Robert Doisneau - "O Beijo do Hôtel de Ville" - Paris, 1950
sábado, 20 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Noites de Cocaína - J.G.Ballard

Charles Prentice é um jornalista britânico que ganha a vida a escrever sobre viagens. O tipo de pessoa que gosta de conhecer todos os lugares, mas não pertence a nenhum. Quando o seu irmão Frank, que havia assentado arraiais numa estância na Costa do Sol, é acusado pelo homicídio de cinco pessoas, o carimbo de Espanha é o próximo na colecção do passaporte de Charles.
Embora ninguém, polícia inclusive, pareça acreditar, Frank, que desempenha as funções de gerente do conceituado Club Nautico, insiste em manter uma confissão em que se assume como responsável pelo incêndio que provocou tantas mortes. Não só se mantém inflexível nesta matéria, como recusa contar ao irmão pormenores do que se passou ou a razão para o seu comportamento. Charles embora desconcertado, mas convicto da inocência do irmão, decide investigar por conta própria.
Na estância de Estrella del Mar, residentes maioritariamente britânicos vivem uma segunda juventude. Pessoas que atingiram o pico do sucesso cedo na vida vêem viver para aqui para finalmente fazerem tudo o que sempre quiseram. Representa um estranho contraste com os empreendimentos semelhantes que acabam por se caracterizar pela letargia constante e uma fobia do mundo exterior. Mas quando Charles mergulha mais profundamente neste mundo, apercebe-se que a expressão realizar todos os sonhos é encarada literalmente. Existem comportamentos que um outsider não consegue compreender. Como pessoas que assistem a uma violação e nada fazem. Existe uma relação sombria entre um tipo de criminalidade que oficialmente não existe e a própria vitalidade da comunidade. É esse enigma que Charles precisa de deslindar para descobrir o que aconteceu ao irmão.
Acaba por se envolver com uma antiga namorada do irmão e por conhecer Crawford, uma espécie de messias da mentalidade dominante e que representa a chave para ser aceite num mundo que até aí o parecia querer ver pelas costas. Com o tempo, Charles (e um pouco o leitor com ele) vai sendo assimilado por este mundo e acaba por tomar de certa forma o lugar do irmão. Acaba também, por ficar tão indiferente ao destino de Frank como todos os outros (embora não o consiga encarar).
Do (pouco) que li de Ballard, este romance não consegue ser tão incómodo como outras obras. Embora falando de como somos afectados pela violência e sexualidade, a perspectiva que nos fornece (para mim Ballard tem sobretudo a ver com analisar os instintos e emoções que movem o ser humano sob perspectivas diferentes da mainstream e normalmente mais sombrias) embora alternativa, não é brutal. Talvez ambígua seja a melhor forma de descrever. Para quem gosta de Ballard, provavelmente não achará este um dos seus melhores trabalhos. Mas para fãs ainda condicionais ou recém-apresentados, será uma aposta mais segura.
A vertente policial do livro, solucionada apenas no final, ajuda a equilibrar o prisma mais psicológico e sociológico da história. O final, embora moderadamente previsível, é bem conseguido em relação ao espírito da obra, e foi o suficiente para elevar uns furos a minha opinião global da mesma.
"Noites de Cocaína"
J.G.Ballard
Tradução de Mário Correia
Quetzal Editores
Maio,2003
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Críticas Literárias
Batalhas da II Guerra Mundial
Para quem tiver interesse pelas batalhas da II Guerra Mundial, sai hoje, com o Correio da Manhã, o primeiro volume ("A Invasão da Polónia: Guerra-Relâmpago") de uma colecção dedicada ao tema. Com um preço promocional de 1,95€ (restantes volumes a 7,95€), é da responsabilidade da Osprey Publishing, editora com vasto catálogo em monografias ilustradas sobre história e estratégia militar.
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Portugal no Mundo
Sociedade Civil e Comunicação Social discutem se Ronaldo, o actual representante dessa honra e responsabilidade enormes que são ser o nome de Portugal no Mundo, se anda a comportar condignamente e de acordo com tais pergaminhos. Tudo porque foi visto a ir para a casa de Paris Hilton para discutirem estratégias de investimento conjuntas. O homem não é jogador? E não jogou enquanto a época durou? Ao ser bom profissional, fez a sua obrigação, e fez mais que outras "estrelas" da mesma constelação. De resto, faz pela vida. Triste é ver todos aqueles abutres, à espera noite fora, que o Fenómeno se acabe de aviar. É importante registar o pós-coito para a posteridade. Abençoada imprensa livre!
Adenda: Se o Ronaldo é o rosto de Portugal (talvez alterar-lhe o nome para Ronalldo, não?), isto significa que o look macho latino está outra vez in?
Adenda: Se o Ronaldo é o rosto de Portugal (talvez alterar-lhe o nome para Ronalldo, não?), isto significa que o look macho latino está outra vez in?
O Twitter mais poderoso que a espada
Como o Twitter tem servido para transmitir informação não censurada das "eleições" no Irão. E uma referência à importância da nossa livre comunicação social que remete este assunto menor para depois de analisar como Hilton, o novo engate de Ronaldo, gosta de andar solta e ao natural.
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Lista de Desejos
Mais um para a lista de desejos. O seu antecessor "Budapeste", foi um dos livros mais belos e marcantes que já li. Quero ver se Chico Buarque conseguiu pelo menos igualar a força da estória do escritor anónimo José, dividido entre duas cidades, duas línguas, duas vidas . "Budapeste" está incluído na colecção BisLeya, pelo que quem o quiser adquirir, o pode fazer por cerca de 6€. Uma verdadeira pechincha.
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Livros
sábado, 13 de junho de 2009
Está tudo cinco estrelas!
Via Cadeirão Voltaire, descobri um interessante texto de Francisco Vale no blog da Relógio D'Água, em que este disserta porque não faz sentido para si o sistema de pontuação quantitativa de livros (as famosas estrelas incluídas).
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Tudo isto aconteceu. Tudo isto voltará a acontecer(?)
Ao fazer um intervalo no trabalho, passei os olhos na rtp2. Estava a dar um documentário sobre um campo de concentração alemão, que tem sido mantido como testemunho do que aconteceu. Os visitantes escutam os guias explicarem como funcionava aquele lugar. Os registos de mortes que se dividiam entre os suicídios e as mortes legais. Não havia outro tipo de mortes. Às vezes, os SS executavam alguém a sangue frio. Sem necessidade de um porquê. Atiravam depois o corpo para a vedação, tiravam uma foto para o registo, e pronto, mais um que não aguentou a pressão. Quem é que ia estranhar? Estamos a falar de judeus e afins. Não se pode esperar muito. Quem é que se ia importar? Às vezes, os detidos estavam tão magros, que quando lhes batiam com um bastão de borracha, a pele rasgava. Tudo era tão organizado, tão eficiente. Existia um organograma para dividir os ocupantes em categorias. Os mais susceptíveis de fugir tinham um ponto nas costas. Uma ajuda visual para os guardas. O pior dos piores, era o judeu homossexual. Mas esses não duravam muito. Uma vizinha do campo, conta como viu uma pilha de corpos empilhados quando voltava das compras. Nem se deram ao trabalho de os matar a todos antes. Faz sentido. Optimização de recursos. Faz todo o sentido. Vemos os "duches", os fornos. Vemos os excursionistas questionarem-se como metiam as pessoas no seu interior. Estariam mortos ou vivos; iriam de livre vontade?
Meu Deus! Como é que isto foi possível? Racionalmente sei até onde pode ir a crueldade humana. Sei até onde já foi, pelo menos. Mas ao ver aquilo...Como é que fomos capazes de o fazer, de o permitir. Elie Wiesel, sobrevivente do holocausto e Prémio Nobel da Paz, escreveu uma frase no seu livro "Noite", em que relata as experiências que viveu em dois desses campos:"Eu era o acusador, e Deus o acusado. Com os olhos bem abertos, vejo que estou só - terrivelmente só num mundo sem Deus e sem Homem." É uma boa maneira de pôr as coisas.
Quanto mais o tempo passa, mais necessários parecem estes santuários reconvertidos. Para nos lembrarem do que se passou; para nos subtraírem a possibilidade de esquecer ou relativizar. Confesso que achava um pouco macabra a peregrinação a estes lugares (excepção feita a sobreviventes). Vou vendo as coisas de forma diferente. Os testemunhos que nos foram legados materializam-se ali. Existiu mesmo. Parece coisa pouca, mas pouco mais de 60 anos foram suficientes para surgir o negacionismo destas atrocidades (com um número crescente de adeptos). Ou então, discutem-se os números. Como seis milhões de mortos é claramente exagerado. Na melhor das hipóteses, quatro. E vá lá. Não por rigor histórico. Mas como atenuante. Não foi tão grave assim afinal. Não importa que o único motivo para não ter sido ultrapassada a barreira dos dez milhões; dos vinte milhões, foi alguém tê-los detido. Mas talvez alguns lamentem apenas que os nazis não tenham conseguido acabar o serviço.
No final, um dos responsáveis explica que as aves e os animais não se aproximam do campo. Pode ser do cheiro do crematório, diz. Ele acredita que é porque sentem a morte.
Meu Deus! Como é que isto foi possível? Racionalmente sei até onde pode ir a crueldade humana. Sei até onde já foi, pelo menos. Mas ao ver aquilo...Como é que fomos capazes de o fazer, de o permitir. Elie Wiesel, sobrevivente do holocausto e Prémio Nobel da Paz, escreveu uma frase no seu livro "Noite", em que relata as experiências que viveu em dois desses campos:"Eu era o acusador, e Deus o acusado. Com os olhos bem abertos, vejo que estou só - terrivelmente só num mundo sem Deus e sem Homem." É uma boa maneira de pôr as coisas.
Quanto mais o tempo passa, mais necessários parecem estes santuários reconvertidos. Para nos lembrarem do que se passou; para nos subtraírem a possibilidade de esquecer ou relativizar. Confesso que achava um pouco macabra a peregrinação a estes lugares (excepção feita a sobreviventes). Vou vendo as coisas de forma diferente. Os testemunhos que nos foram legados materializam-se ali. Existiu mesmo. Parece coisa pouca, mas pouco mais de 60 anos foram suficientes para surgir o negacionismo destas atrocidades (com um número crescente de adeptos). Ou então, discutem-se os números. Como seis milhões de mortos é claramente exagerado. Na melhor das hipóteses, quatro. E vá lá. Não por rigor histórico. Mas como atenuante. Não foi tão grave assim afinal. Não importa que o único motivo para não ter sido ultrapassada a barreira dos dez milhões; dos vinte milhões, foi alguém tê-los detido. Mas talvez alguns lamentem apenas que os nazis não tenham conseguido acabar o serviço.
No final, um dos responsáveis explica que as aves e os animais não se aproximam do campo. Pode ser do cheiro do crematório, diz. Ele acredita que é porque sentem a morte.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Quem fala assim não é gago
(...)Certa vez escrevi um texto sobre a função pública que indignou de tal forma um senhor que ele encerrava o seu mail furibundo,com esta frase maravilhosa sobre a minha pessoa: "Que bela punheta que se perdeu."Reparem que, ao contrário das ofensas mais batidas, esta evita dizer mal dos meus progenitores ao mesmo tempo que atinge o mais ínfimo de mim. Ela afirma isto: "Mas porque é que o pobre do seu ppai se lembrou de ir gastar um dos seus espermatozóides consigo?" Isto é magnífico, com alguma dor, a perda de um belo momento de onanismo, trocado pele miserável concepção da pessoa cuja triste figura podem verificar na foto apensa. Nem o capitão Haddock se lembrou de tal, embora desconfie que a palavra "punheta" não ficasse particularmente bem num livro de Tintim.(...)
João Miguel Tavares - jornalista e director-adjunto da Time Out no sofá da revista LER Junho 2009 sobre o melhor insulto, do ponto de vista qualitativo, que já recebeu.
João Miguel Tavares - jornalista e director-adjunto da Time Out no sofá da revista LER Junho 2009 sobre o melhor insulto, do ponto de vista qualitativo, que já recebeu.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Futurama Ressuscita
Boas notícias para quem lamentou o cancelamento desta série de Matt Groening (criador dos Simpsons), alguns anos atrás. Seis anos depois vai voltar a ser produzida.
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Televisão
Os Pecados do Lobo - Anne Perry

Integrado na excelente colecção de policiais da Gótica "Nocturnos", a acção de "Os Pecados do Lobo", de Anne Perry, desenrola-se na Inglaterra Vitoriana e tem no detective William Monk a sua personagem principal. Monk é abrupto, inconveniente e sarcástico; ao fim e ao cabo, alguém que não é tido na melhor das contas. Mas é também extremamente inteligente e incansável a defender uma causa que considere justa, não hesitando em desrespeitar a maioria dos extremamente rígidos preconceitos sociais da época. Rege-se apenas pelos seus princípios pessoais, sem dar muita importância às consequências que possa sofrer. Embora seja o primeiro que leio, não se trata do primeiro livro da série. As constantes da mesma são um conjunto de personagens comuns e o contexto pessoal de cada uma. Os elementos mais relevantes dos mesmos são facilmente introduzidos (o caso de um anterior despedimento de Monk da Polícia e a amnésia de que sofre). Já o crime investigado neste volume, é autónomo e circunscrito ao mesmo, pelo que não é indispensável ler os volumes anteriores.
A enfermeira Hester Latterly (pertencente ao núcleo de personagens comuns), vê-se acusada do crime de homicídio por envenenamento, de uma sua doente que acompanhava em viagem. Os indícios encontrados apontam fortemente para a sua culpabilidade. Sabendo-se inocente, Hester tem também consciência que apenas um dos membros da família onde a vítima era matriarca, poderia ter tido os meios e oportunidade para cometer o crime, e ainda deixar provas incriminatórias contra si. Recorre à ajuda de Monk, e do advogado Oliver Rathbone, os quais, pelo passado que partilham, acreditam intransigentemente na sua inocência. São os três vértices de um triângulo amoroso subtil, que gera alguns dos momentos mais divertidos do livro.
O livro caracteriza-se essencialmente pela sua capacidade descritiva e pelo tom leve que, embora sem ter pretensões humorísticas explícitas, nos leva a viajar pelo mesmo com um sorriso nos lábios. As personagens, tanto principais como secundárias, estão bem conseguidas. Raramente se limitam a estereótipos. Mesmo as que não são exploradas a um nível mais complexo, conhecemos delas o suficiente para nos transmitir a sensação de que há mais nelas do que um primeiro olhar alcança. Levando o seu tempo a descrever cada uma das etapas da história, o ritmo da trama acaba por sair algo prejudicado. A descrição da estrutura familiar e dos rígidos padrões sociais em meados do séc.XIX é cativante sem ser exaustiva, limitando-se às exigências da história. O papel das mulheres na sociedade e como este se começava lentamente a alterar tem um destaque especial. Na guerra da Crimeia, onde Hester serviu como enfermeira, pela primeira vez as mulheres acederam à profissão de enfermeira por vocação, e não como um trabalho rebaixante reservado para quem esgotou outras alternativas. Neste confronto notabilizou-se a figura de Florence Nightingale, uma personalidade real que chega a ser integrada na história numa homenagem à importância dos seus feitos. Granjeou um respeito profundo dos seus contemporâneos que roçava a adoração, e foi fundamental para uma melhoria drástica dos cuidados de saúde que se prestavam, sobretudo aos mais pobres.
Enquanto tenta descortinar motivos no seio da família da vítima susceptíveis de impelir ao assassinato, Monk acaba muitas vezes em becos sem saída. Os avanços mais significativos na investigação do crime, sucedem numa fase já adiantada do livro. Em resultado disso, os acontecimentos acabam por se precipitar de forma um pouco atabalhoada. É esse twist final que revela as motivações subjacentes ao crime e, embora seja algo forçado e não totalmente surpreendente para quem esteja habituado a este tipo de histórias, não prejudica a sensação de agradabilidade que ler este livro nos transmite.
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Críticas Literárias
Os 25 Anos da Taschen (1)
No seguimento de Parabéns Taschen!





Imagens retiradas do livro "Japanese Prints" - Fahr-Becker, Gabriele / Walther, Ingo F.
Hardcover, 24 x 30 cm (9.4 x 11.8 in.), 200 pages
€ 9.99
Para ti,kk





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terça-feira, 9 de junho de 2009
Salve-se quem puder
Nunca um programa de televisão em Portugal teve um nome tão apropriado. Nem a Diana Chaves sem som salva aquilo.
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Televisão
Cada macaco no seu galho
Em relação às recentes eleições europeias, e às suas consequências para o rumo da União Europeia, um post de Eduardo Pitta no Da Literatura cuja leitura me angustiou. Talvez gostemos de pensar que, como sociedade, somos melhores do que efectivamente somos. A fotografia que acompanha está bem esgalhada.
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Diferença entre defender a lei e a filha-da-putice 2
Primeiro ver Diferença entre defender a lei e a filha-da-putice
Consultando o site da IGAC, temos acesso ao diploma que regula a lei do preço fixo do livro. Esta, no seu artigo 15, nº1, alínea b) estabelece como excepção ao regime da mesma, os livros usados e de bibliófilo, ficando estes isentos.
Uma grande parte dos livros em questão estão em bom estado, mas não deixam de ser usados. Quando entraram no mercado, entraram respeitando a lei. As flutuações nos seus preços aconteceram já após entrarem na esfera de um privado. Caso contrário, nem lhe seria possível praticar preços significativamente mais baixos. Não falamos de um grande grupo económico, com capacidade para comprar a preço de custo. Teve necessariamente de os comprar mais baratos do que os vende. Sei disto porque é apenas lógico, e porque eu próprio já lhe vendi livros. Não tantos quanto os que lhe comprei, mas aconteceu.
A lei parece clara mas talvez haja uma interpretação ou um artigo que me tenha escapado. Afinal de contas, houve lugar a uma coima. Algum motivo a teve de fundamentar, não é?
Consultando o site da IGAC, temos acesso ao diploma que regula a lei do preço fixo do livro. Esta, no seu artigo 15, nº1, alínea b) estabelece como excepção ao regime da mesma, os livros usados e de bibliófilo, ficando estes isentos.
Uma grande parte dos livros em questão estão em bom estado, mas não deixam de ser usados. Quando entraram no mercado, entraram respeitando a lei. As flutuações nos seus preços aconteceram já após entrarem na esfera de um privado. Caso contrário, nem lhe seria possível praticar preços significativamente mais baixos. Não falamos de um grande grupo económico, com capacidade para comprar a preço de custo. Teve necessariamente de os comprar mais baratos do que os vende. Sei disto porque é apenas lógico, e porque eu próprio já lhe vendi livros. Não tantos quanto os que lhe comprei, mas aconteceu.
A lei parece clara mas talvez haja uma interpretação ou um artigo que me tenha escapado. Afinal de contas, houve lugar a uma coima. Algum motivo a teve de fundamentar, não é?
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Diferença entre defender a lei e a filha-da-putice
A semana passada, visitei o meu vendedor de livros usados favorito a participar numa feira temporária, e fiz o meu avio do mês. Na conversa com esse meu conhecido, soube que tinha recebido uma visita da IGAC devido a uma denúncia por desrespeito da lei do preço fixo (durante os primeiros 18 meses após a sua edição, um livro não pode ser vendido com um desconto superior a 10% do preço de editor. Estão ainda disponíveis um número limitado de dias em que se pode fazer um desconto máximo de 20%, se respeitadas certas circunstâncias.). Desta visita resultou uma coima. Não conheço a lei em concreto e não sei se abrange o mercado de usados. Sei isso sim, que estamos a falar de 1 ou 2 exemplares de cada livro. Os títulos disponíveis são os que calham. Muitas vezes nem se tratam de compras e vendas, mas sim de trocas directas. Sei ainda que existe uma diferença entre alguém bater-se pelas leis concorrenciais do mercado que visam evitar desequilíbrios no mesmo, e a FILHA-DA-PUTICE MESQUINHA E INVEJOSA de quem está de olho em mais meia dúzia de trocos e não tem problemas em prejudicar alguém que faz isto nos fins-de-semana mais por carolice e um pequeno extra que outra coisa. Não se preocupem. Como é honesto, todos os livros nessas condições foram guardados até que tenha certezas sobre se pode vendê-los ou não. Mas tenho uma questão: se comprar um livro que seja uma trampa, e o vender a preço de uva mijona reflectindo a pouca estima que lhe nutro a um amigo antes dos 18 meses, posso ser alvo de coima? E o amigo que mo compre? Malandros...Devíamos ficar proibidos de ler durante 18 meses.
Mais uma vitória para os auto-proclamados guardiões da cultura!
Mais uma vitória para os auto-proclamados guardiões da cultura!
Parabéns Taschen!
A editora fundada por Benedikt Taschen iniciou o seu percurso em 1980. Conhecida mundialmente pela boa relação que consegue estabelecer entre a qualidade das suas obras e o respectivo preço, a Taschen publica actualmente obras sobre áreas tão diversas como arte, fotografia, arquitectura, design, decoração e viagens entre outros. Ao completar 25 anos, lançou uma série comemorativa que reproduz uma grande parte do seu catálogo em edições mais económicas. Passados 4 anos, continuam a ser acrescentados títulos a esta iniciativa. No entanto, muitos dos livros que primeiro a integraram estão já esgotados.
Consegui adquirir uma parte significativa dos livros que me interessavam da mesma, e à semelhança do que fiz no post anterior, vou colocar algumas imagens dos meus favoritos nos próximos tempos deste blog. São para mim, um verdadeiro deleite para os sentidos.
Consegui adquirir uma parte significativa dos livros que me interessavam da mesma, e à semelhança do que fiz no post anterior, vou colocar algumas imagens dos meus favoritos nos próximos tempos deste blog. São para mim, um verdadeiro deleite para os sentidos.
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