A Internet, enquanto meio fundamental de comunicação nos dias que correm, é alvo de uma abordagem cada vez mais cuidada por parte das empresas. As editoras não são excepção. Uma das vertentes em que têm apostado, é em estabelecer uma ligação privilegiada entre si e os blogues literários. Não me refiro neste caso, a blogues criados como extensão de uma actividade profissional ligada ao sector editorial. Falo dos amadores (referência ao seu carácter e não à qualidade), criados sem outros intuitos que não os de partilhar informação e opiniões sobre uma paixão comum: os livros. Essa proximidade, reflecte-se normalmente numa colaboração exercida através de uma de duas vias:
-organização de passatempos;
-fornecimento dos lançamentos mais recentes para crítica.
Não pára de aumentar o número de passatempos organizados, bem como a frequência com que são realizados. Para promover um novo título, é convidado um blogue, onde serão oferecidos, em média, entre 1 a 5 exemplares do mesmo. Mas começam a surgir situações em que o mesmo passatempo, é organizado de forma simultânea em vários blogues. Um bom exemplo, foi o recente passatempo "Quem matou o General Zia?" da Porto Editora, que abrangeu cinco blogues diferentes (Estante dos Livros, Porta-Livros, Marcador dos Livros, Planeta Márcia e Segredo dos Livros). Os critérios mais comuns para determinar os vencedores são: responder correctamente a questões sobre a obra e autor, a rapidez da resposta ou o recurso a sorteio. O modo como estas iniciativas se processam, pode passar pelo simples fornecimento de exemplares de um livro (quase sempre novidades), ficando as regras aplicáveis ao critério do autor do blogue. Noutros casos, a aceitação desses exemplares está dependente de se aceitar igualmente determinados contornos para o passatempo. Uma variante frequente, é a que implica a leitura do primeiro capítulo do livro pelos participantes para responder a questões. Se agradar a quem o leu, ainda que não sejam os contemplados, há uma maior probabilidade de ficarem cativados pela história e o adquirirem. Numa altura em que a rotatividade de títulos nas livrarias é tão elevada, o fundamental é dar a conhecer que o título existe. Se não for para adquirir imediatamente, para entrar para a wishlist de cada um, o que pode contribuir para aumentar o período de vida útil em que é apelativo ao mercado. Quem for frequentador assíduo deste tipo de blogues, sabe que existe uma grande sobreposição de visitas habituais e referências recíprocas entre si. Marcando presença ainda que numa pequena parte deste universo, acaba-se por chegar à quase totalidade do seu público.
Depois, existe a disponibilização das novidades que vão sendo introduzidas no mercado. Algumas editoras disponibilizam os títulos escolhidos, enquanto outras perguntam se determinado livro interessa ou não. Em troca de uma opinião sobre a obra, os livros são cedidos gratuitamente. Não é muito diferente do que grande parte das editoras faz ao enviar exemplares dos suas novas apostas para diversos críticos literários, na esperança de uma recensão que muitas vezes nunca chega. Aqui, existe a certeza de que o gasto se vai materializar numa contrapartida. Nada garante que a opinião seja positiva, mas já se está a falar do livro. Não acredito que quem recebe o livro se sinta na obrigação de dizer que gostou do mesmo se não foi o caso. Mas tratando-se de ofertas, admito que no caso de uma opinião negativa, os termos da mesma possam ser menos agressivos. Parece-me uma reacção humana natural, mas dependerá da personalidade de cada um. Os prazos não parecem ser definidos antecipadamente, confiando na razoabilidade de quem recebeu os livros. Esta política, vem também responder a uma necessidade de chegar a um público que já não se revê na crítica tradicional, e procura este meio como alternativa para adquirir informação.
Como é que as editoras escolhem os blogues a quem propõem estas parcerias? Antes de mais, acredito que pelo número de visitas recebidas. O objectivo é sempre chegar ao maior número possível de potenciais leitores/clientes. Mas não é o único critério. Cada blogue tem a sua própria identidade. Alguns são dedicados a géneros específicos de literatura. E mesmo os que não tenham optado por um escopo tão específico, reflectem sempre os gostos de quem os escreve. Estamos a falar de projectos essencialmente pessoais, logo não condicionados por uma intenção de imparcialidade. É inevitável imergir um padrão de tendências. Quem os lê regularmente, reage precisamente a isso. Pelo que é possível definir aproximadamente que público arrasta cada blogue. Em função da ideia que formem, as editoras podem então seleccionar os que apresentem uma identidade mais adequada à mensagem que querem passar.
Algumas editoras têm sido particularmente activas nesta matéria. É o caso da Saída de Emergência, da Porto Editora, da Gailivro e, em particular, da Presença. Cada uma das partes retira diferentes benefícios desta parceria. Para as editoras, é a oportunidade de por um custo reduzido, colocar outros a publicitarem os seus livros. Pelo custo de alguns exemplares, conseguem chegar a um público que embora não seja tão vasto ou ainda tão previsível a nível de mercado como o atingido por outros meios, tem à partida, uma forte predisposição para este tipo de consumo. Para os responsáveis pelos blogues, é a oportunidade de receber de oferta livros recentes. E quem for leitor compulsivo, sabe que a carteira dificilmente consegue acompanhar os novos desejos. Para mais, já iam escrever as suas opiniões sobre o que lêem de qualquer forma. Um ponto negativo, é que as suas leituras podem facilmente ficar cingidas ao que lhes for enviado pelas editoras. Mas isso caberá à opção de cada um. Quanto aos prémios atribuídos, acho que deve ser extremamente recompensador para alguém que dedica tanto tempo e carinho a um blogue, poder dessa forma retribuir a atenção que lhe é dada por outros. Acredito mesmo, que possa ser tão tão agradável como receber os livros para si próprios. Para além de ser uma medida que atrai sempre novos leitores.
Estas são meras conclusões pessoais, a que cheguei através do que vou observando. Não correspondem a nenhum estudo fundamentado, feito com base em parâmetros definidos. As únicas vezes em que estive envolvido neste tipo de iniciativas, foi como concorrente. É perfeitamente possível que alguma da informação não seja a mais correcta, ou simplesmente peque por defeito. Se for o caso, sintam-se à vontade para o dizer. Pretendi apenas esquematizar as minhas noções sobre um fenómeno que me parece recente no panorama editorial, mas que revela uma importância crescente. Estou convencido que uma parte cada vez mais significativa da comunicação das editora com os seus leitores, passará por esta dinâmica.
-organização de passatempos;
-fornecimento dos lançamentos mais recentes para crítica.
Não pára de aumentar o número de passatempos organizados, bem como a frequência com que são realizados. Para promover um novo título, é convidado um blogue, onde serão oferecidos, em média, entre 1 a 5 exemplares do mesmo. Mas começam a surgir situações em que o mesmo passatempo, é organizado de forma simultânea em vários blogues. Um bom exemplo, foi o recente passatempo "Quem matou o General Zia?" da Porto Editora, que abrangeu cinco blogues diferentes (Estante dos Livros, Porta-Livros, Marcador dos Livros, Planeta Márcia e Segredo dos Livros). Os critérios mais comuns para determinar os vencedores são: responder correctamente a questões sobre a obra e autor, a rapidez da resposta ou o recurso a sorteio. O modo como estas iniciativas se processam, pode passar pelo simples fornecimento de exemplares de um livro (quase sempre novidades), ficando as regras aplicáveis ao critério do autor do blogue. Noutros casos, a aceitação desses exemplares está dependente de se aceitar igualmente determinados contornos para o passatempo. Uma variante frequente, é a que implica a leitura do primeiro capítulo do livro pelos participantes para responder a questões. Se agradar a quem o leu, ainda que não sejam os contemplados, há uma maior probabilidade de ficarem cativados pela história e o adquirirem. Numa altura em que a rotatividade de títulos nas livrarias é tão elevada, o fundamental é dar a conhecer que o título existe. Se não for para adquirir imediatamente, para entrar para a wishlist de cada um, o que pode contribuir para aumentar o período de vida útil em que é apelativo ao mercado. Quem for frequentador assíduo deste tipo de blogues, sabe que existe uma grande sobreposição de visitas habituais e referências recíprocas entre si. Marcando presença ainda que numa pequena parte deste universo, acaba-se por chegar à quase totalidade do seu público.
Depois, existe a disponibilização das novidades que vão sendo introduzidas no mercado. Algumas editoras disponibilizam os títulos escolhidos, enquanto outras perguntam se determinado livro interessa ou não. Em troca de uma opinião sobre a obra, os livros são cedidos gratuitamente. Não é muito diferente do que grande parte das editoras faz ao enviar exemplares dos suas novas apostas para diversos críticos literários, na esperança de uma recensão que muitas vezes nunca chega. Aqui, existe a certeza de que o gasto se vai materializar numa contrapartida. Nada garante que a opinião seja positiva, mas já se está a falar do livro. Não acredito que quem recebe o livro se sinta na obrigação de dizer que gostou do mesmo se não foi o caso. Mas tratando-se de ofertas, admito que no caso de uma opinião negativa, os termos da mesma possam ser menos agressivos. Parece-me uma reacção humana natural, mas dependerá da personalidade de cada um. Os prazos não parecem ser definidos antecipadamente, confiando na razoabilidade de quem recebeu os livros. Esta política, vem também responder a uma necessidade de chegar a um público que já não se revê na crítica tradicional, e procura este meio como alternativa para adquirir informação.
Como é que as editoras escolhem os blogues a quem propõem estas parcerias? Antes de mais, acredito que pelo número de visitas recebidas. O objectivo é sempre chegar ao maior número possível de potenciais leitores/clientes. Mas não é o único critério. Cada blogue tem a sua própria identidade. Alguns são dedicados a géneros específicos de literatura. E mesmo os que não tenham optado por um escopo tão específico, reflectem sempre os gostos de quem os escreve. Estamos a falar de projectos essencialmente pessoais, logo não condicionados por uma intenção de imparcialidade. É inevitável imergir um padrão de tendências. Quem os lê regularmente, reage precisamente a isso. Pelo que é possível definir aproximadamente que público arrasta cada blogue. Em função da ideia que formem, as editoras podem então seleccionar os que apresentem uma identidade mais adequada à mensagem que querem passar.
Algumas editoras têm sido particularmente activas nesta matéria. É o caso da Saída de Emergência, da Porto Editora, da Gailivro e, em particular, da Presença. Cada uma das partes retira diferentes benefícios desta parceria. Para as editoras, é a oportunidade de por um custo reduzido, colocar outros a publicitarem os seus livros. Pelo custo de alguns exemplares, conseguem chegar a um público que embora não seja tão vasto ou ainda tão previsível a nível de mercado como o atingido por outros meios, tem à partida, uma forte predisposição para este tipo de consumo. Para os responsáveis pelos blogues, é a oportunidade de receber de oferta livros recentes. E quem for leitor compulsivo, sabe que a carteira dificilmente consegue acompanhar os novos desejos. Para mais, já iam escrever as suas opiniões sobre o que lêem de qualquer forma. Um ponto negativo, é que as suas leituras podem facilmente ficar cingidas ao que lhes for enviado pelas editoras. Mas isso caberá à opção de cada um. Quanto aos prémios atribuídos, acho que deve ser extremamente recompensador para alguém que dedica tanto tempo e carinho a um blogue, poder dessa forma retribuir a atenção que lhe é dada por outros. Acredito mesmo, que possa ser tão tão agradável como receber os livros para si próprios. Para além de ser uma medida que atrai sempre novos leitores.
Estas são meras conclusões pessoais, a que cheguei através do que vou observando. Não correspondem a nenhum estudo fundamentado, feito com base em parâmetros definidos. As únicas vezes em que estive envolvido neste tipo de iniciativas, foi como concorrente. É perfeitamente possível que alguma da informação não seja a mais correcta, ou simplesmente peque por defeito. Se for o caso, sintam-se à vontade para o dizer. Pretendi apenas esquematizar as minhas noções sobre um fenómeno que me parece recente no panorama editorial, mas que revela uma importância crescente. Estou convencido que uma parte cada vez mais significativa da comunicação das editora com os seus leitores, passará por esta dinâmica.























