A Booktailors lançou uma revista online gratuita, relativa à edição literária nacional. O primeiro número reúne os textos publicados no espaço "Opinião no Blogtailors". Para os interessados, ver como fazer o download aqui.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Um caso à parte até na morte
Houve cerca de um milhão e seiscentos mil candidatos ao sorteio de entradas gratuitas para o funeral de Michael Jackson. Cerca de dezassete mil foram contemplados com o bilhete que lhes permitirá fazer parte da histórica ocasião. Mórbida postura, ou simples tentativa de antecipação e controle da enorme afluência que se espera? Sei lá...Como prova do espírito empreendedor americano, no ebay, alguns dos bilhetes já valem 3500€.
Etiquetas:
Bitaites
O rei vai nu!
Grande texto de António Barreto sobre o nosso destemido líder.
Etiquetas:
Ler os outros
domingo, 5 de julho de 2009
Agora falando a sério
A trilogia de posts anterior, "Cada tiro, cada melro", aborda de forma algo sarcástica algumas das reacções padrão a situações de criminalidade em bairros considerados problemáticos. Para mim, ao autonomizar e amplificar ao limite uma das vertentes do problema, um determinado interveniente simplifica excessivamente a discussão do mesmo. Acredito que algumas vezes o faça por convicção e não por má-fé. Mas também acredito que essa abordagem resulta em mais mal do que bem. Porque poucas questões são hoje em dia tão complexas como as causas por detrás desta realidade.
Tenho algumas opiniões que gostava de partilhar sobre a temática, mas acho importante fazê-lo de forma fundamentada. Fica por agora, apenas a intenção de publicar aqui, uma série de textos sobre a mesma. Assim haja tempo.
Tenho algumas opiniões que gostava de partilhar sobre a temática, mas acho importante fazê-lo de forma fundamentada. Fica por agora, apenas a intenção de publicar aqui, uma série de textos sobre a mesma. Assim haja tempo.
Cada tiro, cada melro 3
Para adiantar trabalho, que tal alguém começar a preparar os cartazes em que se jura a pés juntos os bons rapazinhos que os eventuais detidos sempre foram? Quando forem identificados, basta colocar as fotos e respectivas legendas (com nomes de guerra, tipo Jekkas e 3Gun). Pode-se sempre queimar algum património público e chamar a TVI para dar um certo colorido.
Etiquetas:
Bitaites
Cada tiro, cada melro 2
Se se confirmar que os disparos foram efectuados por dois indivíduos de raça negra, o PP, de forma mais ou menos subtil (provavelmente menos), chamará a atenção para como este infeliz acontecimento se encontra relacionado com a falta de uma política responsável de emigração. Não se trata de qualquer forma de xenofobia, mas sim de impor limites. Ainda que na maior parte destas situações, os envolvidos sejam imigrantes de 2ª ou 3ª geração, com nacionalidade portuguesa e em muitos casos nunca sequer saíram do país. Mas um discurso de problema claro, com solução clara, apela muito melhor ao eleitorado alvo. Só assim se pode transmitir a noção de que se dependesse deles, isto resolvia-se já amanhã. Como diz o cartaz: "Não basta ter razão. É preciso ter votos".
Etiquetas:
Bitaites
Cada tiro, cada melro
Dois polícias foram baleados hoje na Amadora. Em princípio vão sobreviver. Fico ansiosamente a aguardar as explicações do Bloco de Esquerda acerca de como estes factos foram, na realidade, resultado de um inadequado comportamento das autoridades e de uma limitada política social maniqueísta por parte do Governo (para recorrer ao vernáculo oficial).
O Brüno está a chegar
É já quinta-feira a estreia de "Brüno", a nova criação de Sacha Baron Cohen, conhecido sobejamente pelo seu alter-ego Borat. A fotografia foi roubada ao Sound + Vision. Podem ver o trailer num outro post deste estaminé: Borat was so 2006 - Bruno TrailerDeambulações pela FNAC 2

Lin Hai & Friends - Pipa Images
Estava em cima de um dos postos de escuta na FNAC, desarrumado. Não o conhecia de lado nenhum. Mas a capa chamou-me a atenção e decidi experimentar. Muito bonito. E bonito serviço também. Como se já não tivesse tentações suficientes em lista de espera.
Mais tarde, uma breve pesquisa revela que "Lin Hai é pianista e compositor da nova era. Inspirados pelas coisas que viu durante uma visita à região do Sul do Rio Yangtsé, ele criou as músicas deste álbum tocadas pelo instrumento tradicional chinês Pipá, mas com melodias e ritmos totalmente modernos, integrando elementos de Jazz, New Age e elementos de minorias étnicas."
Etiquetas:
Lista de Desejos,
Música
Deambulações pela FNAC 1
Para quem quiser aproveitar, existem diversas temporadas das séries 24, Sopranos e Battlestar Galactica, disponíveis por cerca de 20€ cada. Metade do preço habitual, mais coisa, menos coisa. Qualquer uma vale bem a pena o dinheiro. Battlestar Galactica foi a minha grande descoberta (tardia) do ano. Excepcionalmente bem escrita, vai muito além da classificação de ficção científica. Aborda a natureza humana e os dilemas, terrenos e espirituais, que nos assolam. E sim, também há uma data de coisas a explodir.
Paulo Coelho III
E, aparentemente em contradição total com os dois posts anteriores, assumo o meu interesse em ler a biografia do homem. Confusos? A culpa foi da entrevista dada pelo autor, o jornalista brasileiro Fernando Morais, a Isabel Coutinho; e do texto da Pipoca mais doce a 22 de Maio de 2009 que abaixo reproduzo (não consegui colocar o link directo) :
"Coisas que fiz e das quais tenho vergonha #1: comprar um livro do Paulo Coelho (mais ou menos)
Então foi assim que a coisa se deu: faz amanhã duas semanas entrei na Fnac ao final do dia. Estava à espera que o meu homem me fosse buscar e, para fazer tempo, dei um salto ao bar da Fnac só para comprar uma água. Acontece que estava a decorrer a apresentação de um livro, feita pela Leonor Xavier. Não percebi que livro era, pela conversa pareceu-me altamente entediante, até que passaram a palavra ao autor. Era um brasileiro, com idade para ser meu pai, e daqueles que abre a boca e uma pessoa já não consegue desligar. Peguei na água, sentei-me, e fiquei a ouvi-lo mais de uma hora. Ora o livro deste senhor, de seu nome Fernando Morais, é nada mais nada menos do que a biografia do Paulo Coelho. Pois. Um calhamaço com mais de 600 páginas. Mas o senhor (que é jornalista, e daqueles mesmo bons) vendeu a história tão convincentemente (e que história, a vida do homem mete todas as drogas e mais algumas, satanisno, choques eléctricos, experiências homossexuais... e, ainda assim, vende livros como ninguém), que eu dei por mim a folhear o livro. Senti-me mais aliviada quando ele anunciou que o livro era tanto para os que amavam como para os que não percebiam o fenómeno Paulo Coelho. Como estou neste último sector (apesar de ter lido vários livros do senhor na adolescência), acabei por levar o livro para casa. No fim fui falar com o Fernando Morais e disse-lhe isto tudo. Que só tinha ido comprar uma água e que, sabe-se lá como, tinha acabado com a biografia do Paulo Coelho nas mãos. E que nem gostava dele. E ele disse que mais do que gostar de Paulo Coelho, o livro valia pela história. Já percebi que sim, que o homem escreve bem que se farta e que é um excelente contador de histórias. Mas agora tenho de andar no metro com um livro chamado "O Mago", onde o nome Paulo Coelho é bem maior do que o do próprio autor. E tenho um bocadinho de nada de vergonha. E vou sempre a tentar esconder a capa. E odeio forrar livros, se é essa a vossa sugestão. Pois, pois, sou preconceituosa, que fazer?"
"Coisas que fiz e das quais tenho vergonha #1: comprar um livro do Paulo Coelho (mais ou menos)
Então foi assim que a coisa se deu: faz amanhã duas semanas entrei na Fnac ao final do dia. Estava à espera que o meu homem me fosse buscar e, para fazer tempo, dei um salto ao bar da Fnac só para comprar uma água. Acontece que estava a decorrer a apresentação de um livro, feita pela Leonor Xavier. Não percebi que livro era, pela conversa pareceu-me altamente entediante, até que passaram a palavra ao autor. Era um brasileiro, com idade para ser meu pai, e daqueles que abre a boca e uma pessoa já não consegue desligar. Peguei na água, sentei-me, e fiquei a ouvi-lo mais de uma hora. Ora o livro deste senhor, de seu nome Fernando Morais, é nada mais nada menos do que a biografia do Paulo Coelho. Pois. Um calhamaço com mais de 600 páginas. Mas o senhor (que é jornalista, e daqueles mesmo bons) vendeu a história tão convincentemente (e que história, a vida do homem mete todas as drogas e mais algumas, satanisno, choques eléctricos, experiências homossexuais... e, ainda assim, vende livros como ninguém), que eu dei por mim a folhear o livro. Senti-me mais aliviada quando ele anunciou que o livro era tanto para os que amavam como para os que não percebiam o fenómeno Paulo Coelho. Como estou neste último sector (apesar de ter lido vários livros do senhor na adolescência), acabei por levar o livro para casa. No fim fui falar com o Fernando Morais e disse-lhe isto tudo. Que só tinha ido comprar uma água e que, sabe-se lá como, tinha acabado com a biografia do Paulo Coelho nas mãos. E que nem gostava dele. E ele disse que mais do que gostar de Paulo Coelho, o livro valia pela história. Já percebi que sim, que o homem escreve bem que se farta e que é um excelente contador de histórias. Mas agora tenho de andar no metro com um livro chamado "O Mago", onde o nome Paulo Coelho é bem maior do que o do próprio autor. E tenho um bocadinho de nada de vergonha. E vou sempre a tentar esconder a capa. E odeio forrar livros, se é essa a vossa sugestão. Pois, pois, sou preconceituosa, que fazer?"
Etiquetas:
Bitaites,
Ler os outros,
Pessoas
Paulo Coelho II
Será que a Veronika decidiu morrer porque a obrigaram a ler a obra completa do senhor? É que só de ler "O Alquimista", já tive vontade de pegar no cajado do protagonista e desatar a distribuir bordoada a torto e a direito. Não me convenceu. Parece-me a estrutura narrativa de uma parábola bíblica, cruzada com um livro de auto-ajuda. Na onda daqueles livrinhos que os jeovás nos impingiam. E a mim não ajudou. Mas gostos são gostos. E a verdade, é que se trata de um livro que potencia ao máximo os valores que os leitores nele queiram projectar. Sejam eles quais forem.
Adenda politicamente correcta, mas ainda assim verdadeira: não tenho nenhum problema com a fé Jeová, ou com a maioria das religiões disponíveis no mercado. Nunca reagi foi bem ao marketing agressivo.
Adenda politicamente correcta, mas ainda assim verdadeira: não tenho nenhum problema com a fé Jeová, ou com a maioria das religiões disponíveis no mercado. Nunca reagi foi bem ao marketing agressivo.
Paulo Coelho I
"Se alguém se esforça além dos seus próprios limites, também quebra a sua vontade." Ler Paulo Coelho é como ler o nosso signo; há sempre um dia em que parece que está escrito à nossa medida.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Primeiro Balanço
Excepção feita a alguns posts experimentais em Março, só comecei a publicar regularmente no Alexandria a 5 de Junho. Criado essencialmente como uma materialização do meu interesse pela leitura, mas também pela área da edição literária, não quis excluir a possibilidade de fazer pequenos desvios por outros assuntos. Fossem áreas como a música, cinema e fotografia; ou deambulações diversas em matérias sobre as quais sinta vontade ou necessidade de escrever. Trata-se de um espaço recente, sujeito a muita experimentação, e que ainda busca a sua identidade. Mas havendo vontade e tempo para o mesmo, acredito que encontrará o seu caminho. Pelo menos ideias para concretizar não faltam.
Até ao dia de hoje foram feitos 51 posts. Foram recebebidas 197 visitas. Coisa pouca, bem sei. Muitos dos blogs que acompanho regularmente, têm facilmente mais afluência que isso num só dia. Mas é algo que não me é particularmente relevante neste momento. Apenas o refiro, porque parece-me surpreendente (e fonte de algum orgulho), que na minha primeira incursão por estas lides, já tanta gente tenha tido interesse em ler o que escrevi. A todos o meu obrigado. Estou a gostar da experiência e espero continuar a fazê-lo enquanto me der prazer, e na medida em que as circunstâncias da minha vida o permitam.
Queria também agradecer ao Estante dos Livros, ao Conta-me Histórias, ao ...viajar pela leitura... e ao Porta-Livros por me adicionarem nas suas barras laterais de blogs seguidos. É agradável saber que passaram por cá, e gostaram do que leram. Por último, um muito obrigado à kk, única pessoa no meu círculo pessoal a quem falei deste projecto até agora, e que tem, pacientemente, sido incansável nos incentivos e opiniões. Obrigado pelo carinho dispensado.
De certa forma, este balanço é mais para mim do que para os que por aqui passam. É a declaração de princípios a que não houve lugar no início. Preferi esperar até ter algo que valesse a pena dizer.
Até ao dia de hoje foram feitos 51 posts. Foram recebebidas 197 visitas. Coisa pouca, bem sei. Muitos dos blogs que acompanho regularmente, têm facilmente mais afluência que isso num só dia. Mas é algo que não me é particularmente relevante neste momento. Apenas o refiro, porque parece-me surpreendente (e fonte de algum orgulho), que na minha primeira incursão por estas lides, já tanta gente tenha tido interesse em ler o que escrevi. A todos o meu obrigado. Estou a gostar da experiência e espero continuar a fazê-lo enquanto me der prazer, e na medida em que as circunstâncias da minha vida o permitam.
Queria também agradecer ao Estante dos Livros, ao Conta-me Histórias, ao ...viajar pela leitura... e ao Porta-Livros por me adicionarem nas suas barras laterais de blogs seguidos. É agradável saber que passaram por cá, e gostaram do que leram. Por último, um muito obrigado à kk, única pessoa no meu círculo pessoal a quem falei deste projecto até agora, e que tem, pacientemente, sido incansável nos incentivos e opiniões. Obrigado pelo carinho dispensado.
De certa forma, este balanço é mais para mim do que para os que por aqui passam. É a declaração de princípios a que não houve lugar no início. Preferi esperar até ter algo que valesse a pena dizer.
Etiquetas:
Balanço,
Declaração de princípios
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A vida é frágil
Foi noticiada a morte da coreógrafa alemã Pina Bausch, a um mês de completar 69 anos. Tinha descoberto apenas cinco dias antes, que estava doente com cancro. Cinco dias. A vida é muito frágil...
terça-feira, 30 de junho de 2009
Ele é o nosso pastor e nada nos faltará
Para desgosto de algumas fãs benfiquistas, Jorge Jesus não é tão guapo ou bem falante como o seu antecessor. Mas como ele vem para treinar os jogadores, e não para os engatar, tanto se me dá. Ah, mas é bronco e tal...Não faz mal, aquilo não é para descobrir a cura da tuberculose. É para jogar futebol. E se lhe chamarmos abordagem pluridisciplinar à metodologia de treino futebolístico, o objectivo continua a ser meter a bola na baliza mais vezes que os outros. No meio da confusão que vai naquele clube, vejo-me ainda assim a ter fé no trabalho deste homem. O objectivo é perceber o conteúdo do jogo. Pois bem, ele percebe-o. Não o desdenhem pela embalagem.Você também pode ser um opinion maker!
Anda por aí uma grande celeuma (1, 2 e 3) acerca do novo programa de opinião de Pacheco Pereira, "Ponto Contra Ponto". Só posso falar dos minutos finais, os únicos que vi. E há algo de impagável em ver um opinion maker normalmente tão exigente com as declarações de outrem, a folhear os classificados de putedo de um jornal, enquanto nos explica que o seu elevado número é por si só um forte indício da crise que atravessamos. Por momentos, senti que encontráramos o nosso próprio Daily Show. Depois do Gato Fedorento, Contemporâneos e Tempo Extra com Rui Santos, não haja dúvidas que o domingo é a noite de humor por excelência na televisão portuguesa.
Adenda: Para além da oferta de serviços sexuais, os outros indícios apresentados foram o suplemento referente a execuções pelas finanças e as propostas de procura de emprego. De forma empírica, são inferências prováveis. Mas daquele tipo de espaço espera-se mais. Estes factores não foram traduzidos em números, actuais ou passados. É uma presunção, e não um facto, que tenha existido um aumento dos mesmos. E em termos de crítica a este tipo de postura, ninguém é normalmente mais intolerante (e com razão) que Pacheco Pereira.
30 Anos de Antígona
A Antígona celebra trinta anos. E o Cadeirão Voltaire faz as despesas da comemoração (I,II,III). Espero que dure pelo menos outros 30, porque o seu catálogo efectivamente diferencia-se da maioria do que se publica em Portugal. E quanto mais não seja, quem trata as obras de George Orwell com o cuidado que esta casa o faz, só por isso já merece lugar no céu.
Etiquetas:
Editoras
Subscrever:
Mensagens (Atom)





