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domingo, 14 de novembro de 2010

Citações favoritas de Oscar Wilde


"Always forgive your enemies; nothing annoys them so much."

"One should always play fairly when one has the winning cards."

"I can resist anything but temptation."
"Experience is the name everyone gives to their mistakes."
"A little sincerity is a dangerous thing, and a great deal of it is absolutely fatal."

Para quem tiver curiosidade em conhecer mais citações do autor, é só seguir o link.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Debaixo d'olho Outubro (2) - Eduardo Mendoza


  De Eduardo Mendoza li "O mistério da cripta assombrada" e "O labirinto das azeitonas" (editados em Portugal pela Casa das Letras), e achei ambos hilariantes. O autor recorre a um humor que consegue ser simultaneamente inteligente (na forma como a sua escrita nos faz avançar na estória), e tresloucado (nos pressupostos que nos apresenta, e nas circunstâncias que engendra). O herói comum a ambos é um psicopata internado (cujo nome nunca nos é revelado), que é "requisitado" pelo comissário Flores para missões que requerem os seus talentos especiais. Mais do que a curiosidade que "A assombrosa viagem de Pompónio Flato" me suscita em concreto, o que eu realmente quero é conhecer mais da obra de Mendoza.

  O escritor catalão Eduardo Mendoza é o vencedor do Premio Planeta 2010, atribuído pelo grupo editorial espanhol Planeta ao romance sobre a Guerra Civil de Espanha «Riña de gatos», que escreveu sob o pseudónimo de Ricardo Medina.

Nível de interesse: Elevado

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os packs malditos 1/2

Crónicas de um comprador de livros compulsivo    

    Gasto mais dinheiro em livros do que devia, e compro-os muito mais rápido do que os consigo ler. Faço-o por um hábito de coleccionismo e pela expectativa que sinto ao ter aquele livro na estante, aguardando a oportunidade ideal para ser lido. Encontro o mesmo prazer em descobrir um livro comprado anos atrás, uma obra de que não me recordo a última vez que nela pensei, que encontro numa compra mais recente. Minto. Sinto um prazer ainda maior. Porque olho para as minhas estantes como um reduto em que guardo alguns dos meus bens mais valiosos. Ao percorrê-las, revisito as circunstâncias e motivos que me convenceram a comprar cada um dos seus ocupantes. É nessas alturas que me apercebo de como a minha biblioteca se foi tornando uma extensão da minha personalidade.

    Ao adoptar este comportamento à revelia de qualquer racionalidade económica, acabo por sentir a premência de alcançar alguma forma de equilíbrio com a minha consciência.  A solução que encontrei, é procurar sempre os melhores negócios possíveis. Quando os encontro, a convicção de que dificilmente encontrarei uma oportunidade semelhante, constitui um argumento difícil de rebater. No seguimento desta lógica, interiorizei nos últimos três meses quão vulnerável sou a um tipo de promoção específica. Começou, como começa sempre, com um negócio de ocasião.

    Os hipermercados Continente, simpáticos bastiões do capitalismo, organizaram a campanha best-seller. Na compra de um conjunto de packs seleccionados, apenas pagávamos o preço de um de dois livros. Ora os packs de Daniel Silva e Haruki Murakami caíam que nem ginjas no meu pecúleo literário, provocando  baixas há muito ansiadas na minha lista de desejos. Para além disso, senti que era minha obrigação cívica adquiri-los enquanto um cidadão que pretende contribuir, ainda que modestamente, para a revitalização da nossa economia numa época de crise.

    O pack de Daniel Silva era constituido por "O Assassino Inglês" e "O Criado Secreto", precisamente os únicos livros do autor publicados em português que me faltavam. Dos muitos autores de espionagem a que já foi comparado, o que Daniel Silva mais me recorda é Frederick Forsyth (autor de "O Chacal" e "O Quarto Protocolo"), mas numa encarnação actualizada. Tem uma fórmula que obedece a critérios bem definidos, apostando na riqueza de pormenores dos contextos e competente gestão do suspense para enriquecer a narrativa. Ao escolher Gabriel Allon, um espião israelita, como protagonista de uma boa parte dos seus thrillers, Daniel Silva descobriu um filão inesgotável de estórias. Entre repercussões da perseguição a que os judeus foram sujeitos na II Guerra Mundial, e os conflitos em que Israel se encontra actualmente envolvida no Médio Oriente, matéria prima é coisa que não lhe falta. A Bertrand poderia era tratar com mais respeito esta série e quem a lê. Existe uma sequência na mesma que tem sido ignorada. No primeiro lançamento ainda se compreende. Provavelmente estavam a tentar recriar um sucesso literário internacional. Mas a partir do momento em que concluiram que a fórmula funcionava no nosso mercado, não compreendo porque motivo a sequência de lançamentos parece continuar a ser decidida de forma aleatória, e não na ordem cronológica. Acabam por ser desvendados prematuramente, determinados elementos da evolução pessoal das personagens que conduzem a efeito spoiler perfeitamente evitável.

    O pack de Haruki Murakami oferecia na compra de "A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol", o livro "Dança, Dança, Dança", continuação de "Em Busca do Carneiro Selvagem". Dos livros de Murakami que conheço (para além deste, "Kafka à Beira-Mar" e "Norwegian Wood"), foi o que mais gostei. A escrita de Murakami tem uma assinatura muito própria, assente num plano parcialmente abstracto e que se mantêm constante de livro para livro. Não ser um escritor versátil no tipo de atmosferas que cria, não constitui um problema porque ninguém mais cria atmosferas iguais às suas. Como já tinha o primeiro livro, aproveitei por fazer uma compra de Natal antecipada por um preço em conta. E consegui o "Dança, Dança, Dança" por 13,50€ quando o seu preço é de 18€ mesmo com 10% de desconto. Por uma questão prática, darei um pequeno salto temporal para maleitas futuras. Isto porque a desgraça em Murakami não se resumiu a esta compra. Na fnac online, aproveitando a pré-compra de "Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo", recebiamos de oferta "After Dark, Passageiros da Noite". As obras de Murakami têm sido particularmente recorrentes neste tipo de promoções. Aliás, este foi um ano particularmente profícuo em sinergias entre a minha biblioteca e a obra do escritor nipónico. Já tinha aproveitado uma outra promoção para comprar o ensaio "Underground - O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa" editado pela Tinta da China.

    Existe um aspecto que me parece curioso quando se fala de Murakami. Foi um autor que demorou a chegar a Portugal. Recordo-me de ouvir diversas intervenções em que diferentes intelectuais referiam com entusiasmo o fenómeno Murakami como o que de mais original tinha surgido no panorama literário internacional. Chegou a ser mencionado como exemplo do atraso com certas obras significativas chegavam ao nosso mercado. Quando finalmente chegou, foi-se tornando paulatinamente um sucesso de vendas. E começámos a observar um silêncio cada vez maior da crítica. É verdade que os seus livros não são normalmente alvo de críticas negativas. Simplesmente não lhes é dada grande atenção. Deixou de ser um segredo bem guardado, apenas ao alcance daqueles cujo conhecimento do mercado vai para além das nossas fronteiras, tornando-se um produto de massas. Há quem se refira ao mesmo como o Dan Brown dos intelectuais. Outra crítica recorrente é o facto de ser um dos escritores japoneses mais ocidentalizados. Parece-me uma crítica pertinente apenas se alguém o referir como um paradigma do estilo dos autores nipónicos. Não é difícil entender o motivo porque os traços culturais japoneses, ainda que mitigados, parecem exóticos aos olhos de alguém tão distante e desconhecedor dessa realidade. Pode muito bem ser, que seja precisamente o facto de estar a meio caminho entre as culturas ocidental e oriental, que o torna tão apelativo a ambas.
  
 "O Assassino Inglês" + "O Criado Secreto" de Daniel Silva por 16,16€




"A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol" + "Dança, Dança, Dança" de Haruki Murakami  por 13,50€



"Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo" + "After Dark, Passageiros da Noite" de Haruki Murakami por 13,50€ 


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dan Brown, o McDonald's da literatura



     Eu ainda sou do tempo em que o McDonald's existia em Lisboa e pouco mais. Um almoço no dito cujo, chegava a ser descrito na escola com honrarias de ponto alto de uma viagem ao estrangeiro. Quando começaram a aparecer novos restaurantes da marca, era normal vê-los cheios com famílias inteiras em refeições de fim-de-semana, festas de aniversário e almoços de negócios. Depois, entrou na nossa rotina e generalizou-se. Passou a moda e surgiram os sucedâneos. Ainda hoje é um sítio onde um grande número das pessoas vai comer de tempos a tempos. Um pequeno guilty pleasure. Surgiram nessa altura os puros e castos. Gente que jura a pés juntos que nunca comeu aquela porcaria. Outros comeram, mas entretanto tiveram uma epifania, e antes morrer a tragar McDonald's novamente. Cada um é livre de comer o que quer. E houve evidentemente, muita gente que nunca sentiu o apelo do ícone americano da fast food. É precisamente por ser algo tão natural, que não sentem a necessidade de o anunciar ao mundo como se tivessem salvo uma vida. Mas o que é que esta conversa mal enxertada tem a ver com o Dan Brown?

    É que é precisamente este tipo de comportamento, de que me recordo quando penso nas reacções manifestadas em relação a "O Código da Vinci", durante os anos que mediaram a edição deste e de "O Símbolo Perdido". Aquando do seu lançamento, gerou um fenómeno ainda hoje difícil de igualar no mercado editorial nacional, vendendo mais de 500 mil exemplares. Pessoalmente, acho o "Código da Vinci" um bom livro. Lido compulsivamente, cumpriu plenamente a função recreativa que dele esperava. Não vai ficar para a história como uma obra maior da literatura, mas também não me parece esse o seu lugar ou pretensão. Parece-me que a maior fragilidade, não do livro, mas da obra de Dan Brown, é a estrutura narrativa. Porque é sempre a mesma. O número de personagens principais; os ardis utilizados para desviar a atenção do verdadeiro vilão; a dinâmica romântica dos casais principais; até a forma como a montanha acaba por parir o rato nas conspirações, fruto de um indivíduo tresloucado e não das instituições milenares. E como cereja no topo do bolo, há aquele momento aerodinâmico no "Anjos e Demónios", a que os americanos chamariam jump the shark (quem leu o livro sabe de certeza ao que me refiro), que de tão rídiculo nos impossibilita qualquer hipótese de levar a sério o livro.

    Entretanto, parece que ninguém tinha lido o livro. Que se tornou um fenómeno de geração espôntanea. Um livro que se via por todo o lado, escolha de eleição para oferta de Natal e aniversários, tornou-se no manuscrito maldito. Na crítica literária, é recorrentemente nomeado como um exemplo intragável de livro ou simplesmente tratado com a condescendência reservada ao trabalho de um amador esforçado. Critica-se a falta de exactidão histórica do mesmo e a falta de densidade dramática. São verdade ambas as críticas. A inexactidão de factos não me incomoda particularmente porque ficções históricas não me parecem o melhor meio de adquirir informações fidedignas acerca de que assunto for, para além de algumas noções gerais. É verdade que existem algumas excepções, mas que servem sobretudo para confirmar a regra. Quanto à densidade dramática, existem de facto melhores alternativas. Ide ler os clássicos. Mas nem só de Tolstoi e Balzac se alimenta o intelecto (acho eu). Tal como no cinema ou música, na literatura existem alternativas para diversas necessidades e estados de espírito. A literatura de aeroporto também serve o seu propósito. E para quem enquadra "O Código da Vinci" nessa categoria, é no contexto da mesma que a deve avaliar. É perfeitamente normal que muita boa gente o ache pura e simplesmente lixo. Mas parece-me difícil, por qualquer cânone, considerá-lo como do que pior surgiu nos escaparates das livrarias. Quanto mais não seja, porque na enxurrada de thrillers esotéricos que tentaram capitalizar o seu sucesso (embora um efeito colateral pelo qual não pode ser responsabilizado directamente, talvez este sim, seja o pior malefício que se lhe pode apontar), existem muitos candidatos melhor qualificados para esse papel.

    Entretanto, foi lançado "O Símbolo Perdido" e os ânimos serenaram. Afinal de contas, o livro está a vender bem e não parece ser uma boa altura para as vozes críticas se manifestarem. Se alguém conceituado admitir ler Dan Brown (#469), provavelmente até terá direito a ser louvado pelo ecletismo que caracteriza as suas leituras. Não sou um defensor incondicional de Brown. Li quatro dos seus livros, sendo que um deles, "Fortaleza Digital", pareceu-me um simples desperdício de papel. Para ser sincero, duvido que possa retirar mais alguma coisa da sua escrita. Tenho uma curiosidade reduzida pelo seu mais recente romance, e a possibilidade de o ler está subordinada a um eventual negócio de ocasião. Simplesmente, e sendo verdade que a opinião é totalmente livre, não perder o sentido de proporção quando se opina nunca fez mal a ninguém.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Lobo Antunes confessa-se em entrevista



António Lobo Antunes foi entrevistado por Judite de Sousa a propósito do lançamento do seu novo livro, "Que cavalos são Aqueles que fazem Sombra no Mar?". Quando questionado acerca da polémica envolvendo as declarações de José Saramago,  começou por dizer que preferia não comentar. E ao não comentar, mas já comentando, lá afirmou que embora sem conhecer as declarações em profundidade, lhe parecia que a comunicação social havia encarniçado umas declarações infelizes. A conversa prosseguiu, e acabou por revelar que o que não gostava era de chegar aquela idade com tão pouco senso crítico. Para quem afirma não haver polémica entre ambos, acabou por utilizar um eufemismo não muito subtil para chamar a Saramago velho e caduco.

No mais, embora tenha ficado conotado com uma postura arrogante nos últimos anos, continua a ser um prazer ouvir as suas entrevistas. Falou da doença que sofreu, e o que isso mudou na sua visão do mundo. A importância de um segurar de mão antes da operação. Ele que confessou que quando era novo e exercia medicina, os pacientes eram sobretudo casos, meros números. Viu-se agora do outro lado da barricada. Contou como chegava a uma sala de espera cheia, com as televisões ligadas para quem ninguém olhava. O orgulho que sentiu em ser português quando viu a dignidade com que aquelas pessoas encaravam a morte certa. Como quando já sabia que ia viver, olhava para crianças que não iam, e pensava como era injusto. Contou a história de um velhote que sempre que ia à consulta, levava o seu melhor fato, sem g ravata. O seu melhor fato era também o seu único, pelo que com o tempo foi ficando cheio de manchas. No entanto, quando se levantava, caminhava com a graciosidade de um príncipe. E nessa postura, Lobo Antunes viu a gravata mais bela do mundo.
 

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Uma boa oportunidade



 A 12 e 14 de Novembro, "O Viúvo" estará nas bancas com a Visão e o Expresso respectivamente, integrado na colecção jornalistas escritores - escritores jornalistas. Ainda não li "O Viúvo", mas de Fernando Dacosta conheço "Nascido no Estado Novo" e "Memórias de Salazar". São narrativas que conseguem proporcionar-nos uma perspectiva que concilia mais do que é normal nas obras sobre o tema, o lado humano com a vertente histórica do que era viver no Estado Novo. Fernando Dacosta é um autor que passa injustamente despercebido nos dias que correm, quando o seu trabalho é um importante contributo para apreender a complexidade de um período que tanto nos marcou. Sobretudo, para aqueles que como eu, já nasceram em democracia. Por 3,90€, é de aproveitar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Em psicologia, chamam-lhes actos falhados

"Até aqui, o que eu escrevia não escapava ao rótulo de romance histórico. Este é um bocadinho inqualificável".

Miguel Sousa Tavares à Visão

Via Irmão Lúcia - Ele quis dizer "inclassificável" mas a boca fugiu-lhe para a verdade

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lobo Antunes Superstar

Adorei o texto de Isabel Coutinho sobre a prestação de António Lobo Antunes na Festa Literária Internacional de Paraty. Recordou-me as entrevistas do autor que primeiro me chamaram a atenção para a sua obra.