domingo, 28 de junho de 2009

Viva Salgari!



A editora Via Óptima, lançou recentemente uma colecção com a obra de Emilio Salgari. O Porta-livros falou da mesma aqui, aqui e aqui. Embora sendo um autor a quem se faz repetidas referências, a verdade é que não é fácil encontrar grande parte dos seus livros no nosso mercado. Espero por isso, que seja possível levar esta colecção até ao fim. É importante que o maior número possível de interessados adquira estes livros. É a melhor forma de ajudar uma editora que não é um gigante de mercado a obter retorno, e a continuar com esta aposta. Edições portuguesas de livros como "O Corsário Negro" e "Sandokan", deveriam estar permanentemente disponíveis. Não vão ser o próximo best-seller de Verão, mas irão sempre vender. À semelhança de autores como Júlio Verne e Alexandre Dumas, a obra de Salgari tem capacidade para apelar a diferentes gerações e estabelecer pontos de contacto entre as mesmas. São títulos ideais para a difícil fase de transição entre uma literatura mais infantil, e um outro tipo de livros, já mais adultos. Mas é preciso impedir que caiam no esquecimento.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não acredito em bruxas...mas que elas existem, existem


Hoje, dos três noticiários televisivos das 13h00, a TVI e SIC começaram com a comunicação do Governo de que se opõe à aquisição de parte da TVI (30%) pela PT. A RTP optou pela morte de Michael Jackson. E nessa matéria permaneceu durante 14 minutos. Passou testemunhos vindos da América. Entrevistou Nuno Braancamp, organizador de um concerto dado pelo artista em Portugal. Entrevistou também animadores de rádio e funcionários de lojas discográficas acerca do assunto. E só depois abordou a comunicação do Governo. Ouvimos o Primeiro-Ministro falar, como se tratasse de uma coisa de somenos importância. Como se tivesse mudado de ideias acerca do nome a atribuir a uma iniciativa governamental corriqueira. Em seguida, declarações de um representante parlamentar de cada um dos partidos da oposição. Por último, um extracto da entrevista dada por Zeinal Bava na véspera à RTP. No total, não chegou a 6 minutos. Menos de 50% do tempo dedicado ao falecimento de Jackson. Nenhuma referência a como se trata de um assunto sensível, cheio de avanços e recuos mal explicados. Nenhuma referência ao sapo que mais parecia um boi, que o Governo teve de engolir depois das declarações anteriores. Nenhuma análise sobre as repercussões que este passo terá na empresa de telecomunicações.

Pacheco Pereira disserta recorrentemente contra a instrumentalização da televisão pública pelo Governo. Nem sempre concordo com a sua opinião, ou pelo menos com o grau da mesma. Mas tenho de admitir que não está apenas em causa uma imaginação fértil e teorias da conspiração. E tenho curiosidade em saber; numa altura em muitos jornalistas (felizmente não todos) realizam mais julgamentos sumários do que investigações acerca de todos os quadrantes da sociedade, se aplicarmos o mesmo crivo ao seu trabalho, quais os critérios jornalísticos seguidos que justifiquem esta opção?

O segredo deve mesmo ser a alma do negócio


Ficamos a saber que as Feiras do Livro de Lisboa e Porto foram um sucesso. Mais de 350 mil visitantes e um aumento entre 10 a 20% nas vendas, em relação ao ano anterior (em tempos de crise é sempre positivo). O que ficamos sem saber, novamente, é o volume e valor de vendas de cada editora, que recusaram fornecer esses dados. Cada vez mais ouvimos falar na profissionalização do mercado da edição em virtude das suas novas exigências; em como é preciso inovar porque não falamos apenas de livros, agora são conteúdos. É necessária uma estratégia para diferentes plataformas. Faz sentido. E será que para a tão almejada maturidade e profissionalização do mercado, não seria importante dados fidedignos? Não é importante saber o que se vende e em que quantidade? Continua a haver uma resistência por parte das editoras em providenciar os dados da sua actividade. Não falamos de dados confidenciais, mas dos normais resultados da sua actividade. Excepto se estivermos a falar de um best-seller que bateu recordes no número de edições e exemplares vendidos. Nesse caso, não falta a indispensável fitinha que nos lembra fazermos parte de algo maior que nós; de um verdadeiro fenómeno.

Não acredito em negócios que se mantenham abertos com prejuízos crónicos. Editoras inclusive. Ninguém vive do ar, pelo que o que não dá dinheiro acaba por fechar (salvo uma excepção ou outra). Podem dar pouco dinheiro, mas dão algum. A verdade, é que estamos constantemente a ser bombardeados com discursos de como a edição é um negócio periclitante. Cerca de 50% dos portugueses não compra um livro por ano! As pessoas não lêem e o Estado devia intervir! Se alguém insinua que um livro é caro para o consumidor (o que é diferente de afirmar que é caro para os custos de produção, distribuição e retalho que teve), cai o carmo e a trindade. Permitam então que os interessados possam cruzar o máximo de informação possível sobre a edição literária, e não apenas a que lhes convém. Quanto mais informação disponível houver, mais aumenta a probabilidade de cada um dos seus agentes fazer opções adequadas no futuro. E mais legitimidade terão para chamar a atenção para os seus problemas específicos. Que mais não seja para evitar casos destes, que nos remetem para uma tão típica chico-espertice portuguesa.

Adenda: Pelo menos a Leya disponibilizou alguns dados referentes à facturação e aos autores mais vendidos (genericamente, sem referir números quanto aos exemplares vendidos). Mas no seu caso compreende-se. Um grande grupo, com grandes vendas, transmite uma imagem de vitalidade. Se alguém souber onde existe informação mais detalhada acerca destas matérias, não se coíba de a partilhar. Fica desde já o meu agradecimento.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O que ando a ouvir



Bliss
No one built this moment
&
Bat for Lashes
Two Suns

Os 25 Anos da Taschen (4)

No seguimento de Parabéns Taschen!



"Alchemy & Mysticism"
Roob, Alexander
Softcover, flaps, 14 x 19.5 cm (5.5 x 7.7 in.), 576 pages
€ 9.99

Os 25 Anos da Taschen (3)

No seguimento de Parabéns Taschen!




"20th Century Potography"
Museum Ludwig Köln
Softcover, flaps, 14 x 19.5 cm (5.5 x 7.7 in.), 760 pages
€ 9.99

Seviço público para fãs de Manga

Para quem gostar de manga e quiser acompanhar as séries da sua preferência, pode fazê-lo através do One Manga. Mantém-se muito actualizado em relação à saída de novos capítulos e respectiva tradução do japonês. Embora seja um fansite, pede meças a muitos projectos profissionais. Pela minha parte, o vício que me faz passar por lá de tempos a tempos é de momento a série Naruto.

Da Literatura fala sobre a nova Guimarães

Texto interessante sobre o rumo que a editora de Paulo Teixeira Pinto está a seguir aqui.

Aquisições Junho (3)

Paris Mon Amour
Gautrand, Jean-Claude
Softcover, 24.5 x 32.9 cm (9.6 x 13 in.), 240 pages
Taschen

Optimista/Negativista - O Teste Derradeiro

Leia o "1984" de George Orwell. Consoante o final seja uma surpresa ou o que já estava à espera, saberá, definitivamente, a que categoria pertence.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Rodrigo Leão tem novo álbum


Chega hoje às lojas o novo projecto de Rodrigo Leão, "A Mãe". Desde que descobri o seu trabalho com o álbum "Alma Mater", fiquei fã devoto. Duvido que o homem consiga fazer um álbum mau mesmo que queira.

Sugestões 2 - "DA PÉRSIA DAS ROSAS E DA POESIA À REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃO" - Câmara Clara 21/06/09

O programa Câmara Clara emitido no último domingo, é uma excelente forma de compreender um pouco melhor a realidade complexa que é o Irão, seja a nível político, cultural ou religioso. Vale bem a pena dispender uma hora do nosso tempo. A emissão estará brevemente disponível aqui.

"A jornalista Margarida Santos Lopes cobre o Médio Oriente há 30 anos. Ângelo Correia é dos portugueses que melhor conhece o vasto e diverso mundo islâmico. Ambos vão analisar as circunstâncias que conduziram à actual crise de uma nação com 2500 anos de História, do primeiro golpe organizado pela CIA para derrubar um governo estrangeiro, em 1953, ao apoio que alguns ricos judeus iranianos deram à revolução islâmica. "O Xá obliterou a alma islâmica do Irão e exacerbou a sua alma persa. O Khomeini fez o contrário: silenciou a alma persa e exacerbou a islâmica." Haverá lugar para uma terceira via?"

Os 25 Anos da Taschen (2)

No seguimento de Parabéns Taschen!







100 All-Time Favorite Movies
Hardcover, 2 vol. in a slipcase, 24 x 30.5 cm (9.4 x 12 in.), 800 pages
€ 39.99

domingo, 21 de junho de 2009

Aquisições Junho (2)



"Tertúlia de Mentirosos - Contos Filosóficos do Mundo Inteiro" - Jean-Claude Carrière - Teorema - Janeiro 2000

"São contos, são filosóficos e vêm do mundo inteiro. São zen ou sufi, chineses ou judaicos, indianos ou africanos. São, também, europeus, americanos, contemporâneos. Engraçados, graves, ou as duas coisas ao mesmo tempo. São, por vezes, ambíguos, desconcertantes e, até, inquietantes. Parecem-se connosco."

"Diálogos com Agostinho da Silva - O Império Acabou. E Agora?"- Natália de Sousa - Casa das Letras - 6ª edição Maio 2006

"Nos anos de 1986 e 87, a jornalista Antónia de Sousa gravou uma série de conversas com o pensador Agostinho da Silva, "pautadas de reflexões mas também de muitos risos". São estas conversas, que até hoje permaneceram inéditas, que compõem o volume agora dado à estampa. Um livro indispensável, uma "leitura fascinante" de Portugal e dos portugueses, dos mitos fundadores da nacionalidade e da identidade nacional, às figuras e às obras de gente como o Pe. António Vieira ou o poeta Fernando Pessoa, que ajudaram a definir o país que somos e que sonhámos."

No caso do livro de Agostinho da Silva, o que posso dizer é que a forma como encarava o mundo foi o seu grande legado e merece genuinamente ser conhecida. Quem teve oportunidade de ver e ouvir alguma das entrevistas que deu, sabe como é difícil não ficar enfeitiçado de imediato.

sábado, 20 de junho de 2009

Vislumbres 2

Robert Doisneau - "O Beijo do Hôtel de Ville" - Paris, 1950

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Noites de Cocaína - J.G.Ballard



Charles Prentice é um jornalista britânico que ganha a vida a escrever sobre viagens. O tipo de pessoa que gosta de conhecer todos os lugares, mas não pertence a nenhum. Quando o seu irmão Frank, que havia assentado arraiais numa estância na Costa do Sol, é acusado pelo homicídio de cinco pessoas, o carimbo de Espanha é o próximo na colecção do passaporte de Charles.

Embora ninguém, polícia inclusive, pareça acreditar, Frank, que desempenha as funções de gerente do conceituado Club Nautico, insiste em manter uma confissão em que se assume como responsável pelo incêndio que provocou tantas mortes. Não só se mantém inflexível nesta matéria, como recusa contar ao irmão pormenores do que se passou ou a razão para o seu comportamento. Charles embora desconcertado, mas convicto da inocência do irmão, decide investigar por conta própria.

Na estância de Estrella del Mar, residentes maioritariamente britânicos vivem uma segunda juventude. Pessoas que atingiram o pico do sucesso cedo na vida vêem viver para aqui para finalmente fazerem tudo o que sempre quiseram. Representa um estranho contraste com os empreendimentos semelhantes que acabam por se caracterizar pela letargia constante e uma fobia do mundo exterior. Mas quando Charles mergulha mais profundamente neste mundo, apercebe-se que a expressão realizar todos os sonhos é encarada literalmente. Existem comportamentos que um outsider não consegue compreender. Como pessoas que assistem a uma violação e nada fazem. Existe uma relação sombria entre um tipo de criminalidade que oficialmente não existe e a própria vitalidade da comunidade. É esse enigma que Charles precisa de deslindar para descobrir o que aconteceu ao irmão.
Acaba por se envolver com uma antiga namorada do irmão e por conhecer Crawford, uma espécie de messias da mentalidade dominante e que representa a chave para ser aceite num mundo que até aí o parecia querer ver pelas costas. Com o tempo, Charles (e um pouco o leitor com ele) vai sendo assimilado por este mundo e acaba por tomar de certa forma o lugar do irmão. Acaba também, por ficar tão indiferente ao destino de Frank como todos os outros (embora não o consiga encarar).

Do (pouco) que li de Ballard, este romance não consegue ser tão incómodo como outras obras. Embora falando de como somos afectados pela violência e sexualidade, a perspectiva que nos fornece (para mim Ballard tem sobretudo a ver com analisar os instintos e emoções que movem o ser humano sob perspectivas diferentes da mainstream e normalmente mais sombrias) embora alternativa, não é brutal. Talvez ambígua seja a melhor forma de descrever. Para quem gosta de Ballard, provavelmente não achará este um dos seus melhores trabalhos. Mas para fãs ainda condicionais ou recém-apresentados, será uma aposta mais segura.

A vertente policial do livro, solucionada apenas no final, ajuda a equilibrar o prisma mais psicológico e sociológico da história. O final, embora moderadamente previsível, é bem conseguido em relação ao espírito da obra, e foi o suficiente para elevar uns furos a minha opinião global da mesma.

"Noites de Cocaína"
J.G.Ballard
Tradução de Mário Correia
Quetzal Editores
Maio,2003

Batalhas da II Guerra Mundial

Para quem tiver interesse pelas batalhas da II Guerra Mundial, sai hoje, com o Correio da Manhã, o primeiro volume ("A Invasão da Polónia: Guerra-Relâmpago") de uma colecção dedicada ao tema. Com um preço promocional de 1,95€ (restantes volumes a 7,95€), é da responsabilidade da Osprey Publishing, editora com vasto catálogo em monografias ilustradas sobre história e estratégia militar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Portugal no Mundo

Sociedade Civil e Comunicação Social discutem se Ronaldo, o actual representante dessa honra e responsabilidade enormes que são ser o nome de Portugal no Mundo, se anda a comportar condignamente e de acordo com tais pergaminhos. Tudo porque foi visto a ir para a casa de Paris Hilton para discutirem estratégias de investimento conjuntas. O homem não é jogador? E não jogou enquanto a época durou? Ao ser bom profissional, fez a sua obrigação, e fez mais que outras "estrelas" da mesma constelação. De resto, faz pela vida. Triste é ver todos aqueles abutres, à espera noite fora, que o Fenómeno se acabe de aviar. É importante registar o pós-coito para a posteridade. Abençoada imprensa livre!

Adenda: Se o Ronaldo é o rosto de Portugal (talvez alterar-lhe o nome para Ronalldo, não?), isto significa que o look macho latino está outra vez in?

O Twitter mais poderoso que a espada

Como o Twitter tem servido para transmitir informação não censurada das "eleições" no Irão. E uma referência à importância da nossa livre comunicação social que remete este assunto menor para depois de analisar como Hilton, o novo engate de Ronaldo, gosta de andar solta e ao natural.