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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Negócios de ocasião

  
  Palavra de honra que não tenho qualquer patrocínio do Continente (mas estou disponível, mesmo que em géneros), mas calhou em sorte (por sorte, entenda-se: nos dias que correm, as minhas leituras mais frequentes são folhetos de supermercado), que mais esta sugestão de Janeiro seja de lá. Existe um conjunto de livros que, até 27 de Janeiro, estão com 60% de desconto (imediato, e não em cartão). Maioritariamente (senão exclusivamente) livros de chancelas Leya, havia, entre outros, livros de Chico Buarque (Benjamim), Manuel Alegre (O Miúdo Que Pregava Pregos Numa Tábua) e Ian Kershaw (Sorte do Diabo). Preços, posso apenas referir os dos que comprei:

O Olho de Hertzog - João Paulo Borges Coelho - 3€
Rio Homem - André Gago - 6,76€
Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa - 5,96€
O Arquipélago da Insónia - António Lobo Antunes - 3,96€

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sugestão da casa #1


  Para todos aqueles com cartão Continente, e que não se sintam conspurcados pelo acto de comprar livros no hipermercado, entrincheirados entre atum e papel de cozinha, vale a pena espreitar Amor e Sexo no Tempo de Salazar, de Isabel Freire, escondido por entre as páginas do folheto de 75% de desconto em cartão. O preço inicial já ele é mais baixo do que na Fnac ou Wook (18€ em vez de 26€), e assim fica por 4,50€. Fica o link para a sinopse do livro, condições da campanha (até 13 de Janeiro), e uma máxima da época que acho um mimo: «Mão na mão. Mão na coisa. Coisa na mão. Coisa na coisa é que não.».  Fica assim a primeira sugestão (e compra) do ano, a qual já agora, com carinho e caridade, esses siameses de mão dada, gostava de dedicar a Isabel Jonet.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E o ano começa bem...






   Ano novo, livros novos. Já cá cantam os primeiros novos residentes de 2011 (mês de Janeiro). Com o tempo tenho tido tendência a comprar progressivamente menos livros. Mais do que os constrangimentos financeiros que variam consoante as alturas (e que encontram inevitavelmente a resposta no ditado popular que diz que quem não tem dinheiro, não tem vícios), prende-se com o tempo que não chega para tudo. Acaba por ser natural cingir-me cada vez mais aos livros que quero mesmo, mesmo ler. 

  Começou com uma prenda de Natal atrasada: 501 Must Visit Natural Wonders, de um amigo que achou por bem alimentar o meu fetiche por viagens. Grande parte dos lugares que nos dá a conhecer não são de  visita viável, excepto se a nossa vida for viajar, e tenhamos bolsos bem fundos para o fazer. Mas vale a pena ver as fotografias, de qualidade bastante razoável, de como existem belezas na Terra que suplantam a nossa imaginação. 

  Nos CTT (uma primeira vez para mim), apanhei O Declínio do Império Whiting, de Richard Russo, a metade do preço. Foi uma compra por instinto, coisa que não é rara em mim. Gostei da pinta do livro. E fui influenciado pelo facto desta obra ter sido adaptada pela HBO, e protagonizada por Ed Harris, Helen Hunt e Paul Newman. Se cativou o interesse destes actores, sobretudo Newman (que nessa altura já não saía de casa por qualquer coisa), e para mais, já foi o vencedor do prémio Pulitzer, parece promissor quanto baste.

  Finalmente, nas oportunidades Fnac, aproveitei para dar baixa em quatro livros da minha lista de "Mais cedo ou mais tarde, hei-de caçar-te". Norte de Céline, autor conhecido tanto pela sua mestria literária, como pelo facto de ter sido colaboracionista nazi. O seu nome continua a ser sinónimo de polémica em França, numa altura em que se questiona novamente a importância que se deve atribuir à sua obra. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao sempre me pareceu um livro divertido, e no ano do seu lançamento foi louvado quanto baste pela crítica (embora seja verdade que por vezes isso não significa assim tanto). A História Universal da Destruição dos Livros é uma tentação para apaixonados pelos  livros e pela seu percurso na história. Qual Mark Twain, as notícias da morte do livro sempre foram exageradas. Mas não por falta de tentativas. Esta forma de consagrar experiências, ideais e pensamentos, em simples páginas de papel, tem suscitado o ódio e receio de diversos regimes ao longo dos tempos. É interessante ver como existe uma conexão entre a destruição de livros e a censura e repressão, e a que proporções esta pode ascender.

  E para último deixo o melhor: Orlando Furioso, de Ludovico Aristo. Deixo a sinopse oficial, que é bem elucidativa do que se pode esperar. Acrescento apenas que a edição é um verdadeiro mimo; um prazer pelo próprio objecto em si, enriquecido com as ilustrações de Gustave Doré. Vale bem a pena os 40€ que custa normalmente. Com as Feiras do Livro a caminho, onde tem muitas vezes um desconto de 40%, talvez esteja aí a oportunidade ideal para quem quiser acrescentar este calhamaço ao seu espólio literário. 

Sinopse

Mais de 400 ilustrações de Gustave Doré.
Introdução, tradução do original, notas e resumo por Margarida Periquito.
A Cavalo de Ferro orgulha-se de apresentar ao leitor português a primeira tradução integral de ‘Orlando Furioso’ de Ludovico Ariosto, suprindo uma lacuna editorial no nosso país de mais de 500 anos. Com a presente publicação torna-se finalmente acessível em português uma das mais importantes obras da literatura universal, enriquecendo o nosso panorama literário e cultural.
Escrito ao longo de mais de trinta anos por Ludovico Ariosto e publicado na sua versão final em 1532 (com 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados), o ‘Orlando Furioso’ é um dos maiores monumentos da literatura europeia e mundial, apenas comparável em termos de relevância cultural a outras obras-primas da literatura como ‘A Divina Comédia’ (Dante Alighieri), ‘Gerusalém Libertada’ (Torquato Tasso), ou aos nossos ‘Lusíadas’, do qual, aliás, foi influência maior.
Misto de romance de cavalaria que engloba o imaginário popular e mitológico, numa fina ironia, o ‘Orlando Furioso’ é um longo poema épico que, tal como a Odisseia ou a Ilíada, pode facilmente ser lido como um grande romance de aventuras. Foi, aliás, leitura de entretenimento ao longo dos séculos em todas as cortes europeias, influenciando gerações de escritores como o inglês Spencer ou o espanhol Cervantes, estando ainda presente em obras tão distantes no tempo e diferentes no estilo como as de Camões e de Cyrano de Bergerac.
O tema principal do livro é de como o valoroso cavaleiro Orlando, de paladino de Carlos Magno e enamorado da bela Angélica, por ciúme, se torna em louco furioso, e de como sem o seu mais importante cavaleiro o exército cristão fica em dificuldades na guerra santa que trava; isto até o cavaleiro Astolfo encontrar na Lua o recipiente que contém o juízo de Orlando restituindo-o ao seu legítimo proprietário, mesmo a tempo deste ajudar os cristãos na luta que travam contra mouros nos muros de Paris.
Pelo meio desfilam cavaleiros, cavalos alados, princesas, feiticeiros, e são descritas um sem número de batalhas, duelos, fugas, perseguições e cenas de amor; tudo isto num ritmo alucinante que a rima dos versos de Ariosto torna numa quase prosa musical.
A tradução do século, numa edição a não perder!
Orlando Furioso de Ludovico Aristo


Críticas de imprensa
«Não se pode ficar indiferente à tradução integral do poema épico de Ariosto, Orlando Furioso (1532), acabada de publicar sob responsabilidade de Margarida Periquito, tradutora de Leopardi, Buzzati, Romana Petri, Carlo Collodi e outros italianos. Orlando Furioso são cerca de quarenta mil versos no padrão rimático e métrico da oitava, distribuídos por 46 cantos. Da obra, Harold Bloom disse ser o precursor e modelo do Quixote. A edição, de apuro gráfico cuidado, sem luxo, em papel reciclado e grande formato (27cmx19cm), não é bilingue. Por essa razão, fica-se pelas 749 páginas. Margarida Periquito traduziu, explicou o critério do seu trabalho, e escreveu a introdução, uma nota biográfica do poeta (1474-1533), o resumo da obra e as indispensáveis notas. A editora Cavalo de Ferro optou por ilustrar a sobrecapa e o volume com cerca de quinhentas das 650 ilustrações que Gustave Doré fez para este clássico do romance de cavalaria, o que decerto constitui atractivo suplementar.»
Eduardo Pitta, daliteratura.blogspot.com 


«Uma tradução apuradíssima em todos os pormenores.»
J.R.D., Público 


  Alguns destes títulos continuam a manter os preços previstos na campanha Fnac, embora esta já tenha terminado. Em alguns casos, são mesmo os novos preços de editor dos livros em questão, pelo que se devem manter.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aquisições de Dezembro

  Em Dezembro permiti-me um desvio à contenção orçamental do momento. Afinal de contas, era Natal! No Freeport, comprei pela exorbitante quantia de 5€ cada os quatro livros que de seguida se enumeram: Cavalos Roubados de Per Peterson; O Cavalo a Tinta-da-China de Baptista-Bastos; Planisfério Pessoal de Gonçalo Cadilhe, e História do Cerco de Lisboa de José Saramago. Comprei-os na semana que mediou entre o Natal  e o Ano Novo. Havia muitos outros títulos interessantes a preços em conta. Que me recorde: O Jogo do Anjo e A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon a 10€ cada; O Homem Duplicado de José Saramago a 5€; diversos títulos de António Lobo Antunes (edições ne varietur) a 8€ a peça; O Fantasma de Hitler de Norman Mailer por 8€, entre outros. Quem passar por Alcochete e quiser aliviar um pouco a carteira, é dar uma espreitadela.

  Mesmo com os amigos e entes queridos a reduzirem nas prendas de Natal (exemplo seguido pela malta cá de casa), ainda apanhei dois livros: Caderneta de Cromos de Nuno Markl, e o Sonho do Celta de Mario Vargas Llosa.

  Para encerramento das hostilidades e condigna celebração do final de 2010, satisfiz dois dos maiores desejos da lista de compras futuras. O Desertor de Daniel Silva, e a Literatura Nazi nas Américas de Roberto Bolãno, já repousam orgulhosamente na minha estante.







terça-feira, 30 de novembro de 2010

A compra (única) do mês


  The editor-in-chief of The Washington Post recounts his life and career in journalism, from his early friendship with Senator John F. Kennedy to his famous role in the Watergate investigation.

  Usado, em bom estado, foi a primeira compra que fiz pelo Play.com (3,14€ e com portes grátis). Vale a pena dar uma vista de olhos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os livros que não ando a comprar

  Para quem gosta tanto de falar dos livros que compra, dou por mim a falar nos que não comprei. Registei durante o mês de Outubro melhoras notáveis na minha condição de comprador inveterado (em grande parte uma escolha estimulada pelas medidas de contenção que o momento aconselha, mas reclamo de qualquer forma a minha parte do mérito). E quando não se está inebriado pelos novos meninos dos nossos olhos, partimos à redescoberta da nossa biblioteca residente. Qual formiga a preparar-se para o Inverno, fomos acumulando livros e mais livros, como quem salva os últimos representantes de uma espécie em vias de extinção. Por entre os bons negócios que não se podiam perder; a prenda que alguém que nos conhece bem nos deu; e os livros que nos convencemos que haveríamos de querer ler na esperança de ser uma obra-prima, acabamos por encontrar a próxima leitura perfeita. Para quem já tiver acumulado umas boas centenas ou milhares de livros, é certo que uma boa parte dos mesmos estará por ler. É então como mergulhar, em simultâneo, na nossa própria biblioteca, livraria e alfarrabista. O nosso bem mais precioso.

  Como me portei bem, acabei por me oferecer um pequeno mimo: "Manhattan Transfer" de John dos Passos (Presença). Mas com 40% desconto e portes grátis, quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As melhores aquisições de 2009 (1)

      A monumental obra de Érico Veríssimo (em qualidade pelo que dizem, mas de certeza em dimensão), "O Tempo e o Vento", estava na minha lista de desejos há muito. Mas comprar sete volumes não é pêra doce, pelo que fui adiando a sua compra. Entretanto o preço dos mesmos desceu, situando-se agora nos 10€. E quando numa colaboração entre a Ambar e a revista "Os Meus Livros", se proporcionou a possibilidade de comprar alguns dos mesmos, decidi deitar mãos à obra. Cabe aqui fazer um grande e sincero agradecimento à Be. Estando a residir actualmente num lugar onde nunca ouviram sequer falar da revista, foi a Be., que conheço apenas do fórum Estante dos Livros, quem se ofereceu para mos comprar e enviar pelo correio. Graças a ela, poupei cerca de 13€ na compra de dois volumes, o que ajudou a amenizar a pancada. A promoção de Natal da Wook em que metade do valor das compras efectuadas em Dezembro, seria devolvido em Janeiro num vale de compras, fez o resto do serviço. Como alguns dos títulos já nem apareciam como disponíveis na página da editora, estive até à última com a incerteza se iria receber todos os livros ou não. A Ambar parece estar a desinvestir, senão mesmo desistir, da sua aposta na literatura. Não sei até que ponto esta percepção está correcta, mas acabou por precipitar a compra de tantos livros de uma só assentada.

    Uma última palavra, extremamente negativa, para a revista "Os Meus Livros". Bem se podem criar blogs, twitters e afins, com intuito de permanecer actualizado, que os mesmos acabam por não passar de meras ferramentas. Se alguém vos envia um mail a colocar uma questão, respondam por favor. É da mais elementar educação e competência em matéria de relações públicas. Nem que mandem a pessoa passear. Caso contrário, de nada vale terem o vosso endereço disponível no blog.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os packs malditos 1/2

Crónicas de um comprador de livros compulsivo    

    Gasto mais dinheiro em livros do que devia, e compro-os muito mais rápido do que os consigo ler. Faço-o por um hábito de coleccionismo e pela expectativa que sinto ao ter aquele livro na estante, aguardando a oportunidade ideal para ser lido. Encontro o mesmo prazer em descobrir um livro comprado anos atrás, uma obra de que não me recordo a última vez que nela pensei, que encontro numa compra mais recente. Minto. Sinto um prazer ainda maior. Porque olho para as minhas estantes como um reduto em que guardo alguns dos meus bens mais valiosos. Ao percorrê-las, revisito as circunstâncias e motivos que me convenceram a comprar cada um dos seus ocupantes. É nessas alturas que me apercebo de como a minha biblioteca se foi tornando uma extensão da minha personalidade.

    Ao adoptar este comportamento à revelia de qualquer racionalidade económica, acabo por sentir a premência de alcançar alguma forma de equilíbrio com a minha consciência.  A solução que encontrei, é procurar sempre os melhores negócios possíveis. Quando os encontro, a convicção de que dificilmente encontrarei uma oportunidade semelhante, constitui um argumento difícil de rebater. No seguimento desta lógica, interiorizei nos últimos três meses quão vulnerável sou a um tipo de promoção específica. Começou, como começa sempre, com um negócio de ocasião.

    Os hipermercados Continente, simpáticos bastiões do capitalismo, organizaram a campanha best-seller. Na compra de um conjunto de packs seleccionados, apenas pagávamos o preço de um de dois livros. Ora os packs de Daniel Silva e Haruki Murakami caíam que nem ginjas no meu pecúleo literário, provocando  baixas há muito ansiadas na minha lista de desejos. Para além disso, senti que era minha obrigação cívica adquiri-los enquanto um cidadão que pretende contribuir, ainda que modestamente, para a revitalização da nossa economia numa época de crise.

    O pack de Daniel Silva era constituido por "O Assassino Inglês" e "O Criado Secreto", precisamente os únicos livros do autor publicados em português que me faltavam. Dos muitos autores de espionagem a que já foi comparado, o que Daniel Silva mais me recorda é Frederick Forsyth (autor de "O Chacal" e "O Quarto Protocolo"), mas numa encarnação actualizada. Tem uma fórmula que obedece a critérios bem definidos, apostando na riqueza de pormenores dos contextos e competente gestão do suspense para enriquecer a narrativa. Ao escolher Gabriel Allon, um espião israelita, como protagonista de uma boa parte dos seus thrillers, Daniel Silva descobriu um filão inesgotável de estórias. Entre repercussões da perseguição a que os judeus foram sujeitos na II Guerra Mundial, e os conflitos em que Israel se encontra actualmente envolvida no Médio Oriente, matéria prima é coisa que não lhe falta. A Bertrand poderia era tratar com mais respeito esta série e quem a lê. Existe uma sequência na mesma que tem sido ignorada. No primeiro lançamento ainda se compreende. Provavelmente estavam a tentar recriar um sucesso literário internacional. Mas a partir do momento em que concluiram que a fórmula funcionava no nosso mercado, não compreendo porque motivo a sequência de lançamentos parece continuar a ser decidida de forma aleatória, e não na ordem cronológica. Acabam por ser desvendados prematuramente, determinados elementos da evolução pessoal das personagens que conduzem a efeito spoiler perfeitamente evitável.

    O pack de Haruki Murakami oferecia na compra de "A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol", o livro "Dança, Dança, Dança", continuação de "Em Busca do Carneiro Selvagem". Dos livros de Murakami que conheço (para além deste, "Kafka à Beira-Mar" e "Norwegian Wood"), foi o que mais gostei. A escrita de Murakami tem uma assinatura muito própria, assente num plano parcialmente abstracto e que se mantêm constante de livro para livro. Não ser um escritor versátil no tipo de atmosferas que cria, não constitui um problema porque ninguém mais cria atmosferas iguais às suas. Como já tinha o primeiro livro, aproveitei por fazer uma compra de Natal antecipada por um preço em conta. E consegui o "Dança, Dança, Dança" por 13,50€ quando o seu preço é de 18€ mesmo com 10% de desconto. Por uma questão prática, darei um pequeno salto temporal para maleitas futuras. Isto porque a desgraça em Murakami não se resumiu a esta compra. Na fnac online, aproveitando a pré-compra de "Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo", recebiamos de oferta "After Dark, Passageiros da Noite". As obras de Murakami têm sido particularmente recorrentes neste tipo de promoções. Aliás, este foi um ano particularmente profícuo em sinergias entre a minha biblioteca e a obra do escritor nipónico. Já tinha aproveitado uma outra promoção para comprar o ensaio "Underground - O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa" editado pela Tinta da China.

    Existe um aspecto que me parece curioso quando se fala de Murakami. Foi um autor que demorou a chegar a Portugal. Recordo-me de ouvir diversas intervenções em que diferentes intelectuais referiam com entusiasmo o fenómeno Murakami como o que de mais original tinha surgido no panorama literário internacional. Chegou a ser mencionado como exemplo do atraso com certas obras significativas chegavam ao nosso mercado. Quando finalmente chegou, foi-se tornando paulatinamente um sucesso de vendas. E começámos a observar um silêncio cada vez maior da crítica. É verdade que os seus livros não são normalmente alvo de críticas negativas. Simplesmente não lhes é dada grande atenção. Deixou de ser um segredo bem guardado, apenas ao alcance daqueles cujo conhecimento do mercado vai para além das nossas fronteiras, tornando-se um produto de massas. Há quem se refira ao mesmo como o Dan Brown dos intelectuais. Outra crítica recorrente é o facto de ser um dos escritores japoneses mais ocidentalizados. Parece-me uma crítica pertinente apenas se alguém o referir como um paradigma do estilo dos autores nipónicos. Não é difícil entender o motivo porque os traços culturais japoneses, ainda que mitigados, parecem exóticos aos olhos de alguém tão distante e desconhecedor dessa realidade. Pode muito bem ser, que seja precisamente o facto de estar a meio caminho entre as culturas ocidental e oriental, que o torna tão apelativo a ambas.
  
 "O Assassino Inglês" + "O Criado Secreto" de Daniel Silva por 16,16€




"A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol" + "Dança, Dança, Dança" de Haruki Murakami  por 13,50€



"Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo" + "After Dark, Passageiros da Noite" de Haruki Murakami por 13,50€ 


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Crónicas de um comprador de livros compulsivo



 Já confessei anteriormente ser um bibliófilo. Bibliófilo, no sentido de alguém que gosta não apenas de ler, mas que já encara a sua biblioteca pessoal como uma extensão da própria personalidade. Como muitas das pessoas que se enquadram neste perfil, dá-me um prazer enorme falar sobre livros. Não apenas das histórias que albergam ou dos seus autores, mas muitas vezes, também das circunstâncias em que vieram parar à minha posse. Com pessoas que sofram da mesma maleita em semelhante grau, não há problema. Mas para todos os outros, rapidamente se pode tornar chato e irritante. Assim, para prevenir essas situações, e num acto de puro narcisismo literário, vou passar a instrumentalizar este blog como escape para tal entusiasmo. As razões porque comprei aquele livro, os bons negócios que apanhei, enfim, coisas que muitas vezes provavelmente interessarão apenas a mim. Mas ao menos aqui, existe sempre a prerrogativa de as ignorar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu, a Cavalo de Ferro, e a Feira do Livro de Lisboa

No post anterior sobre a Cavalo de Ferro, referi como esta editora foi a minha desgraça na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Como qualquer pretexto me serve para falar dos meus livros, ficam aqui as aquisições a que me referia.

Na banca de oportunidades da editora, não resisti a estes quatro, a um preço unitário de 5€:



"Manuscrito Encontrado em Saragoça - Volumes I
e II" - Jan Potocki



"Dicionário Infernal" - Colin de Plancy
&
"Contos Completos, vol.1" - Nathaniel Hawthorne

E aproveitei a promoção de livro do dia (com 40% de desconto), para comprar dois livros que há muito estavam no topo da minha lista de desejos:



"Meio-Irmão" - Lars Saabye Christensen
&
"Gente Independente" - Halldór Laxness

Carregando no nome de cada livro, acede-se à respectiva sinopse, e a toda a outra informação disponibilizada pela editora relativa ao mesmo. Comigo, a Cavalo de Ferro saiu beneficiada por ter disponibilizado antecipadamente a sua lista de livros do dia completa (ao invés da maior parte das editoras presentes). Seleccionei os que me interessavam, e fiz as minhas contas ao dinheiro e datas. Para as restantes compras, ficou o que sobrou.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

E ao 25º dia sucumbi...

O meu nome é Gomes, e sou um bibliófilo assumido. Andava tão direitinho... Não comprava um livro desde 18 de Junho. No sábado, ia comemorar os meus 30 dias. Uma marca que não atinjo, pelo menos desde Novembro. 30 dias! E eis que hoje, ao mudar de linhas no Marquês, me desgracei da vida. Ao passar por uma daquelas feiras do livro que aparecem em algumas estações de metro, e em que normalmente já nem me dou ao trabalho de entrar, uma capa puxou-me a vista. Hora maldita, já se viu. A maioria da feira corresponde à pobreza franciscana que já conhecia. Mas tinha alguns livros da Bertrand, Quetzal e Ambar, que não esperava encontrar. Escolhi quatro, a 5€ cada. Prestes a pagar, avisam-me da promoção: em cada três livros, o mais barato é oferta. Enfim, o resultado final vem ilustrado já a seguir. Tudo pela redonda quantia de 20€. O que também vi lá, mas não comprei porque já os tenho, foram alguns títulos do autor indonésio Pramoedya Ananta Toer. Se passarem por lá, e só puderem comprar um livro, que seja um deste senhor. Não se vão arrepender.







A Judia - Edgarda Ferri (Quetzal)
Poder e influência, peregrinação e promessa de uma mulher extraordinária, no cenário das perseguições quinhentistas aos Judeus da Europa. Rigor histórico e mestria num inesquecível romance, cujo início tem lugar em Lisboa e o fim na Palestina. Retrato vivo e inquietante de uma mulher indomável, A Judia vem trazer à luz uma história verídica e impressionante do Renascimento Europeu.A Judia é uma maravilhosa incursão numa época de conturbadas políticas, acompanhando uma mulher cuja obra culminou na fundação de uma cidade hebraica na Palestina.

Plataforma - Michel Houllebecq (Bertrand)
O livro retrata o caso de Michel, um solitário e desiludido funcionário público, frequentador de peep-shows e de desenxabidas prostitutas ocidentais, que encontra em Valérie, uma mulher interessante e abertamente bissexual, a possibilidade de concretizar uma afeição marcada por uma sexualidade "natural e instintiva", que só a acção criminosa de um grupo de fundamentalistas islâmicos consegue interromper abruptamente. Pelo meio, o autor aborda muitas das inquietações que hoje em dia nos assaltam e formulamos interiormente: os perigos das selvas urbanas, as atitudes de determinados grupos étnicos ou sectores sociais e a atitude de solidão que domina as pessoas.

Celestino Antes da Madrugada - Reinaldo Arenas (Ambar)
Reinaldo Arenas é um dos mais conhecidos escritores cubanos do Séc.XX.
Um dos seus livros, Antes que Anoiteça, passou a filme e teve grande sucesso no cinema . Trata-se da sua biografia, onde o autor se assume como crítico do sistema político cubano e como homossexual.
O livro Celestino antes da Madrugada é também biográfico, pois o herói tem muito em comum com o autor. Para Celestino, a sua casa é também um endiabrado enxame; também a mãe e os avós não compreendem por que razão não pára de escrever por todo o lado, inclusivamente nas folhas das árvores; também com ele gritam e o ameaçam ao mesmo tempo que se fustigam entre si. Ambos gostam de povoar o mundo que os rodeia de fantasmagóricos espíritos, seres e factos extraordinários, que habitam também os seus escritos, refúgio da sua pobre, insuportável realidade.
Celestino antes da Madrugada foi publicado em Cuba em 1967, tendo a primeira edição esgotado numa semana. Após a saída de Arenas da ilha, foi proibida, tal como o resto da sua obra. Apresentamos agora a versão definitiva que o autor deixou revista e corrigida em 1982.
Reinaldo Arenas deixa Cuba e vai viver em Nova Iorque, onde contrai SIDA e se suicida.

Críticas de imprensa:
"Recorrendo a elementos de cariz marcadamente autobiográfico, Arenas desenvolve uma narrativa que quebra todas as convenções novelísticas de época (...) e onde a personagem principal se desdobra em dois, como um jogo de espelhos onde o objectivo a alcançar passa pela construção da própria identidade (...) No equilíbrio quase bélico entre as duas personalidades, resta ao leitor o privilégio de acompanhar as longas digressões interiores que se desenham por entre os espaços da casa rural onde tudo acontece (...)"
Sara Figueiredo Costa, Setembro de 2006

O Sanatório de Cascais - Manuel Viqueira (Ambar)
A única sinopse que encontrei relativa a este livro foi no blog As Minhas Leituras.

A Parte do Outro - Eric-Mannuel Schmitt (Ambar)

Críticas de imprensa:
Autor de inúmeros romances e peças de teatro, vários deles editados em Portugal, Eric-Mannuel Schmitt assume neste A Parte do Outro a difícil tarefa de reconstruir o mundo como se Adolf Hitler tivesse seguido um rumo diferente, nas Belas-Artes. O exercício inclui uma visão romanceada e paralela do Hitler que a História conhece, mas é da utópica primeira hipótese que se alimenta a narrativa. Em alguns momentos, a certeza de que estamos perante uma ficção combina mal com as tentativas constantes de revelar a mente de uma personagem que não deixa de ser histórica mas, no geral, pode dizer-se que a mistura dos dois planos favorece o texto, para além de constituir uma interessante especulação sobre como seria o mundo sem Hitler o tentar destruir.
Sara Figueiredo Costa
, in Os Meus Livros de Dezembro de 2005

A Maldição de Edgar - Marc Dugain (Ambar)

Edgar J. Hoover, que dirigiu o FBI durante quase meio século, é uma figura mítica, para sempre ligada a uma época negra da história dos Estados Unidos.
De 1924 a 1972 as maiores personagens americanas (políticos, artistas e outras figuras de relevo) foram perseguidas até na sua intimidade por este homem, possuidor de um enorme poder. Este romance conta essas histórias, com base em relatórios de escutas e fichas de informação e outros documentos.
Uma das fontes de informação em que se baseou o autor deste livro para recriar a realidade dessa época foram os textos (Memórias) atribuídos a Clyde Tolson, que foi adjunto de Edgar J. Hoover, mas sobretudo seu amante.