quarta-feira, 24 de março de 2010

O encerramento da Os Meus Livros

   A revista Os Meus Livros (doravante OML) de Março será a última. Já muito boa gente expressou a sua opinião sobre este destino (aqui, aqui, aqui e aqui). Como é habitual com os recentemente falecidos, a maioria das pessoas apenas tem palavras amáveis acerca do mesmo. Confesso que não é o meu caso. Quase todas as reacções ao seu encerramento referem como é triste o desaparecimento de uma publicação exclusivamente dedicada a livros num país que praticamente não as tem. Mas poucos falam dos méritos e deméritos da mesma. Não me basta que uma publicação seja sobre um assunto que me interessa. Importa a qualidade com que o aborda.

   Comecei a ler a revista com alguma regularidade numa altura em que a anterior encarnação da LER ainda existia. Entre as duas, preferia claramente a OML. Mas desde então notei um progressivo decréscimo na sua qualidade, e simplesmente deixei de achar que valesse a pena comprá-la. As críticas a livros tornaram-se cada vez mais genéricas e as apresentações de novos lançamentos muitas vezes pouco ou nada acrescentavam às lombadas e capas dos livros. Os temas seleccionados para desenvolvimento, nem sempre se revestiam de interesse (pese a subjectividade) ou eram explorados da forma mais conveniente. Até este último número, foram sempre as entrevistas que me mereceram a maior atenção.

   O outro aspecto que destacaria dos textos que li, são os elogios ao seu director cessante, João Morales.  Acredito que fizessse muito com os parcos recursos que aparentemente tinha. Também acredito que um aumento dos mesmos se reflectisse na qualidade da publicação. Mas não querendo parecer insensível, isso pouco interesse tem. O importante para o consumidor final é que o interesse que a revista lhe suscita justifique comprá-la. E infelizmente, isso já não acontecia no meu caso. Só podemos sentir a falta de algo por que genuinamente ansiamos.

Para completar, apenas algumas notas soltas:

1. O ressurgimento da LER, por si só, já era suficiente para aumentar a concorrência sobre a OML. A forma como a LER foi praticamente incensada por muitos, em muito contribuiu para relegar a OML à obscuridade.

2. A OML tinha graves problemas de distribuição. Não era uma revista fácil de encontrar, sobretudo fora de Lisboa. Se deixou de ser colocada nas bancas porque não vendia, ou não vendia porque não era colocada nas bancas, não sei. Mas por mais de uma vez a quis comprar e não a encontrei.

3. Encerrar uma revista é uma opção do grupo económico que a detém, e concorde-se ou não, é legítima. Afinal de contas trata-se de um negócio, e é sempre mais fácil opinar sobre como gastar o dinheiro alheio. Mas isso não invalida que se possa, e deva, demonstrar respeito pelos seus responsáveis e leitores, permitindo-lhe ao menos uma despedida condigna.

4. É verdade que com a Internet, e sobretudo o advento dos blogs, a informação disponível aumentou substancialmente. Para sobreviver, a revista tem claramente de oferecer conteúdos distintos e mais aprofundados dos disponíveis em espaços de cariz predominantemente amador, sob pena de se esgotar a sua razão de ser. Mas a par dessa concorrência, existe também a possibilidade de descobrir pessoas que possam trazer contributos inovadores para esses projectos.

5. Quis o destino que o último número da OML oferecesse um livro da Ambar na sua compra. Ambar, que parece ter abandonado a sua vertente editorial, começando a ser difícil encontrar os seus livros. Acabei por comprar um livro de António Manuel Venda que me interessava ("O Que Entra Nos Livros"). Ironicamente, não consigo imaginar melhor despedida.

Cantinho kitsch da música portuguesa #3

   Porque a reinserção social dos cidadãos que prestaram contas à justiça é uma causa que merece a atenção de todos, aqui fica a contribuição do Alexandria para a mesma. Se tocar um coração que seja, já valeu a pena.

Ser Benfiquista

   Ainda que tarde e a más horas, quero aproveitar para deixar aqui algumas breves notas que me ocorreram após a vitória do Benfica no passado Domingo:

1. Obrigado Jesus por colocares o Benfica a jogar futebol. Estava farto de me deixar dormir antes do intervalo, ou pior, praguejar até me doer a garganta;

2. O Quique Flores não percebe ponta de corno de bola. Com que então está desconfiado que não utilizou o Cardozo da melhor forma? Marcar golos do banco realmente é complicado. Mas o Aimar, Di Maria e David Luiz também não foram exactamente optimizados;

3. Os jogadores do Porto podiam ser um slogan ao mau perder. Não gostar de perder é uma coisa, aqueles comportamentos são algo completamente diferente. Verdade seja dita, limitaram-se a seguir o exemplo do seu capitão. E ainda não foi desta que descobri o que o Bruno Alves precisa fazer para ser expulso;

4. As claques, sejam elas quais forem, neste momento fazem tanta falta ao futebol como a fome a um etíope;

5. Para o Jesualdo Ferreira ainda está para ser formada a equipa que seja superior em campo ao Porto em determinada ocasião. O adversário nunca foi melhor; o Porto é que esteve em dia não. Vou sentir falta destas teorias nas conferências de imprensa do ano que vem.

E no fim-de-semana há jogo com o Braga.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cem anos de Kurosawa

  
   Se Akira Kurosawa fosse vivo, celebraria hoje 100 anos. O realizador japonês é ainda hoje um dos ícones do cinema mundial, e a sua obra continua a reflectir-se em muito do que se filma. Não apenas na abordagem de temas como a honra e a culpa, mas também nos conceitos visuais que introduziu, nomeadamente a forma como utilizava a cor nas suas películas. Muitos dos seus filmes foram posteriormente alvo de adaptações, umas mais autorizadas que outras. As mais famosas são provavelmente The Magnificent Seven, remake americano de Seven Samurais (Shichinin no Samurai), e os western spaghetti celebrizados por Sergio Leone, o qual encontrou grande parte da sua inspiração no cineasta nipónico.

   Como é costume nestas efemérides, são muitos os que falam como detendo um profundo conhecimento do autor. Não é o meu caso. Conheço pouco, muito pouco. Apenas o suficiente para ter consciência do que estou a perder quando permito que os seus filmes continuem na categoria de "por ver", em detrimento de muita coisa que acaba por ter prioridade apenas por ser mais recente. A pequena resolução pessoal de Março, na área do lazer, será ver um filme de Kurosawa por mês. Se o continuasse a adiar, o mais provável seria acabar por não o fazer.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Unidos nunca mais serão vencidos

   Concretizou-se finalmente o anúncio oficial de uma das primeiras grandes alterações de 2010 no mercado editorial português: a editora Sextante passa a integrar o Grupo Porto Editora. João Rodrigues (Sextante) e Manuel Alberto Valente (Porto Editora), tidos como dois dos mais conceituados editores nacionais, vão passar a trabalhar juntos. Manuel Alberto Valente chegou à Porto Editora algum tempo após abandonar a ASA, de onde saiu de forma algo conturbada após a aquisiçao desta pela Leya. Desde então, em conjunto com Cláudia Gomes, não tem parado de angariar obras e autores (alguns dos quais o acompanharam da ASA), que possibilitem o crecimento agressivo que o Grupo Porto Editora pretende para os segmentos de mercado externos ao livro escolar. Com esta aquisição, obtém acesso a um catálogo criticamente aclamado, mas apelativo a um segmento de mercado mais reduzido. A Sextante, em razão dos problemas financeiros que afectaram a distribuidora com que trabalhava, precisava ela própria de encontrar um novo fôlego. Terá assim acesso a uma estrutura alicerçada em recursos financeiros e logísticos significativamente superiores aos que estava habituada.

   As movimentações que envolvem a Porto Editora podem não ficar por aqui, uma vez que continuam a ser veiculadas notícias que a dão como concorrente da Leya na eventual aquisição da rede de livrarias Bertrand. O anúncio do grupo alemão Bertelsmann, em como pretende vender os seus investimentos em Portugal (Editoras Bertrand, Temas e Debates, e a renascida Quetzal; Círculo de Leitores; Rede de livrarias Bertrand), obriga os principais intervenientes no mercado livreiro a avaliar os custos e benefícios de avançar para estas aquisições, bem como das consequências possíveis de ser um dos seus concorrentes a fazê-lo.

Escolha o seu veneno

   Janeiro é mês de saldos, tradição que entretanto também chegou aos livros. Não se vá dar o caso de terem sobrado alguns cobres do Natal, aparecem nesta altura algumas oportunidades adequadas para os gastar.

   Se os fundos forem escassos, começa amanhã uma nova colecção da revista Sábado, em que cada livro pode ser adquirido por 1€ adicional (embora em muitos lugares seja possível comprar apenas o livro). Foi no blog Estante dos Livros, que tive conhecimento de mais esta iniciativa, incluindo os títulos que a integram e respectiva data de lançamento. Causa-me alguma estranheza que a divulgação destas colecções raramente tenha o apoio dos blogues literários de profissionais da área. É verdade que as mesmas já não são novidade, e apresentam algumas limitações. Mas quando ouvimos constantemente zurzir que os portugueses não lêem nem compram livros, é algo contraditório que quando obras de autores como Arundhati Roy, Kingsley Amis ou Richard Yates ("Revolutionary Road" foi um dos grandes destaques de 2009), são disponibilizadas a preços simbólicos (não faço ideia de como conseguem comercialiar estes livros a um preço tão reduzido), a ocasião não seja aproveitada para recuperar críticas antigas sobre os mesmos, e para (re)apresentar estes escritores. Cada um escreve no seu blog sobre o que bem entende, mas numa altura em que se promove, do melhor ao pior, praticamente tudo, parece um desperdício. É claro que a divulgação cultural, embora se tente muitas vezes passar uma imagem de desinteressado altruísmo, é sempre mais apetecível quando acarreta a respectiva compensação económica. Talvez passe por aí parte da explicação.

   O suplemento Ípsilon, do Público, lançou uma nova colecção de DVD's a um preço de 1,95€ cada. Embora tenha um preço simpático, já não se trata de uma raridade nos dias que correm. O que a distingue, são os filmes seleccionados, maioritariamente cinema independente. Muitos são difíceis de encontrar legendados em português, mesmo para os adeptos de uma estratégia aquisitiva mais criativa que explore todos os recursos que a internet oferece.

   Na FNAC, já é habitual Janeiro ser mês de outlet (até 27 de Janeiro). São muitos os livros em destaque, embora nem todos sejam contemplados por um desconto tão significativo quanto isso. Destacam-se alguns títulos da regressada Cavalo de Ferro, com descontos que vão até aos 50% ("Os Crimes do Acordeão" e "The Shipping News" de E. Annie Proulx; "Os Milagres do Anticristo" de Selma Lagerlöf; ou "As Aventuras de Pinóquio" de Carlo Collodi, com ilustrações de Paula Rego).

   Também a Bertrand, com a sua campanha "Mega Livros, mini preços", disponibiliza diversas opções com preços entre os 5 e os 10€, algumas das quais constituem uma excelente oportunidade tendo em conta o binómio qualidade/preço: "Dádiva Divina" de Rui Zink (5€); "Quinhentos Escudos Falsos" de Thomas Gifford (5€); "A Torre do Desassossego" de Lawrence Wright (7€); "A Neblina do Passado" de Leonardo Padura (7,5€), entre outros. No mesmo grupo editorial, quem se tornar agora assinante da revista LER, beneficiará da oferta do livro "a Bíblia para todos", com um p.v.p. de 34,90€. Como um ano de assinatura fica a 40€ para leitores Bertrand (a adesão não tem custos), quem tiver interesse em ambas, é de aproveitar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Felicidades aos noivos!

O que é que a performer Dita von Teese e a actriz Rachel Evan Wood têm em comum?



O mesmo gosto em homens



Quando von Teese era Mrs. Marilyn Manson



A próxima geração



Gostos não se discutem. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Rói-te de inveja Zézé Camarinha

Warren Beatty dormiu com 12.775 mulheres.

Nem sempre nos lembramos dos nossos maiores avanços civilizacionais

"Não sabemos se Jorge Luis Borges escreveria de maneira diferente caso não tivesse cegado. O que ele teria lido. Como ele teria amado Buenos Aires, onde nasceu e viveu. Como ele teria amado Genebra, onde morreu. A cegueira, que é um dos nossos grandes pavores, foi total em Borges aos cinquenta anos. Em Louis Braille, cujo centenário se assinalou ontem, foi aos três anos – a criação de um alfabeto ou código para cegos constituiu uma das grande aventuras da humanidade e merece ser relembrado como um avanço indiscutível na nossa sensibilidade ao sofrimento dos outros. Braille imaginou o seu código associando-o à linguagem musical, o que já diz muito da beleza desconhecida que ele transporta. Com a obra de Braille ficámos, todos, mais humanos. Mais sensíveis. Visíveis."

Excerto da Crónica de Francisco José Viegas no Correio da Manhã a 05/01/2010. Retirada daqui.

Os piores livros lidos em 2009

1. "Bala Santa" - Luís Miguel Rocha - 1/10

    Um desastre completo. Como tinha lido o "Último Papa" e dentro do género o achei razoável, arrisquei ler a continuação, embora já desconfiado de que a estória não tinha por onde continuar. O livro é uma amálgama de lugares comuns narrativamente mutilados. A estória desenrola-se em demasiadas frentes, que demoram um tempo interminável a encontrar-se. Quando isso finalmente acontece, a recompensa não está minimamente à altura da agonia tolerada. As personagens do primeiro livro (principal foco de interesse para ler este), são relegados para segundo plano até uma fase avançada da narrativa. Trata-se de uma cópia de má qualidade do seu antecessor, em que basicamente basta substituir o nome do conspirador. Respeito o trabalho de quem escreve mesmo quando não gosto do resultado final, mas tenho de confessar que ter dispendido pasta de papel nesta obra constitui um atentado ambiental, e foram provavelmente os 10€ mais mal gastos em livros da minha vida. Só o hábito (que hoje em dia considero demasiado arreigado), de não deixar livros a meio, me fez voltar a pegar-lhe. "Bala Santa" termina com a frase: "Isto ainda não acabou." Para mim acabou de certeza.

2. "Fortaleza Digital" - Dan Brown - 2/10

    Primeiro livro de Dan Brown, apresenta todos os defeitos dos subsequentes, e nenhuma das suas qualidades. Nota-se ser uma primeira obra, em que Brown ainda está a desenvolver o seu domínio narrativo, aqui algo rombo. O livro não apresenta a fluídez que normalmente permite uma leitura contagiante dos seus thrillers, e que permite minimizar os efeitos das suas limitações. Um bom exemplo é como um dos heróis do livro não é apenas improvável, mas completamente inverosímel. Perfeitamente dispensável a menos que se seja um incondicional do autor. E mesmo aí...

3. "A Epopeia de Mr. Skullion" - Tom Sharpe - 3/10

    Uma das descobertas de 2009 foi Tom Sharpe. Depois de ler a tetralogia Wilt e o "Triunfo do Bastardo", tinha grandes expectativas para este livro, uma sátira ao meio académico britânico. Em abono da verdade, parece-me que o principal motivo para não ter apreciado o livro, foi precisamente a falta de conhecimento e identificação com as nuances desse meio. Ainda assim, gostei dos delírios amorosos do investigador Zipser com uma empregada de limpeza tida como o trambolho residente e o desfecho dado para o College e o seu ancestral guardião, Mr. Skullion.

4. "O Fado da Sombra" - Filipe Faria - 3,5/10

    É certo que se trata de um género (Fantasia, segmento youg adult) que não faz parte das minhas preferências. Mas tendo começado a ler as Crónicas de Allarya por me terem oferecido o primeiro livro, até gostei dos primeiros três volumes. As influências de outras obras tidas como referência no género são notórias, e embora a escrita fosse algo infantil (até derivado da jovem idade do autor), parecia um trabalho promissor, para mais numa área em que tanta gente se queixa de haver poucos escritores em Portugal. O problema é que não só Filipe Faria não evoluiu na sua escrita, como até regrediu. Nos dois volumes anteriores já a estória  havia estagnado, ao mesmo tempo que tentava elevar a intriga a uma qualquer dimensão etérea que não se compreende de todo. A segunda metade de "O Fado da Sombra" interrompe esse ciclo, mas acaba por cair no extremo oposto, encaixando demasiados acontecimentos significativos num diminuto número de páginas. Salvam-se as descrições das lutas, ainda que por vezes demasiado longas, que para serem eficazes têm de galvanizar o leitor. Numa literatura sem grande tradição das mesmas, o autor não se sai mal.

5. "Como tornar o Benfica Campeão" - José Veiga - 5/10

    Aficcionado de futebol e do Benfica, tinha curiosidade moderada acerca deste livro. O suficiente para o comprar quando o vi em promoção. É, em grande medida, uma defesa pública do trabalho que José Veiga realizou enquanto director desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Começando por descrever a sua ascensão enquanto empresário de jogadores, debruça-se em maior pormenor sobre os pormenores da sua estadia no Benfica, que acabou por abandonar de forma conturbada. Como zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades, algumas das revelações que faz parecem credíveis. Temos a consciência de estar a ouvir apenas um lado da história, mas outra coisa não seria de esperar neste caso. É também a oportunidade para ouvir algumas histórias de balneário do último campeonato conquistado pelo Benfica.

6. "A Liga dos Homens Assustados" - Rex Stout - 5/10

    Gosto de ler policiais. E "A Liga dos Homens Assustados", não sendo um mau exemplo do género, não me prendeu a atenção. Sobretudo, não me senti cativado pelo carisma do protagonista, Nero Wolfe. Uma figura gargantuesca, como em determinada altura se refere a si próprio, que abomina movimentar-se fora do conforto do seu lar mais do que o estritamente necessário. Recorre ao seu associado para reúnir os elementos a partir dos quais deslindará o caso através dos seus processos mentais. Neste caso, a suspeita de que um escritor que ficou aleijado na sua juventude devido a uma brincadeira de mau gosto de um grupo de colegas, decidiu finalmente vingar-se. As mortes começam a suceder-se, e cabe a Nero Wolfe (a troco de uma significativa compensação financeira), averiguar da sua culpabilidade e dos meios empregados. Lê-se razoavelmente mas não deixa vestígios.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As últimas compras de 2009


As melhores aquisições de 2009 (1)

      A monumental obra de Érico Veríssimo (em qualidade pelo que dizem, mas de certeza em dimensão), "O Tempo e o Vento", estava na minha lista de desejos há muito. Mas comprar sete volumes não é pêra doce, pelo que fui adiando a sua compra. Entretanto o preço dos mesmos desceu, situando-se agora nos 10€. E quando numa colaboração entre a Ambar e a revista "Os Meus Livros", se proporcionou a possibilidade de comprar alguns dos mesmos, decidi deitar mãos à obra. Cabe aqui fazer um grande e sincero agradecimento à Be. Estando a residir actualmente num lugar onde nunca ouviram sequer falar da revista, foi a Be., que conheço apenas do fórum Estante dos Livros, quem se ofereceu para mos comprar e enviar pelo correio. Graças a ela, poupei cerca de 13€ na compra de dois volumes, o que ajudou a amenizar a pancada. A promoção de Natal da Wook em que metade do valor das compras efectuadas em Dezembro, seria devolvido em Janeiro num vale de compras, fez o resto do serviço. Como alguns dos títulos já nem apareciam como disponíveis na página da editora, estive até à última com a incerteza se iria receber todos os livros ou não. A Ambar parece estar a desinvestir, senão mesmo desistir, da sua aposta na literatura. Não sei até que ponto esta percepção está correcta, mas acabou por precipitar a compra de tantos livros de uma só assentada.

    Uma última palavra, extremamente negativa, para a revista "Os Meus Livros". Bem se podem criar blogs, twitters e afins, com intuito de permanecer actualizado, que os mesmos acabam por não passar de meras ferramentas. Se alguém vos envia um mail a colocar uma questão, respondam por favor. É da mais elementar educação e competência em matéria de relações públicas. Nem que mandem a pessoa passear. Caso contrário, de nada vale terem o vosso endereço disponível no blog.





Livros lidos em 2009

    Deixo em seguida, a lista das minhas leituras ao longo de 2009, partindo da mais recente para a mais antiga. À frente de cada título, está uma classificação entre 0 e 10, ilustrativa da minha opinião. No que a opinar sobre livros diz respeito, tento conciliar uma análise mais objectiva do livro (qualidade de escrita; mecanismos narrativos utilizados; vocabulário seleccionado), com uma valoração pessoal do mesmo. Nem sempre os livros mais bem escritos são os que mais nos marcam. E nos que o fazem, nem sempre conseguimos explicar o porquê. Para mais, existem comparações que não têm cabimento. Como submeter à mesma avaliação Eça de Queiroz e Stieg Larsson? São universos (a nível de época, enredo, vocabulário, escrita, etc.) completamente distintos. Assim, as classificações valem o que valem, e pretendem apenas ser um indicador. Ao longo dos próximos dias, irei também deixar algumas linhas acerca das principais impressões que cada um dos integrantes da lista me deixou.

  • 60. "A História Fabulosa de Peter Schlemihl" - Adelbert von Chamisso 7/10
  • 59. "A Liga dos Homens Assustados" - Rex Stout - 5/10
  • 58. "O Meu Pé de Laranja Lima" - José Mauro de Vasconcelos - 10/10
  • 57. "A Águia do Império" - Simon Scarrow - 7,5/10
  • 56. "A Mancha Humana" - Philip Roth - 9,5/10
  • 55. "A Epopeia de Mr. Skullion" - Tom Sharpe - 3/10
  • 54."Russendisko" - Wladimir Kaminer - 6,5/10
  • 53."Despedida de Solteiro" - Peter James - 6,5/10
  • 52."O Criado Secreto" - Daniel Silva - 8,5/10
  • 51."O Assassino Inglês" - Daniel Silva - 8/10
  • 50."Vai e não voltes tão depressa" - Fred Vargas - 8/10
  • 49."O Carteiro de Pablo Neruda" - Antonio Skármeta - 7,5/10
  • 48."O Hóspede" - Marie Belloc Lowndes - 7/10
  • 47."Dead Until Dark" - Charlaine Harris - 6/10
  • 46."António e Cleópatra" - Colleen McCullough - 8,5/10
  • 45."O Priorado do Cifrão" - João Aguiar - 7/10
  • 44."Fortaleza Digital" - Dan Brown - 2/10
  • 43."O Grande Conspirador" - David Liss - 6/10
  • 42."O Vespeiro" - Patricia Cornwell - 5,5/10
  • 41."Os Pássaros da Morte" - Mo Hayder - 8/10
  • 40."O Fado da Sombra" - Filipe Faria - 3,5/10
  • 39."Pecados Íntimos - Little Children" - Tom Perrotta - 7,5/10
  • 38."O Cemitério dos Sem Nome" - Patricia Cornwell -  7/10
  • 37."A Quinta dos Cadáveres" - Patricia Cornwell - 7,5/10
  • 36."A Rainha no Palácio das Correntes de Ar" - Stieg Larsson - 9/10
  • 35."Cruel e Invulgar" - Patricia Cornwell - 8/10
  • 34."Tudo o que Resta" - Patricia Cornwell - 7/10
  • 33."O Monstro e Outros Contos" - Stephen Crane - 7/10
  • 32."O Primo Basílio" - Eça de Queiroz - 9/10
  • 31."Filho de Deus" - Cormac Mccarthy - 8/10
  • 30."A Maldição de Edgar" - Marc Dugain - 6,5/10
  • 29."O Homem em Queda" - Don Delillo - 7/10
  • 28."Sequestro em Directo" - Sebastian Fitzek - 7,5/10
  • 27."As Dez Figuras Negras" - Agatha Christie - 7/10
  • 26."Os Pecados do Lobo" - Anne Perry - 6/10
  • 25."A Canção de Kali" - Dan Simmons - 7/10
  • 24."As Velas Ardem Até ao Fim" - Sándor Márai - 8,5/10
  • 23."Ladrão de Almas" - Yrsa Sigurdadottir - 7/10
  • 22."20 Navios - Crónicas" - Ruy Guerra - 5,5/10
  • 21."Corpo de Delito" - Patricia Cornwell - 7/10
  • 20."O Corrupto e o Diabo"- Paulo Morgado - 7/10
  • 19."The Ignorance of Blood" - Robert Wilson - 7,5/10
  • 18."Tóquio Ano Zero" - David Peace - 8/10
  • 17."Noites de Cocaína" - J.G.Ballard - 7/10
  • 16."O Triunfo do Bastardo" - Tom Sharpe - 9/10
  • 15."Telefona se Precisares de Mim" - Raymond Carver - 7,5/10
  • 14."Assassini" - Thomas Gifford - 9/10
  • 13."Bala Santa" - Luís Miguel Rocha - 1/10
  • 12."O Homem que Corrompeu Hadleyburg" - Mark Twain - 8/10
  • 11."Como Tornar o Benfica Campeão" - José Veiga - 5/10
  • 10."A Tábua de Flandres" - Arturo-Perez Reverte - 7,5/10
  • 9. "Requiem para D. Quixote" - Dennis McShade - 7/10
  • 8. "Wilt em Parte Incerta" - Tom Sharpe 7/10
  • 7. "Mata-me se Puderes" - Peter James - 7/10
  • 6. "Wilt na Maior" - Tom Sharpe - 7,5/10
  • 5. "A Mão Direita do Diabo" - Dennis McShade - 7/10
  • 4. "Os Detectives Selvagens" - Roberto Bolaño - 9,5/10
  • 3. "Loja dos Suicídos" - Jean Teulé - 7/10
  • 2. "A Alternativa Wilt" - Tom Sharpe - 7,5/10
  • 1. "Wilt" - Tom Sharpe - 8/10

Lhasa de Sela parte aos 37 anos

Descubro através do Bibliotecário de Babel, que a cantora Lhasa de Sela faleceu no primeiro dia de 2010, finalmente sucumbindo ao cancro da mama que combateu durante 21 meses. Para além da dor que quem a amava estará a sentir, também o mundo fica um lugar mais triste sem a sua extraordinária voz. O seu primeiro álbum, La Llorona, permanece como um dos meus álbuns favoritos. Foi bela a marca que deixou no mundo.



Quando o Natal traz uma prenda indesejada

domingo, 3 de janeiro de 2010

Hannah E Martin

    A peça "Hannah e Martin", da autoria de Kate Fodor, é a mais recente encenação do Teatro Aberto. Hannah Arendt, uma conceituada académica judia (foi autora, por exemplo, de "Eichman em Israel"), regressa à Alemanha, onde nasceu e estudou, para realizar uma série de artigos acerca dos julgamentos de Nuremberga. Este regresso leva-a a revisitar querelas antigas, como o relacionamento com Martin, seu antigo professor e amante, entretanto convertido ao nazismo. Tido como um génio a certo ponto da sua vida, Martin foi entretanto afastado do ensino devido ao seu comportamento enquanto reitor universitário do III Reich. Tendo sido uma das que defendeu esse afastamento, Hannah questiona-se agora se foi a opção correcta. Até que ponto esse dilema é motivado por uma perspectiva objectiva ou por algo mais, não é transparente nem para a própria. Enquanto as lições de Martin se tornavam na pedra basilar do que haveria de ser o seu pensamento, a relação amorosa entre ambos deixava duradoiras marcas na sua personalidade. Assistimos às suas reflexões pessoais e intelectuais, somos transportados ao seu passado, e por último, assistimos ao inevitável reencontro com Martin.

    Recai sobre três grandes actores a responsabilidade do sucesso da peça: Ana Padrão, Rui Mendes e, em menor grau, Irene Cruz  (como a nazi de trazer por casa). Embora todos consigam óptimos desempenhos, é Ana Padrão quem brilha mais alto. A conjugação das suas diferentes expressões e tons de discurso, com o jogo de luzes que pauta a peça, torna extremamente credível a sua representação de duas Hannahs, passada e presente, mediadas entre si por mais de uma década. A peça tem intervalo e uma duração ligeiramente superior a 2 horas. O preço dos bilhetes é de 15€, sendo que com alguns descontos como o de espectador frequente, podem descer até aos 10€.

Em cena até 28 de Fevereiro.



"Durante os julgamentos de Nuremberga, Hannah Arendt visita Martin Heidegger, seu antigo professor, com quem tinha tido uma relação amorosa. Este encontro entre o filósofo que aderira ao nazismo e a pensadora judia que partira para o exílio nos Estados Unidos leva-os a reviver o passado e a procurar explicar o que os tinha unido e separado. Hannah e Martin é uma peça onde o universo mais íntimo das personagens se mistura com a política, a história e a ética, colocando questões pertinentes ao espectador de hoje.




A encenação irá criar uma fusão entre a linguagem teatral e a comunicação audiovisual, confrontando o espectador com uma multiplicidade de ângulos e leituras de imagens, ora reais, ora recriadas."



Versão
João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
Dramaturgia
Vera San Payo de Lemos
Encenação e Realização Vídeo
João Lourenço
Cenário
António Casimiro | João Lourenço
Figurinos
Maria Gonzaga
Supervisão Audiovisual
Aurélio Vasques
Luz
Melim Teixeira

Interpretação
Ana Padrão | Cátia Ribeiro | Cristovão Campos | Diogo Mesquita | Francisco Pestana | Irene Cruz | João Ricardo | João Silvestre | Luís Alberto | Maria Ana Bernauer | Rui Mendes

Só encontramos a prenda ideal quando já é tarde demais


Entre oferendas de aniversário e Natal, foi uma excelente colheita