dia-a-dia está a influenciar a nossa forma de escrever e ler. Pelo menos é o que alguns estudos indicam:

Excertos de Texto publicado na edição da Pública de 31.10.2011

  "A verdade é que todas as nossas experiências nos modificam o cérebro, redesenham-nos os circuitos, como se fosse um computador (..) E, quanto mais repetitivas e praticadas forem as nossas acções, mais intenso será esse efeito de plasticidade do cérebro. Os músicos profissionais têm mais matéria cinzenta nas áreas cerebrais relacionadas com o planeamento dos movimentos dos dedos. Os cérebros dos atletas são mais volumosos nas zonas responsáveis por controlar a coordenação entre os olhos e as mãos."

  "Mas a descoberta desta plasticidade do cérebro, desta capacidade permanente de se alterar, é algo recente (...). Até então, o que se aceitava era algo que a sabedoria popular traduzia no provérbio "de pequenino se torce o pepino": o cérebro não mudava grande coisa desde a infância. O que não se aprendia em pequenino dificilmente se aprenderia em adulto."

   Se alguém aprender a escrever no teclado do computador - sem passar pela aprendizagem à mão -, não vai ter a necessidade de pegar em papel e caneta para tirar dúvidas, como se a mão soubesse mais de ortografia do que o cérebro onde ficam guardadas as memórias e o que aprendemos. (...) gesto ainda hoje corrente, quase um reflexo - tirar notas à mão -, vá desaparecer, mais tarde ou mais cedo."

   Nicholas Carr  (jornalista de tecnologia norte-americano) 

  "Não tenho andado a pensar como costumava pensar. Sinto-o sobretudo quando estou a ler. Costumava achar fácil mergulhar num livro ou num artigo longo. A minha mente deixava-se apanhar nas voltas da narrativa ou nas reviravoltas dos argumentos, e passava horas a passear por longas caminhadas de prosa. Hoje é raro fazer isso. Agora a minha concentração começa a vaguear passada uma página ou duas.  Começo a mexer-me, perco o fio à meada, começo a procurar outra coisa qualquer para fazer. Sinto que tenho de estar sempre a arrastar o meu cérebro indisciplinado de volta ao texto. A leitura aprofundada que antes me vinha naturalmente tornou-se agora numa luta." 

  Maryanne Wolf (especialista em dislexia)

  "Se a nossa atenção é constantemente distraída, isso influencia a profundidade da leitura, deixamos de conseguir analisar profundamente o que lemos".(...) "A leitura superficial não conduz a uma forma de pensar profunda. E o pensamento superficial não nos leva a uma vida virtuosa, na forma como nos relacionamos com os outros".(...) reconhece não existirem muitos estudos que provem ou desmintam as suas preocupações.

   "Um estudo da Universidade do Michigan chegou a uma conclusão bastante preocupante: a empatia, a capacidade de entender uma situação a partir do ponto de vista do outro, diminuiu cerca de 40 por cento entre os estudantes universitários norte-americanos durante os últimos 30 anos. Isto está a passar-se com a geração do Facebook e do Twitter."

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A resposta clássica a um crítico

"Sir: I am seated in the smallest room in the house. Your review is before me. Shortly it will be behind me."

Retirado de um divertido artigo, que nos fala sobre as respostas dadas por diferentes autores aos seus críticos. Descoberto graças ao Cadeirão Voltaire.

domingo, 5 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A vida é frágil

Foi noticiada a morte da coreógrafa alemã Pina Bausch, a um mês de completar 69 anos. Tinha descoberto apenas cinco dias antes, que estava doente com cancro. Cinco dias. A vida é muito frágil...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não acredito em bruxas...mas que elas existem, existem


Hoje, dos três noticiários televisivos das 13h00, a TVI e SIC começaram com a comunicação do Governo de que se opõe à aquisição de parte da TVI (30%) pela PT. A RTP optou pela morte de Michael Jackson. E nessa matéria permaneceu durante 14 minutos. Passou testemunhos vindos da América. Entrevistou Nuno Braancamp, organizador de um concerto dado pelo artista em Portugal. Entrevistou também animadores de rádio e funcionários de lojas discográficas acerca do assunto. E só depois abordou a comunicação do Governo. Ouvimos o Primeiro-Ministro falar, como se tratasse de uma coisa de somenos importância. Como se tivesse mudado de ideias acerca do nome a atribuir a uma iniciativa governamental corriqueira. Em seguida, declarações de um representante parlamentar de cada um dos partidos da oposição. Por último, um extracto da entrevista dada por Zeinal Bava na véspera à RTP. No total, não chegou a 6 minutos. Menos de 50% do tempo dedicado ao falecimento de Jackson. Nenhuma referência a como se trata de um assunto sensível, cheio de avanços e recuos mal explicados. Nenhuma referência ao sapo que mais parecia um boi, que o Governo teve de engolir depois das declarações anteriores. Nenhuma análise sobre as repercussões que este passo terá na empresa de telecomunicações.

Pacheco Pereira disserta recorrentemente contra a instrumentalização da televisão pública pelo Governo. Nem sempre concordo com a sua opinião, ou pelo menos com o grau da mesma. Mas tenho de admitir que não está apenas em causa uma imaginação fértil e teorias da conspiração. E tenho curiosidade em saber; numa altura em muitos jornalistas (felizmente não todos) realizam mais julgamentos sumários do que investigações acerca de todos os quadrantes da sociedade, se aplicarmos o mesmo crivo ao seu trabalho, quais os critérios jornalísticos seguidos que justifiquem esta opção?