terça-feira, 20 de outubro de 2009
Em busca do tempo perdido I
Uma das grandes polémicas pré-eleitorais, foi o saneamento de Manuela Moura Guedes dos ecrãs nacionais. Não acredito muito nas alegações de interferência do PS, não devido a uma crença na sua inabalável ética (aquelas reportagens sobre o Freeport não devem ser muito populares em São Bento), mas sobretudo por causa do timing. Mais depressa culparia os seus adversários políticos. A altura do reajustamento do edifício informativo em Queluz, foi realmente infeliz. Mas parece-me evidente para qualquer pessoa, que a abordagem irreverente (chamemos-lhe assim) adoptada por Moura Guedes, só era possível devido à coincidência de ser o seu marido quem mais ordenava naquela casa. Sem me alongar sobre os (de)méritos da mesma, após a saída de José Eduardo Moniz da TVI, era apenas uma questão de tempo até a responsável pelo Jornal de Sexta levar o proverbial pontapé.
Aproveito para partilhar o seguinte texto que me enviaram por mail:
TVI - A Minha Leitura (José Niza)
Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. E garanto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desse uma entrevista a chamar-me “estúpido”, a primeira coisa que aconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa, independentemente de haver ou não eleições em curso.
Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já se tenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que Manuela Moura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas e comentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista que MMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lhe ter acabado com o programa.
Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para ser publicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi a gota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo, de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado dias antes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado à administração da TVI.
Nessa entrevista MMG chama “estúpidos” aos seus superiores. Aliás, as palavras “estúpidos” e “estupidez” aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração.
É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulo jornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É uma entrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é a maior (”Eu sou a Manuela Moura Guedes”!) e que se sente perseguida por toda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidos por “ideias delirantes”, de grandeza ou de perseguição).
MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que os accionistas da PRISA são “ignorantes”; considera-se “um alvo a abater”; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa de fazerem “fretes ao governo” e de serem “cobardes”; acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que “nunca fizeram a ponta de um corno na vida”; diz que o programa da RTP 2, Clube de Jornalistas, é uma “porcaria”; provoca a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira, etc.
E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal não deve ser “imparcial”, “equidistante”, “ponderado”, ela responde: “Então metam lá uma boneca insuflável”!
Como é que a uma pessoa que assim “pensa” e assim se comporta, pode ser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamente responsável?
Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer – e como sublinhou Mário Soares – esta questão não tem nada a ver com liberdade de imprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e de uma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.
Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade de imprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? É que a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seus limites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esse risco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: uma explicação totalmente clara e convincente por parte da administração da TVI, que ainda não foi dada.
Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidários de MMG e do seu marido.
J. E. Moniz tem, desde Mário Soares, um ódio visceral ao PS. Sei do que falo. MMG foi deputada do CDS na AR.Até aqui, nada de especialmente especial.
O que já não está bem – e é criminoso – é que ambos se sirvam de um telejornal para impunemente acusarem pessoas inocentes, sem quaisquer provas, instilando insinuações e induzindo suspeições.
Ainda mais reles é o miserável aproveitamento partidário que, a começar no PSD e em M. F. Leite, e a acabar em Louçã e no BE, está a ser feito. Estes líderes políticos, tal como Paulo Portas e Jerónimo de Sousa, sabem muito bem, que nem Sócrates nem o governo tiveram qualquer influência no caso TVI. Eles sabem isto. Mas Salazar dizia: “O que parece, é”!
E eles aprenderam.
P.S.
A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.
E se eu soubesse o que sei hoje…
Etiquetas:
Bitaites
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Para mais tarde recordar
Addio, adieu, aufwiedersehen, Goodbye,
meu querido mês de Agosto. Para o ano há mais.
Etiquetas:
Bitaites
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Cavalo de Ferro continua desaparecida em combate
A editora Cavalo de Ferro continua com destino incerto. Devido a um processo judicial em que está envolvida, não pode aceder aos seus livros. A encomenda dos mesmos continua pendente até data incerta. Aguardam-se novos desenvolvimentos.
Etiquetas:
Editoras
O Alexandria pode provocar dependência
Homem do Leme, obrigado pelo prémio atribuído. Fico lisonjeado que aches o meu blog viciante. Vou esforçar-me por continuar a alimentar a dependência de forma condigna. Aqui vão as três coisas que quero fazer:
1. Percorrer as Terras Altas da Escócia. Das muitas viagens que ambiciono fazer, esta tem um lugar especial. Sempre as associei a uma atmosfera quase divina.
2. Criar uma editora. Não é um projecto particularmente original. São muitos os amantes de livros que partilham este desejo.
3. Saltar de pára-quedas pelo menos uma vez. Tendo em conta que sofro de vertigens, talvez não seja a ideia mais inteligente que já tive. Mas deve ser uma sensação de liberdade fantástica (isto, se o coração não parar entretanto).
1. Percorrer as Terras Altas da Escócia. Das muitas viagens que ambiciono fazer, esta tem um lugar especial. Sempre as associei a uma atmosfera quase divina.
2. Criar uma editora. Não é um projecto particularmente original. São muitos os amantes de livros que partilham este desejo.
3. Saltar de pára-quedas pelo menos uma vez. Tendo em conta que sofro de vertigens, talvez não seja a ideia mais inteligente que já tive. Mas deve ser uma sensação de liberdade fantástica (isto, se o coração não parar entretanto).
Não me leves a mal, mas não tenho muito jeito para continuar correntes. Vou por isso, esquivar-me a enumerar os 10 blogs a quem atribuir o prémio. É-me muito mais natural espalhar referências aos meus blogs de eleição nos diferentes textos que vou escrevendo.
Um abraço
domingo, 23 de agosto de 2009
Os livros de António Barreto
Recuperar um texto de António Barreto sobre a sua biblioteca. A quem sofrer das enfermidades descritas, acho impossível não se rever pelo menos em parte no mesmo.
Paz à sua alma
As melhoras do pobre computador não passaram afinal de um último suspiro. O seu tempo entre nós extinguiu-se. Devido ao seu estado terminal, o meu acesso à Internet esteve fortemente condicionado. Com a situação agora resolvida, o expediente volta finalmente ao normal.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Razões de uma ausência prolongada
Não tenho actualizado o Alexandria nos últimos tempos. O que nos primeiros dias se prendeu com a minha ausência por motivo de férias, teve agora a ver com dificuldades técnicas. O pobre computador esteve em vias de dar o badagaio. Se se confirmarem as suas melhoras, voltarei a um ritmo de publicação mais regular.
terça-feira, 21 de julho de 2009
O Deus da Matança
No domingo, fui ver a peça "O Deus da Matança" no Teatro Aberto em Lisboa. Uma 1h20 que passa a correr, e nos garante umas boas gargalhadas. Os actores estão todos exemplares nos seus papéis. A destacar alguém seria Sérgio Praia, actor que não conhecia. A peça está em cena até ao próximo domingo.
Versão: João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
Dramaturgia: Vera San Payo de Lemos
Cenário: António Casimiro
Figurinos: Maria Gonzaga
Luz: Melim Teixeira
Encenação: João Lourenço
Interpretação: Joana Seixas; Paulo Pires; Sérgio Praia; Sofia de Portugal
Dois rapazes andaram à pancada depois da escola e um deles partiu dois dentes ao outro. Os pais encontram-se para falar sobre o incidente, mas, quando o começam a discutir a fundo, a situação torna-se cada vez mais tensa. Pequenas insinuações passam a ofensas verbais e físicas. E é assim que uma tarde entre pessoas civilizadas acaba de maneira inesperadamente pouco civilizada. A autora francesa Yasmina Reza analisa aqui o universo da família e as discrepâncias entre o ser e o parecer, com a mistura de leveza e seriedade, humor e crítica social que lhe é característica.
Num texto de 2006 que está a fazer sucesso por toda a Europa e Estados Unidos. O Novo Grupo – Teatro Aberto continua, com este espectáculo, a investir na dramaturgia contemporânea e na reflexão social.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Fly me to the moon

Passaram 40 anos desde que um homem, Neil Armstrong, caminhou pela primeira vez na lua. Ficou famosa a frase que proferiu: "É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade". Creio que se esperava que outros objectivos tivessem sido já alcançados. A meta de Marte parecia o passo lógico seguinte. Entretanto, a Guerra Fria, grande impulsionadora desta corrida de superação humana, terminou. E embora se continuem a fazer extraordinários avanços científicos acerca da compreensão do universo, não mais houve aqueles feitos que nos fazem sonhar. Os sonhos com que nos entretemos na ficção até chegar a hora. Enviar naves tripuladas por esse Universo fora; descobrir se de facto existem outras raças no breu do céu; atravessar os limites do nosso sistema solar primeiro, da nossa galáxia depois.
Quando era mais novo, acalentava a esperança de descobrirmos as grandes respostas durante o meu tempo de vida. Já não tenho essas ilusões ou soberba. Até porque cada resposta acarreta novas perguntas. É o não sabermos tudo que nos impele a novas conquistas. Mas sendo ainda novo, quero acreditar que chegarei a ter a alegria de ver o nosso planeta de órbita. Fosse eu milionário, e já não precisaria de esperar. Assim, fico a aguardar que o conceito low-cost chegue às viagens espaciais.
Quando era mais novo, acalentava a esperança de descobrirmos as grandes respostas durante o meu tempo de vida. Já não tenho essas ilusões ou soberba. Até porque cada resposta acarreta novas perguntas. É o não sabermos tudo que nos impele a novas conquistas. Mas sendo ainda novo, quero acreditar que chegarei a ter a alegria de ver o nosso planeta de órbita. Fosse eu milionário, e já não precisaria de esperar. Assim, fico a aguardar que o conceito low-cost chegue às viagens espaciais.
Links de interesse:Apollo 11 on the Sea of Tranquility
Apollo 11 40th anniversary
e para quem quiser (re)ver o clássico de George Méliès
Le Voyage dans la Lune (1902)
"As Duas Faces da Lua" lançado em Setembro
Num lançamento muito a propósito da celebração dos 40 anos da chegada à Lua, a editora Mill Books, coloca nas livrarias a 24 de Setembro “As Duas Faces da Lua”. Trata-se de um livro sobre a corrida espacial vista pelos dois lados da Guerra Fria. A obra tem um prefácio de Neil Armstrong, o qual já está disponível no Porta-Livros. Uma aposta corajosa, numa temática normalmente menosprezada pelo nosso mercado.
O Primeiro Dia
A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
O Primeiro Dia - Sérgio Godinho
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Eu, a Cavalo de Ferro, e a Feira do Livro de Lisboa
No post anterior sobre a Cavalo de Ferro, referi como esta editora foi a minha desgraça na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Como qualquer pretexto me serve para falar dos meus livros, ficam aqui as aquisições a que me referia.
Na banca de oportunidades da editora, não resisti a estes quatro, a um preço unitário de 5€:


"Manuscrito Encontrado em Saragoça - Volumes I e II" - Jan Potocki


"Dicionário Infernal" - Colin de Plancy
&
"Contos Completos, vol.1" - Nathaniel Hawthorne
E aproveitei a promoção de livro do dia (com 40% de desconto), para comprar dois livros que há muito estavam no topo da minha lista de desejos:


"Meio-Irmão" - Lars Saabye Christensen
&
"Gente Independente" - Halldór Laxness
Carregando no nome de cada livro, acede-se à respectiva sinopse, e a toda a outra informação disponibilizada pela editora relativa ao mesmo. Comigo, a Cavalo de Ferro saiu beneficiada por ter disponibilizado antecipadamente a sua lista de livros do dia completa (ao invés da maior parte das editoras presentes). Seleccionei os que me interessavam, e fiz as minhas contas ao dinheiro e datas. Para as restantes compras, ficou o que sobrou.
Etiquetas:
Aquisições,
Editoras,
Feira do Livro
Cavalo de Ferro, Quo Vadis?

Não se tem ouvido falar da Cavalo de Ferro. Ainda recentemente, a Pó dos Livros dava-nos conta de como tem sido difícil encomendar os seus livros. Será resultado dos seus problemas económicas, para os quais a falhada compra pela Fundação Agostinho Fernandes parecia ser a resposta? Enquanto escrevo este post, entro no seu site, que se tem mantido inerte. Mas não hoje. Site recentemente alterado, que para além de anunciar o reinício da distribuição, nos informa que "muito em breve a Cavalo de Ferro estará de volta com novidades e muitas surpresas. (...) Queremos construir consigo uma editora melhor do que nunca."Boas notícias. Podem contar com a minha singela contribuição. Aliás, a sua banca foi a minha desgraça na Feira do Livro de Lisboa deste ano.
A Cavalo de Ferro tem um catálogo de muita qualidade, em que presta uma particular atenção a literatura proveniente do norte e leste europeu, distinguindo-se nesse campo do restante panorama editorial nacional. Espero que consiga sobreviver a estes tempos mais conturbados que tem atravessado. Se o critério de qualidade literária bastasse, sobreviveria de certeza. Mas as editoras são também um negócio.
P.S. - Será que vai finalmente ver a luz do dia o livro "Volta ao Dia em Oitenta Mundos" de Julio Cortázar, previsto desde Abril?
A Cavalo de Ferro tem um catálogo de muita qualidade, em que presta uma particular atenção a literatura proveniente do norte e leste europeu, distinguindo-se nesse campo do restante panorama editorial nacional. Espero que consiga sobreviver a estes tempos mais conturbados que tem atravessado. Se o critério de qualidade literária bastasse, sobreviveria de certeza. Mas as editoras são também um negócio.
P.S. - Será que vai finalmente ver a luz do dia o livro "Volta ao Dia em Oitenta Mundos" de Julio Cortázar, previsto desde Abril?
Etiquetas:
Editoras
Subscrever:
Mensagens (Atom)










