quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Negócios de ocasião - Janeiro na FNAC

  Os preços mínimos da Fnac estão de regresso, e são alguns os livros interessantes que se podem comprar por preços mais em conta do que é habitual. Em alguns casos, o preço já havia descido anteriormente pelo que o desconto pode não ser tão significativo quanto isso. Ficam alguns exemplos dos que mais me chamaram a atenção. 

 A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao - Junot Diaz

O Cantor de Tango - Tomas Eloy Martinez

O Mar - John Banville

A Casa de Campo - José Donoso

Orlando Furioso - Ludovico Ariosto

A Saga de Gösta Berling - Selma Lagerlof

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Temos pena...(2)

  ...que o fórum do Estante dos Livros vá encerrar já a partir do final do mês. Vai continuar online, mas não será possível fazer novos posts. A Célia (provavelmente mais conhecida por Canochinha), cujo entusiasmo suportava praticamente sozinho esse espaço, não tem mais o ânimo ou tempo necessários para continuar o projecto. Resta agradecer-lhe, dar os parabéns pela qualidade de um espaço que soube conquistar o seu lugar, e alimentar a esperança de que se as circunstâncias se alterarem, este possa um dia regressar. E mesmo que saiba a pouco, podemos continuar a acompanhar a sua paixão pelos livros no blog que lhe deu o nome.

Temos pena...

  ... de não poder frequentar o Curso de Gestão de Projectos Editoriais que os Booktailors vão ministrar durante os meses de Fevereiro e Março. Parece interessante para quem pretenda ter uma visão global do processo de edição, nomeadamente os aspectos técnicos da mesma. Mas como não é a primeira vez que o organizam, muito provavelmente também não será a última. Talvez na próxima vez.

  Para além de interesse no conteúdo do mesmo, tenho curiosidade em saber até que ponto o mercado editorial valoriza, em concreto, os cursos organizados pelos Booktailors: convictos da sua utilidade ao ponto de serem relevantes na selecção de funcionários; numa perspectiva formativa complementar mas de importância moderada; ou se simplesmente não os valoriza de todo?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Desertor - Daniel Silva

 
   O Desertor é a mais recente aventura protagonizada por Gabriel Allon, o espião israelita criado por Daniel Silva, a ser publicada em Portugal. Os acontecimentos que descreve vêm no imediato seguimento do volume anterior, As Regras de Moscovo, em que o seu antagonista foi o traficante de armas Ivan Kharkov. Grigori Bulganov, o homem que por duas vezes salvou a vida de Allon na Rússia, desaparece do seu exílio britânico. Descrente na possibilidade de que o tenha feito voluntariamente, e motivado pela promessa que lhe fez de que não acabaria morto e desfigurado numa vala anónima (punição tradicionalmente reservada aos traidores na Rússia), o espião/restaurador de arte, abandona, uma vez mais, o seu retiro na Úmbria para tentar salvar o amigo.

  Sem grandes dúvidas de estar perante a vingança de Kharkov, Allon sabe igualmente que será uma questão de tempo até ser alvo da mesma. Os seus actos possibilitaram o desmoronar da rede de tráfico de armas de Kharkov, o roubo de uma substancial parte da sua fortuna, e mais importante, a fuga da sua mulher e filhos. Gabriel tenta descortinar as circunstâncias que rodearam o desaparecimento de Bulganov,  na esperança de achar a ponta do novelo que o leve até ao seu cativeiro. Mas quando falha em proteger Chiara, a sua mulher, vê-se forçado a tomar medidas extremas (e a desfazer-se de alguns escrúpulos), para evitar que se repita a sua história pessoal (o atentado que vitimou o seu filho e a sua primeira mulher, é um dos elementos estruturantes do perfil psicológico da personagem).

  Os enredos e mecanismos narrativos utilizados por Daniel Silva pouco ou nada acrescentam aos títulos anteriores. É mais do mesmo. Mas feito com a competência habitual. Os apreciadores de Gabriel Allon não sairão desapontados, mas é melhor não esperar muito além de um elemento de continuidade. O próprio desenlace não consegue escapar a essa monotonia, embora chegue a alimentar essa expectativa. É no entanto uma obra que se centra mais na vertente pessoal de Allon, visto que é sobre si, e não Israel, que recaem todos os perigos. É na evolução pessoal do protagonista, e das suas relações com um conjunto de velhos conhecidos cada vez mais recorrentes (Shamron, Seymour, Bancroft, Carter, Navot, entre outros), que se notarão os maiores desenvolvimentos, pelo que se torna tão mais relevante conhecer os antecedentes dos mesmos. Por esse motivo, bem como o facto de ser uma continuação directa da história anterior, será talvez a pior escolha possível para um primeiro contacto com esta série. 

  Daniel Silva aborda através da sua ficção a promiscuidade que actualmente existe na Rússia (em que o apoio do Governo a um criminoso como Kharkov seria perfeitamente normal, desde que acarretasse lucro), e de como este estado de coisas é directamente conexo ao percurso económico e social de antigos quadros da KGB (como é o caso de Vladimir Putin). Opressão e corrupção são as duas constantes num país em que a actividade jornalística é descrita como uma das mais perigosas profissões do mundo. Casos como os de Alexander Litvinenko e Anna Politkoyskaya são evocados directamente, ou através de personagens que se encontram em contextos similares. 

  Fica-se a aguardar a edição nacional do livro seguinte da série, The Rembrandt Affair, sendo que está prometido para meados de 2011 o lançamento do 11º volume da mesma, Portrait of a Spy. Talvez um deles traga resposta à minha suspeita de que Allon mais não seja que o ramo judaico da família de Jack Bauer.

Classificação: 7,5/10

Título: O Desertor
Autor: Daniel Silva
Editor: Bertrand Editora
Edição: 2010
Páginas: 448

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aquisições de Dezembro

  Em Dezembro permiti-me um desvio à contenção orçamental do momento. Afinal de contas, era Natal! No Freeport, comprei pela exorbitante quantia de 5€ cada os quatro livros que de seguida se enumeram: Cavalos Roubados de Per Peterson; O Cavalo a Tinta-da-China de Baptista-Bastos; Planisfério Pessoal de Gonçalo Cadilhe, e História do Cerco de Lisboa de José Saramago. Comprei-os na semana que mediou entre o Natal  e o Ano Novo. Havia muitos outros títulos interessantes a preços em conta. Que me recorde: O Jogo do Anjo e A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon a 10€ cada; O Homem Duplicado de José Saramago a 5€; diversos títulos de António Lobo Antunes (edições ne varietur) a 8€ a peça; O Fantasma de Hitler de Norman Mailer por 8€, entre outros. Quem passar por Alcochete e quiser aliviar um pouco a carteira, é dar uma espreitadela.

  Mesmo com os amigos e entes queridos a reduzirem nas prendas de Natal (exemplo seguido pela malta cá de casa), ainda apanhei dois livros: Caderneta de Cromos de Nuno Markl, e o Sonho do Celta de Mario Vargas Llosa.

  Para encerramento das hostilidades e condigna celebração do final de 2010, satisfiz dois dos maiores desejos da lista de compras futuras. O Desertor de Daniel Silva, e a Literatura Nazi nas Américas de Roberto Bolãno, já repousam orgulhosamente na minha estante.







quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Leituras do ano que passou

  Durante 2010 não houve lugar a listas de leituras ou compras. Não saberia recitar de memória a maior parte dos livros que li no ano passado, e acerca de muitos ficaria na dúvida se os li nesse ou outro ano. Mas algumas leituras marcaram os doze meses anteriores pelos mais diferentes motivos: 

  Somos o Esquecimento que Seremos e Não Matem a Cotovia, por conseguirem captar em palavras algo de nobre do ser humano. E por o fazerem com genuinidade, sem recorrerem a exageros narrativos ou descritivos. Fortemente baseados nas experiências pessoais dos próprios autores, ambos nos conduzem pela importância do amor entre um pai e os seus filhos; e de como quando este é um bom homem, se torna a medida pela qual os seus sucessores se avaliarão. Mostra-nos igualmente que tentar fazer o que achamos certo nem sempre conduz a um final feliz; e porque ainda assim muitos acreditam valer a pena viver segundo esses princípios.  

  Shantaram, uma obra auto-biográfica romanciada, porque a vida de Gregory David Roberts é um daqueles casos em que a realidade supera a ficção. Maioritariamente passado na Índia, existe de tudo um pouco nesta odisseia: violência, miséria, crime, amor, obsessão, e algumas personagens memoráveis. Roberts guia-nos através do submundo de Bombaim ao longo de 900 páginas, e apesar da sua extensão, é com tristeza que chegamos à última página. O adágio "toda a gente tem um livro dentro de si" surgiu devido a casos assim.
  D. Amélia pela surpresa que constitui para mim. Lido por recomendação, confesso que contrariei os meus preconceitos (uns fundados, outros nem por isso) acerca de alguns autores portugueses, nomeadamente no que ao registo de romances históricos se refere. Instigado pelo alarido acerca do regicídio, proporcionou-me uma perspectiva interessante sobre o período final da monarquia em Portugal. Não uma perspectiva imparcial, ou o mais completa possível. Mas antes humana, que tenta recriar os estados de alma de uma das suas principais intervenientes.

  Uma conspiração de estúpidos fez-me ir às lágrimas de tanto rir. Não imaginava ao ler as primeiras páginas, embora cómicas, que pelo final do livro teria mergulhado num mundo em que a idiotice é o valor dominante e surge instituída de uma simetria que pauta a existência do mesmo. O epicentro, e simultaneamente expoente máximo deste, é Ignatius Reilly, uma das personagens mais geniais que conheci. Sem ser imbecil no sentido mais clássico do termo, funciona numa frequência que é diferente do resto da humanidade, e lhe confere a capacidade de conduzir quem o rodeia à insanidade. O prazer da leitura foi tanto maior, porque já conheci o meu Ignatius (embora na versão feminina), e sei agora que estas pessoas, embora raras, existem mesmo fora da ficção. E sim, mesmo quando têm um excelente coração, possuem o condão de nos levar à loucura.

  Compreende-se porque é que As Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado por tantos uma das maiores obras primas da literatura brasileira e da ficção escrita em português. Não vou mencionar a história que conta porque não é o que mais importa. O que importa é que Machado de Assis tem um tal dom para a escrita, que se tivesse escrito sobre o acto de cortar as unhas, muitos teriam lido essa prosa com gosto (o próprio incluído).

  Por último, Contos Completos I de John Cheever que me encheu as medidas. Não é raro perdurar após a leitura de contos a sensação de lamento por as ideias que abordam não terem sido mais desenvolvidas. John Cheever consegue a quase perfeição entre o tamanho do conto e o que precisava ser dito. Consegue captar o espírito de uma época da América, através do mosaico que este conjunto de contos (todos no mesmo registo) nos apresenta. Perdura o travo de que a caneta do autor foi pousada nem uma palavra a mais ou a menos antes.

  A memória privilegia as leituras mais recentes, pelo que muito provavelmente outras obras igualmente marcantes ficaram esquecidas. Mas pouco importa em que ano um bom livro tenha sido lido. Importa que tenha sido lido.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma excelente prenda de Natal para amantes de livros

  O livro da semana da Editorial Presença é o Pack Guerra e Paz, em que os quatro livros ficam a cerca de 40€. Se conjugada com a campanha Este Natal é por nossa conta, ainda pode dar direito a 20€ em conta cliente para gastar em 2011.

  Tendo como pano de fundo um cenário de guerra, com a invasão da Rússia por parte das tropas Napoleónicas, esta novela épica apoia-se em episódios ficcionais e históricos sobre aquele país, num momento de profunda convulsão, e surge como uma reflexão sobre a vida humana e a sua frágil existência. Nesta obra grandiosa, as personagens amam, odeiam e lutam, mas acima de tudo anseiam por encontrar o sentido da vida. Tal como elas, também Tolstói se confrontou inúmeras vezes com a sua própria condição enquanto ser humano, refugiando-se a dado momento numa fé e religiosidade profundamente vincadas. Tolstói deixou-nos um valiosíssimo legado literário e o seu nome perfila ao lado de outros grandes vultos como Shakespeare ou Homero.
A presente obra foi traduzida directamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra que, pela excepcional qualidade do seu trabalho, venceram o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A compra (única) do mês


  The editor-in-chief of The Washington Post recounts his life and career in journalism, from his early friendship with Senator John F. Kennedy to his famous role in the Watergate investigation.

  Usado, em bom estado, foi a primeira compra que fiz pelo Play.com (3,14€ e com portes grátis). Vale a pena dar uma vista de olhos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Somos o Esquecimento que Seremos - Hector Abad Faciolince


  Somos o Esquecimento que Seremos é uma revisitação da relação de Hector Abad Faciolince com o seu pai. Únicos homens numa casa de mulheres, Hector Abad Gomez e o filho cedo estabeleceram uma ligação próxima. Um médico que dedicou a quase totalidade da sua vida a tentar transformar o seu país num lugar melhor (acabando por pagar com a própria vida essa escolha), Abad foi a figura de referência no crescimento do filho. Apologista de que o amor deve ser a base de toda a educação (postura encarada como permissiva na altura), é-nos descrito como essa convicção moldou a personalidade do autor. A sua postura cívica desde cedo lhe valeu o rótulo de indesejável em vários sectores, numa Colômbia que começava a resvalar para uma situação de conflito e violência constantes. 

  Parte carta de amor aquele que foi o seu ídolo de toda a vida; parte testemunho do trabalho deste em prol dos direitos humanos, este livro demorou vinte anos a ser escrito. Foi esse o tempo que o autor precisou para colocar em palavras todo um tumulto de emoções e recordações, tanto as ternas como as amargas, em palavras. Sem cair num tom melodramático que queria a todo o custo evitar, a sua escrita é desarmante de tão simples. Transmite a nobreza de carácter do seu pai, sem no entanto esconder o excessivo lirismo de que frequentemente padecia. Partilha connosco as perdas que moldaram a sua família, deixando dolorosamente presente como algumas feridas nunca sararam, nada mais restando senão aprender a viver com a dor infligida. Na fase final do livro, de cariz mais factual, é assustadora a percepção que adquirimos de quão pouco podia valer a vida na Colômbia, sendo o assassinato dos que se opunham às forças governamentais natural e metódico. Mesmo sabendo o que lhes estava reservado, muitos houve que continuaram a lutar pelo acreditavam ser correcto. Abad Faciolince Abad, ainda que a achando para além de si, admira e consagra por escrito essa coragem.

  Caracterizado na sua sinopse como "um livro de grande coragem", esta qualificação não podia ser mais adequada para uma obra que expõe tanto do seu autor, e o obriga a lidar com os seus fantasmas pessoais. Escrito pelas regras de um romance, este título que deve o seu nome a um verso de Borges, foi recentemente reeditado pela Quetzal.

Classificação: 9/10

Título: Somos o Esquecimento que Seremos
Autor: Hector Abad Faciolince
Tradução: Margarida Amado Acosta
Editor: Quetzal
Páginas: 336

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Capas que ficam na retina (3)

Colleen McCullough x2

  Colleen McCullough regressa ao mercado editorial português em dose dupla. A Independência de uma mulher, um spin-off de Orgulho e Preconceito, foi editado pela Bertrand em Outubro. E agora, é o detective Carmine Delmonico quem regressa pela mão da Difel (habitual editora da obra da autora em Portugal), em O Dia de Todos os Pecados, sequela de Um Passo à Frente.




"A Independência de uma Mulher"
Edição: 2010
Páginas: 384
Editor: Bertrand Editora
"Toda a gente conhece a história de Elizabeth Bennet, que se casou com Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito. Mas o que aconteceu a Mary, a sua irmã?
Todas as irmãs de Mary conquistaram o seu destino: Jane tem um casamento feliz e uma grande família; Lizzie e Mr. Darcy ganharam uma extraordinária reputação social; Lydia conquistou uma reputação bem diferente; e Kitty é requisitada pelos salões mais luxuosos de Londres. Mary, por outro lado, é uma mulher transformada, agora independente de obrigações familiares. Decide escrever um livro onde põe a nu os males do seu país e o drama dos pobres. Mas as suas viagens de pesquisa irão colocar em risco a sua própria vida - e acabarão por lançá-la nos braços do homem que a inspirou.
Da brilhante escritora Colleen McCullough, autora de
Pássaros Feridos, um livro de aventuras e romance, em que uma mulher forte e independente deixa a sua marca no mundo."



  "O Dia de Todos os Pecados"
Edição: 2010
Páginas: 400
Editor: Difel
 "O ano é o de 1967. A Guerra Fria avança, imparável, e o mundo encontra-se à beira do holocausto nuclear. Num bonito dia de Primavera, na cidadezinha de Holloman, Connecticut, onde fica a Universidade Chubb e a Cornucopia, gigante dos armamentos, o chefe dos detectives, capitão Carmine Delmonico, tem preocupações mais urgentes do que arranjar um nome para o seu filho recém-nascido: deram-se doze homicídios num só dia e Delmonico é arrastado para uma sinistra teia de segredos e mentiras.
Com o apoio dos detectives sargentos Abe Goldberg e Corey Marshall e da meticulosa Delia Carstairs, o novo membro da equipa, Delmonico envolve-se no que parece ser um mistério insolúvel. Os homicídios são todos diferentes e não parecem ter qualquer relação entre si. Estarão na presença de um ou de muitos assassinos? E como se doze homicídios não chegassem, Carmine não tarda a ver-se a braços com o misterioso Ulisses, um espião que entrega aos russos os segredos das armas da Cornucopia. Os homicídios e a espionagem são casos diferentes ou estão ligados?
Quando Ted Kelly, agente especial do FBI, se junta à investigação, parece que o que está em jogo é muito mais do que alguém imaginara e que o homicídio é apenas uma peça do quebra-cabeças de crimes que provocou o pânico em Holloman. Enquanto a sobrecarregada polícia enfrenta as politiquices próprias de uma cidade pequena, a rivalidade académica e a avidez empresarial, o número de mortes aumenta e Carmine e a sua equipa descobrem que as respostas não são o que parecem... Mas alguma vez o serão?
Mais uma vez demonstrando que é mestre em
suspense, a autora de best-sellers Colleen McCullough regressa com uma empolgante sequela de Um Passo À Frente." 

Negócios de ocasião - Winston Churchill


  Para quem tiver interesse na vida de Winston Churchill ao ponto de ler 726 páginas, é aproveitar a promoção de 40% desconto na FNAC online até dia 25 (24,80€ ao invés de 41,34€):

  Foi um dos mais admirados homens políticos do século XX. Mas não era um político de convergências, era antes um radical. Controverso e sem papas na língua, suscitava tanto a admiração como o ódio. Os de esquerda criticavam-lhe a sua tomada de posição contra a revolução soviética, ou a oposição à independência da Índia, enquanto os de direita criticavam o seu antinazismo desde a primeira hora, ou, mais tarde, o apoio a Estaline e a Tito. Mas o seu papel na segunda Grande Guerra foi fundamental, como afirmou De Gaulle: "Winston Churchill impôs-se do princípio ao fim do drama, como o grande campeão de um grande empreendimento e o grande artista de uma grande História." Mas o seu papel político doméstico também foi fundamental. O seu nome está associado a grandes reformas: Serviço Nacional de Saúde, seguros de desemprego, reforma das prisões, pensão para viúvas e órfãos, participação dos empregados nos lucros das empresas, etc. Martin Gilbert, autor desta biografia (a mais aclamada de Churchill), define-o, por isso, assim: "Um verdadeiro crente na necessidade de o Estado tomar parte activa, tanto por meio da legislação como financeiramente, na garantia de padrões mínimos de vida, trabalho e bem estar social para todos os cidadãos." 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os livros que não ando a comprar

  Para quem gosta tanto de falar dos livros que compra, dou por mim a falar nos que não comprei. Registei durante o mês de Outubro melhoras notáveis na minha condição de comprador inveterado (em grande parte uma escolha estimulada pelas medidas de contenção que o momento aconselha, mas reclamo de qualquer forma a minha parte do mérito). E quando não se está inebriado pelos novos meninos dos nossos olhos, partimos à redescoberta da nossa biblioteca residente. Qual formiga a preparar-se para o Inverno, fomos acumulando livros e mais livros, como quem salva os últimos representantes de uma espécie em vias de extinção. Por entre os bons negócios que não se podiam perder; a prenda que alguém que nos conhece bem nos deu; e os livros que nos convencemos que haveríamos de querer ler na esperança de ser uma obra-prima, acabamos por encontrar a próxima leitura perfeita. Para quem já tiver acumulado umas boas centenas ou milhares de livros, é certo que uma boa parte dos mesmos estará por ler. É então como mergulhar, em simultâneo, na nossa própria biblioteca, livraria e alfarrabista. O nosso bem mais precioso.

  Como me portei bem, acabei por me oferecer um pequeno mimo: "Manhattan Transfer" de John dos Passos (Presença). Mas com 40% desconto e portes grátis, quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

domingo, 14 de novembro de 2010

Maravilhas do casamento...

"É mesmo o teu gato...até ressona."

Citações favoritas de Oscar Wilde


"Always forgive your enemies; nothing annoys them so much."

"One should always play fairly when one has the winning cards."

"I can resist anything but temptation."
"Experience is the name everyone gives to their mistakes."
"A little sincerity is a dangerous thing, and a great deal of it is absolutely fatal."

Para quem tiver curiosidade em conhecer mais citações do autor, é só seguir o link.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde


  Dorian Gray é um jovem de feições extremamente belas, em quem o pintor Basil Hallward encontra a inspiração para realizar a sua melhor obra. Mais do que inspiração, Basil encontra em Dorian um objecto de verdadeiro fascínio. Mas apesar da devoção que lhe é dedicada por Basil, até conhecer o amigo deste, Lord Henry Bottom, Dorian não tem noção da real extensão do seu encanto. Os comentários acintosos de Lord Henry, para além de o despertarem para a sua perfeição física, plantam em si a semente de que na vida nada mais importa do que a beleza e o prazer. O típico dandy, Lord Henry é um cínico, apreciador dos prazeres mundanos e apologista apenas dos valores que sirvam os seus interesses. Teme o enfado acima de tudo, e Dorian Gray, enquanto cobaia psicológica para os seus jogos, providencia precisamente a diversão adequada a evitar essa maleita.

  Quanto mais reflecte sobre a sua beleza, mais Dorian mergulha num caminho de narcisismo. Com a sua beleza, aliada à sua condição privilegiada na sociedade, nada está fora do seu alcance. E quando numa resposta inexplicável a um seu desabafo do desejo de permanecer jovem para sempre, se apercebe que a obra-prima de Basil, um retrato que pintou de si, começa a envelhecer em seu lugar, vislumbra um leque de novas possibilidades. Não haverão rugas de preocupação, tristeza, ou os simples sinais do envelhecimento. Mais do que isso, o quadro parece ter-se tornado um espelho da sua própria alma. As consequências das escolhas que efectuar reflectir-se-ão neste, e não em si. Perante a escolha de o utilizar como uma forma de vigiar a integridade da sua alma, ou um instrumento que possibilite uma absoluta impunidade, opta por esta última. Guiado pelo pecado da vaidade, dedica-se a explorar exaustivamente todas as possibilidades que a vida oferece, embarcando num conjunto de comportamentos sórdidos. Mas nem por isso se torna completamente indiferente à opinião social, pelo que o procura fazer de forma discreta. Esses comportamentos, que resultam numa influência corruptora para quem o rodeia,  nunca nos são completamente descritos, mas sobretudo sugestionados. Com a reincidência, começam a surgir boatos sobre o seu estilo de vida, e de como vendeu a sua alma ao diabo a troco da eterna juventude.
  Oscar Wilde não nos apresenta o percurso da personagem como algo de inevitável. Existe uma escolha (parte consciente, parte inconsciente), do destino a dar à sua vida. Se por um lado as perspectivas do mundo de Lord Henry são um verdadeiro canto da sereia, a Basil (que acalenta sentimentos por Dorian que vão além da amizade), crente numa beleza interior de Dorian tão grande como a exterior, cabe o papel de sua consciência. Quando a estória encontra o seu desfecho (que não desilude), descobrimos finalmente se o destino reservado ao protagonista será trágico, redentor, ou simplesmente a impunidade. O final comporta uma moral, mas que irá variar de leitor para leitor, consoante o tipo de pessoa que seja. Era esta a convicção do próprio autor.

  Irlandês de nascimento, Oscar Wilde (1854-1900) viveu em plena era vitoriana e destacou-se no panorama cultural londrino sobretudo pela sua obra como dramaturgo e poeta. Para além da sua obra, seria recordado pela sua homossexualidade, exposta publicamente num processo que conduziu ao seu encarceramento, e que em muito contribuiu para a sua prematura morte. Integrante do movimento estético a determinado ponto, faz em O Retrato de Dorian Gray (o único romance que escreveu), um tratado sobre a importância da aparência na sociedade, e no confronto entre estética e ética qual deve ser preponderante. Foi na época alvo de crítica em razão de alguns dos comportamentos que a história incluía, considerados debochados. A sua escrita é muito visual (provavelmente devido à sua formação teatral), e toma grande atenção à descrição dos pormenores, sobretudo das coisas belas. A espaços, pode ser algo desmotivador, como quando enumera os diferentes interesses que o seu protagonista vai tendo (ourivesaria, roupa, entre outros). Trata-se de uma leitura agradável, que ainda hoje estimula a reflexão, mas que inevitavelmente perde uma significativa parte do seu impacto em razão de um background cultural e social  que é hoje completamente diferente.

Classificação: 7,5/10 - Consegue explorar a interrogação se a beleza é uma benção ou uma maldição, sem deixar de criar uma obra de ficção envolvente.

"Não existe livro moral ou amoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo."
                                            Oscar Wilde 

Título: O Retrato de Dorian Gray
Original: The Picture of  Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Tradução: Maria de Lourdes Sousa Ruivo
Biblioteca Visão, 2000
Páginas: 256

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Capas que ficam na retina (2) - O serial-killer invisual


  Divertidíssimo romance policial, que segue as aventuras e desventuras do primeiro serial-killer invisual da história. Gabriel Saviela é cego e passou toda a sua vida a ser humilhado pela mãe, que decide assassinar dando os restos mortais desta a comer ao seu cão - depois matou o periquito. Isso constituirá o início de uma série de mortes atrozes e aventuras rocambolescas… 

O Capitão das Sardinhas de Manuel Manzano - Ulisseia 2010

Gosto do pormenor de ser o periquito a segunda vítima...

Os livros que andam connosco

  
   "Os livros que nos interessam mesmo, que não somos capazes de deixar no quarto ou na sala - ou mesmo em casa - são aqueles que transportamos connosco para toda a parte.
  Ao contrário dos livros de cabeceira e dos livros que espalhamos por aí, o livro andarilho tende a ser só um. É o livro dilecto do momento, aquele de que não nos conseguimos separar. Nos inquéritos de jornal, em vez dos livros de cabeceira, é essa a pergunta que se deveria fazer: qual é o livro que agora anda consigo?"

Miguel Esteves Cardoso, Ainda Ontem - Público, Domingo 7 Novembro 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Debaixo d'olho Outubro (4) - Criticado por muitos, comprado por mais ainda


  Conotado por diversas vezes com as cenas de sexo mais ridículas da literatura portuguesa actual, e alvo do desdém abertamente assumido de grande parte da crítica, a verdade é que o homem lá vai escrevendo e vendendo livros com fartura. Ainda não li nenhum livro de José Rodrigues dos Santos, sendo que A Filha do Capitão se encontra em lista de espera. Mas esta crítica de Eduardo Pitta ao seu mais recente romance, Anjo Branco, aguçou-me a curiosidade.

  Para a posteridade, o autor já deixou uma frase (Codex 632) que não está ao alcance de qualquer um:

  “Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.”

Nível de interesse: Muito Elevado